O trenzinho que realizava os passeios turísticos em Paranapiacaba foi impedido de circular pela vila histórica durante o 9º FIP (Festival de Inverno de Paranapiacaba) pela Prefeitura de Santo André. Gersino Luis da Silva, proprietário do trenzinho e morador da vila, quase foi parar na cadeia a mando de representantes do prefeito Aidan Ravin (PTB) no último sábado (11/07), após insistir em realizar os passeios turísticos. Gersino é filiado ao PDT e trabalhou para a candidatura da coligação encabeçada pelo PT nas eleições de 2008, adversária de Aidan no segundo turno.
Desde 2002, quando Paranapiacaba foi tombada como patrimônio nacional pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o trenzinho circula pela Vila. Em 2005, Gersino, que cogita acabar com a iniciativa, obteve alvará para circular pela rota de serviços. Aparentando tristeza, o proprietário do trenzinho estranhou a postura da Administração. Durante os dois últimos festivais, o trenzinho levou cerca de 2 mil pessoas para passear. A maioria crianças ou idosos impossibilitados de caminhar.
“Não me deram qualquer explicação. Apenas disseram que nem cogitaram a participação do trem no festival. Não vou me calar. Adoro meu trabalho. Acredito que existam questões políticas por trás desta história”, lamentou Gersino.
O dono do trenzinho também encaminhou por escrito um ofício à Prefeitura a fim de obter informações oficiais sobre a extinção do passeio. No sábado (11/07), início do festival, Gersino insistiu em rodar com o trem, pois tinha um passeio marcado com um grupo de idosos vindos da Capital. O tour foi desmarcado e Gersino, quase preso. “Chegou o pessoal do trânsito e disseram que eu não poderia trabalhar. Não entendi, pedi explicações, aí eles chamaram um funcionário da Prefeitura que me disse: ‘recolhe esse trem senão eu chamo a PM e se você for boca dura te dou voz de prisão’. Foram muito agressivos”, afirmou.
Procurada, a Prefeitura não respondeu à reportagem do ABCD MAIOR.
Solidariedade - Aidan também inviabilizou a participação dos empreendedores da economia solidária. A Administração cobrou R$ 2 mil pela exploração de cada uma das barracas abertas para o evento, o que impediu a participação das associações. Na gestão anterior, a economia solidária pagava apenas R$ 150.