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DATA DA PUBLICAÇÃO 21/04/2013 | Cidade
Vanessa: Donisete desligou aparelhos de Mauá
Vanessa: Donisete desligou aparelhos de Mauá Foto: Divulgação - Diário Online
Foto: Divulgação - Diário Online
Se Mauá respirava por aparelhos por conta da dívida originada pelo financiamento da canalização dos córregos Corumbé, Bocaina e do Rio Tamanduateí, em 1991, agora os equipamentos foram desligados. Essa é a visão da deputada estadual Vanessa Damo (PMDB), que critica os moldes do acordo de refinanciamento acertado entre o prefeito Donisete Braga (PT) e a Caixa Econômica Federal. Mesmo com a recuperação de 50% do FPM (Fundo de Participação do Município), estimado em R$ 1,9 milhões mensais para os cofres da cidade, a peemedebista prevê uma herança negativa para as contas públicas em longo prazo por conta dos juros de 7% ao ano, para pagar o montante de R$ 568 milhões em três décadas. Consolidada como a principal figura de oposição ao PT em Mauá, a peemedebista argumenta que a dívida já foi paga e que essa deveria ser a defesa do petista diante dos credores.Vanessa alfineta o início da gestão Donisete pelo aumento da tarifa de ônibus, falta de água e principalmente pelo caos da Saúde originado pela falta de médicos nas UPAs. Mesmo assim, ela não demonstra receio em subir ao mesmo palanque do rival político por conta da manutenção da dobrada Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB) na eleição presidencial. Projetando o futuro, Vanessa sinaliza tendência para se candidatar por mais quatro anos à Assembleia Legislativa, fala da parceria com o prefeito de Ribeirão Pires, Saulo Benevides (PMDB), em 2014 e admite desgaste do PSDB depois de duas décadas no governo do Estado, apoiando Paulo Skaf (PMDB) como postulante do PMDB ao Palácio dos Bandeirantes. De quebra, garante que disputará o Paço de novo em 2016. Confira os principais trechos da entrevista.

DIÁRIO - Qual é a sua avaliação dos 100 primeiros dias do governo do prefeito de Mauá Donisete Braga?

VANESSA DAMO - Eu não avalio positivamente, porque ele segue a mesma linha do governo do Oswaldo Dias (PT). Constato isso pelo aumento da tarifa de ônibus (de R$ 2,90 para R$ 3,30) para um sistema de transporte extremamente criticado pela população, por ser deficitário. Não condiz com o valor da passagem. Outra questão é a falta de água, reclamação constante na administração anterior. Continua sendo um drama na vida do mauaense e não houve progresso a respeito disso.

DIÁRIO - Donisete considera a maior vitória dos 100 primeiros dias a renegociação da dívida com a Caixa. A senhora concorda que seja uma ação vitoriosa?

VANESSA - A renegociação da dívida era necessária, mas a forma como o Donisete fez foi equivocada. Há uma ação na Justiça contra a Caixa, que contesta o valor da dívida. Acredito que em dois ou três anos sairia o resultado. Nessa ação, haveria a decisão de que Mauá já pagou essa dívida. Com esse acordo com a Caixa, Donisete abre mão dessa ação, faz o parcelamento dessa dívida por 30 anos, compromete metade do FPM (Fundo de Participação do Município), com juros de 7% (ao ano). Em curto prazo pode parecer que com a situação o problema foi solucionado. Mas Mauá não cresce 7% ao ano e essa dívida, em longo prazo, fará com que o FPM não seja o suficiente para o pagamento da dívida. Então ele colocou mais para frente um problema que segue existindo. Em minha opinião, Mauá estava agonizando e Donisete desligou os aparelhos. Os próximos prefeitos que virão terão um problema sério a enfrentar, porque essa dívida foi jogada para frente.

DIÁRIO - Então o certo seria contestar a dívida até o fim, convencer que Mauá já pagou esse montante?

VANESSA - Exatamente. Em dois ou três anos sairia o resultado dessa ação, seria possível fazer o abatimento desse valor e, se houvesse questionamento a respeito de um valor ainda a ser pago ao fim do processo judicial, seria um valor muito menor do que o que pagaremos nesse acordo com juros de 7%.

DIÁRIO - Outro enfoque do governo Donisete é a aquisição do ICMS oriundos da Recap (Refinaria Capuava), que em sua maior parte vai para São Caetano. Qual a sua opinião a respeito desse impasse?

VANESSA - Apesar de o Donisete ter a mesma forma de agir que o Oswaldo Dias, com Mauá há 20 anos com o PT tendo monopólio na Prefeitura, ele é mais dinâmico que o antecessor. E essa questão do ICMS tem que brigar mesmo. Tenho admiração grande por Paulo Pinheiro e por São Caetano, mas essa é uma questão de justiça. Mauá precisa dessa tramitação para chegar em uma distribuição mais justa nesse sentido.

DIÁRIO - Um dos principais problemas que a administração enfrenta nesses primeiros meses é na Saúde, com a falta de médicos nas UPAs, inclusive com críticas de vereadores aliados. Qual a sua avaliação sobre essa situação?

VANESSA - Já falei da água, do transporte, da renegociação da dívida e outro ponto importante a abordar é a Saúde. É uma continuidade do caos que veio na gestão do Oswaldo Dias. A falta de médico nas UPAs é uma reclamação constante da população que chega até a mim por e-mail, pessoalmente, pelas redes sociais e é um tema muito debatido na Câmara. Na minha avaliação, é o setor que mais sofre em Mauá na gestão Donisete. E 100 dias já era um tempo considerável para ter impresso uma ação para solucionar esse problema. Eu mesma visitei as UPAs e constatei espera de sete horas dos pacientes para serem atendidos, filas imensas, falta de pediatras. Não adianta ter apenas o prédio se não tem atendimento adequado. Esse é um problema muito grave.

DIÁRIO - Como a senhora avalia a atuação da bancada do PMDB na Câmara?

VANESSA - Quero colocar primeiramente que acompanho a atuação de todos os vereadores na Câmara e parabenizo a coragem do Manoel Lopes (DEM) e do Batoré (PP), que realmente são vereadores de oposição. A minha vontade é que os vereadores do PMDB também sejam oposição, mas eles se colocam como independentes. Eles foram eleitos por votos de eleitorado contrário ao PT, que está cansado dessa hegemonia petista na cidade. Eu me coloco como uma liderança de oposição e a nossa orientação é que eles façam o mesmo.

DIÁRIO - A votação que recebeu na disputa pelo Paço, tanto no primeiro quanto no segundo turno, a credencia como grande liderança na oposição?

VANESSA - Esse é meu sentimento e também o da população de Mauá. Hoje, pelo que temos acompanhado, não vimos outra figura que se consolide como oposição ao PT na cidade, embora os vereadores Batoré e Manoel Lopes já tenham se colocado nesse sentido à Prefeitura. Seguirei nesse caminho, pois acredito que a coerência na nossa forma de agir seja importante, pois o eleitor cobra isso. Vimos candidatos a prefeito, durante a campanha, que se colocavam contra a forma de trabalho do PT e que hoje fazem parte do governo. E nós, em nenhum momento, fizemos qualquer mudança no nosso pensamento, sem perder a nossa responsabilidade de ajudar Mauá por questões partidárias e feridas abertas durante a eleição.

DIÁRIO - Para a eleição de 2014, vemos do lado da administração uma disputa para ver quem será candidato. Como vê esse cenário?

VANESSA - Surgem muitos candidatos a deputado estadual e federal na cidade. Alguns aparecem de forma legítima, pois querem ser representantes da cidade, enquanto outros provavelmente serão lançados para tirar uma parcela de votos de um adversário, talvez até minha parcela, por ser uma liderança de oposição. Mas não acredito que isso prejudicará o meu desempenho político porque as pessoas acompanham o meu trabalho como parlamentar e isso refletirá em votos no futuro. Além do mais, se Mauá tiver mais deputados estaduais e federais será importante para a cidade e só vem a somar. Então, não vejo como problema muitas candidaturas, desde que venham com o objetivo de ajudar na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional.

DIÁRIO - Há possibilidade de a senhora sair para deputada federal ou buscará reeleição?

VANESSA - Ainda não há martelo batido, mas o caminho que mais se formaliza é a estadual. Fui convidada pelo PMDB para ser candidata a federal e me sinto lisonjeada, mas acredito que o meu trabalho regional cresce, minha base está consolidada no Grande ABC, Capital e Interior e esse caminho para reeleição à deputada estadual. Mas, circunstâncias futuras podem me fazer sair para deputada federal.

DIÁRIO - A vitória do Saulo Benevides a prefeito de Ribeirão Pires é também sua vitória?

VANESSA - A vitória do Saulo representa uma vitória não só minha, mas também de um projeto que construímos conjuntamente para o município e eu trabalho muito como deputada em Ribeirão. E é uma vitória contra o grupo do Clóvis Volpi, que deixou uma grande dívida. O Saulo enfrenta uma herança que não foi positiva para a cidade.

DIÁRIO - O presidente do PMDB paulista, Baleia Rossi, disse que a senhora pode sair para reeleição como deputada estadual, fazendo dobradinha com um candidato a deputado federal indicado por Saulo. Tem conversado com ele a respeito?

VANESSA - Sim, estamos conversando sobre isso. Temos dois bons nomes, a Michele Benevides, primeira-dama de Ribeirão Pires, que desenvolve um bom trabalho no município. Estamos trazendo o vereador Anderson Benevides (PMN) para o PMDB, pois é um jovem dinâmico. São dois bons nomes, há outras opções, mas conto com esses.

DIÁRIO - Com o vice-presidente da República, Michel Temer, repetindo a dobrada com Dilma Rousseff na eleição presidencial, poderemos ter a senhora e o Donisete no mesmo palanque. Vê problema nessa situação?

VANESSA - Tenho compromisso firmado com Michel Temer, que é a nossa grande liderança no partido. Onde ele estiver, estarei nesse projeto do PMDB. Se o Donisete estiver junto em um evento, não vai interferir no meu papel com o nosso vice-presidente da República.

DIÁRIO - A senhora é uma das principais aliadas do governador Geraldo Alckmin, mas, com a candidatura do PMDB ao governo do Estado, vai enfrentá-lo. Esse panorama não é contraditório?

VANESSA - Sou base de sustentação ao governo de Geraldo Alckmin na Assembleia, ele tem feito bom trabalho no Estado, mas da mesma forma que para Mauá 20 anos de PT não é positivo, pois cria monopólio político, o mesmo penso com PSDB no âmbito estadual. É o momento de o PMDB ter candidatura própria. Sou grande entusiasta do nome de Paulo Skaf, é um homem preparado e consistente para fazer um grande trabalho no governo do Estado. Ele tem bandeiras fortes como o Senai, Sesi, está à frente da Fiesp. Tem uma grande visão gestora.

DIÁRIO - A senhora pretende repetir a candidatura a prefeita de Mauá em 2016?

VANESSA - Pretendo sim, tenho o apoio de todas as instâncias do PMDB, que avaliou positivamente a nossa candidatura no ano passado e tudo indica que eu seja candidata em 2016. Não é a prioridade do momento, pois temos um mandato em andamento e a conjuntura futura tem de ser favorável. Mas, se existe grande parcela que elegeu Donisete, existe também grande parte que não está contente com PT.

Por Bruno Coelho - Diário do Grande ABC
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