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DATA DA PUBLICAÇÃO 28/09/2015 | Educação
Unicamp: 44% dos inscritos buscam vagas nos 5 cursos mais concorridos
34,6 mil candidatos disputam 295 oportunidades; 69,7% querem medicina.

Universidade recebeu 77,7 mil inscrições e tem 3,3 mil vagas em 70 cursos.


Os cinco cursos mais concorridos no vestibular 2016 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) concentram 44,6% dos 77,7 mil inscritos, de acordo com estatísticas da comissão responsável por organizar o exame (Comvest). Ao todo, são 34,6 mil candidatos para 295 oportunidades disponíveis nos cursos de medicina, arquitetura e urbanismo, comunicação social - midialogia, ciências biológicas e engenharia civil. Neste ano, houve recorde de inscrições.

Entre as cinco carreiras, somente medicina teve alta na quantidade de interessados - subiu de 22,4 mil para 24,2 mil, aumento de 8% em relação ao total de concorrentes no ano passado. Parar o coordenador associado da Faculdade de Ciências Médicas, Paulo Eduardo Neves Ferreira Velho, a alta da procura está ligada, entre outros fatores, às oportunidades de trabalho.

"Existe um estímulo do governo [federal] em relação aos 'Mais Médicos', há uma crise, e também é uma profissão que, em função do país precisar, o médico sempre tem opções de trabalho. Esta não é a realidade de muitos cursos", explicou ao lembrar sobre a vocação dos candidatos e valorização da carreira. Além disso, o coordenador destacou que o curso de medicina da Unicamp está entre os principais do país e também se destaca em avaliações internacionais.

"Este é um dos motivos para que haja preferência, a universidade tem investido para oferecer formação contextualizada. Um dos desafios no país é interiorizar a distribuição de médicos, porque há concentração de nos grandes centros e regiões litorâneas", explicou Ferreira Velho.

Carro-chefe da economia
No comparativo entre as outras quatro carreiras mais concorridas na Unicamp, a queda mais acentuada, de 17,4%, foi verificada para engenharia civil - número de inscritos passou de 4,3 mil para 3,5 mil. O coordenador associado do curso, Carlos Eduardo Marmorato Gomes, considerou que a baixa "aparentemente" está atrelada à tendência de mercado, porém, manteve tom de otimismo ao ponderar que o desenvolvimento do país inclui necessariamente novos projetos.

"Houve uma queda sim no setor, porque antes ele estava superaquecido por causa de obras da Copa do Mundo, programas de aceleramento do crescimento (PAC), entre outros estímulos do governo. A construção civil sempre se caracterizou como carro-chefe da economia, não há como desvincular ela do desenvolvimento. Como somos um país novo, a construir, sempre vai ter oferta. Em termos de remuneração, está bem melhor do que há cinco, dez anos", explicou.

'Saiu do estigma'
O desenvolvimento urbano e a oferta do curso em período noturno estão entre os "atrativos" que colocam arquitetura e urbanismo como o segundo mais concorrido no vestibular da Unicamp, de acordo com a coordenadora associada, Gisela Cunha Viana Leonelli. Ela também considera que houve o fim de um "estigma" sobre a área.

"Hoje, o vestibulando sabe que o curso não é reservado apenas ao público elitizado. Isso mudou nos últimos 20 anos, temos uma abertura maior para atuação em mercado."

Para Gisela, a graduação também é valorizada pelo fato da Unicamp oferecer a chance para que os alunos ingressem na pesquisa científica e tecnológica desde o início dos estudos. Além disso, explicou, o setor continua estável, apesar dos reflexos da crise econômica.

"Houve um superaquecimento da área nos últimos quatro anos, quando todos tinham estágios e emprego. Agora houve queda, mas vem de uma força grande. Há um leque abrangente de atuação", falou ao mencionar alta da procura por projetos de arquitetura industrial, hospitalar e de ambientes, além de trabalhos para design de interiores e a procura pelo setor público. "A demanda é imensa, faltam profissionais que ajudem no planejamento qualitativo das cidades."

'Abre portas'
Coordenador do curso de Comunicação Social - Midialogia, Noel dos Santos Carvalho demonstra entusiasmo ao comentar sobre os motivos que colocam a graduação entre as mais concorridas no vestibular deste ano. "Ela permite ao profissional abrir diversas portas. Está fundamentada nas humanidades e tem aproximação com ferramentas de tecnologia", explicou.

Para ele, a carreira atrai candidatos que gostam de inovações e permite que eles construam as trajetórias em diferentes áreas de atuação, incluindo cinema e televisão.

"Nossos alunos estão posicionados no mercado e, em relação à procura do curso, penso que é por conta de um mercado em expansão", destacou o professor que atua na área de cinema. Entre os setores que devem absorver a mão de obra, segundo ele, estão os que aliam educação e novas plataformas.

"O Brasil tem uma política forte para a produção audiovisual. Cinema está em expansão, há um grande espaço para a TV a cabo crescer, há TV aberta consolidada, novas mídias, além de interfaces como educação e tecnologia digital, que estão em crescimento e precisam de gente qualificada. Há também novas plataformas como tablets, celulares... Essas janelas eu identifico como novas possibilidades de negócios, portanto, ampliação de mercado aos profissionais."

Desperta paixão
Quarto curso mais concorrido no vestibular da Unicamp, com 45 candidatos por vaga, ciências biológicas oferece um "leque de opções para o profissional atuar", ressaltou o coordenador do curso, Claudio Werneck. Para ele, a estrutura oferecida aos estudantes, além da qualidade do corpo docente, são atrativos que impulsionam a busca por esta graduação na universidade.

"É uma carreira que desperta paixão, muito atrativa. O profissional pode atuar tanto na área ambiental e ecologia, muito discutidas, como também na parte de biotecnologia. Você tem pesquisas em bioenergia, genética, chama atenção dos candidatos."

Ele também destacou que pesquisas na área também permite mais valorizações aos profissionais quando ingressam no mercado de trabalho. "Há uma confusão de que, ao se fazer mestrado e doutorado, ele deve seguir a carreira acadêmica. Você se especializa e essa linha de estudos pode estar presenta não somente na universidade, mas também dentro do local onde trabalha", frisou Werneck.

Recorde
A Unicamp recebeu 77.760 inscrições para o vestibular 2016. De acordo com a instituição, este é o sétimo ano consecutivo em que há recorde na quantidade de candidatos na disputa.

Cronograma
A primeira fase do vestibular será em 22 de novembro, quando os candidatos terão 90 questões de múltipla escolha nas disciplinas de língua portuguesa e literatura, matemática, história, geografia, sociologia, filosofia, física, química, biologia, inglês e perguntas interdisciplinares.

Em relação à segunda etapa do processo seletivo da Unicamp, os exames serão divididos em três dias, de 17 a 19 de janeiro de 2016: redação (dois textos), língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa no primeiro; história (incluindo filosofia), matemática e geografia (incluindo sociologia) no segundo; além de química, física e biologia no terceiro dia do processo.

Diante da necessidade de alcançar índice de 50% para matriculados oriundos da rede e 35% de autodeclarados pretos, pardos e indígenas até 2017, conforme meta estipulada pelo governo do estado, o Conselho Universitário (Consu), órgão máximo de deliberação da Unicamp, aprovou mudanças no Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (Paais) para ampliar bonificação.

Por Fernando Pacífico - G1 Campinas e Região
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