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DATA DA PUBLICAÇÃO 05/03/2015 | Cidade
Torturas marcam relatório da Comissão da Verdade de Mauá
Torturas marcam relatório da Comissão da Verdade de Mauá Repressão agiu contra os trabalhadores da Refinaria União (atual Capuava), que cobravam equiparação de direitos salariais e trabalhistas em Mauá. Foto: Andris Bovo
Repressão agiu contra os trabalhadores da Refinaria União (atual Capuava), que cobravam equiparação de direitos salariais e trabalhistas em Mauá. Foto: Andris Bovo
Cidade é a quarta no ABCD a dar parecer dos depoimentos, que evidenciam atos contra os direitos humanos

Quarta cidade do ABCD a concluir o relatório final da Comissão da Verdade, Mauá guarda muitas histórias de resistência durante o período da ditadura militar, entre 1964 e 1985, como também passagens hediondas, como tortura contra presos políticos, além de assassinatos. O documento será encaminhado para CNV (Comissão Nacional da Verdade), a exemplo dos pareceres de Santo André, São Bernardo e Diadema, que também já encerraram as investigações.

Com 71 páginas, o relatório elaborado pela comissão organizada na Câmara de Mauá consolida trabalho iniciado em abril de 2014. O texto conta com depoimento de 11 pessoas que presenciaram a repressão militar.

Foi em Mauá, em 1964, que a repressão agiu contra os trabalhadores da Refinaria União (atual Capuava), que cobravam equiparação de direitos salariais e trabalhistas com a mão de obra da Petrobras. No ano seguinte, houve transferência de mão de obra para outras postos da estatal e demissões arbitrárias, como retaliação. Alguns desses petroleiros foram presos e passaram a ser sistematicamente recusados em admissão em outras empresas.

O município também abrigou clandestinamente, no fim da década de 1960, o sociólogo Herbert José de Souza, o Betinho, para escapar da ditadura militar e continuar atuando como membro da AP (Ação Popular).

As marcas da tortura ainda persistem nas memórias do ex-vereador de Mauá Olivier Negri Filho, conforme consta no relatório. Por sua atuação na AP, no Jardim Zaíra, Negri chegou a ser preso por 89 dias no Dops (Departamento de Ordem Política e Social). “Eu fui levado a uma chácara e fizeram roleta russa (jogo de azar com arma provida de uma bala). Apanhei como um desgraçado, me fizeram ficar nu”, consta na declaração.

Representante do Centro Memória e Resistência do Povo de Mauá, Maria Julia Oliveira Lobo passou dias sombrios nos porões da ditadura ao lado do pai, um dos líderes do PCB (Partido Comunista Brasileiro). Católica, Maria repetia “pelo amor de Deus” como forma de sensibilizar os torturadores, que respondiam: “Onde está seu Deus agora? Chama ele agora para que venha salvá-los”, ouviu como resposta, além de ser classificada como “ralé de Mauá.”

O relatório também cita que moradores de Mauá assassinados pelo regime militar, como Raimundo Eduardo da Silva, jovem estudante negro, de 22 anos, militante da AP. Ele foi levado de um hospital em Santo André ao DOI-Codi em São Paulo, onde foi torturado e morto. Outro personagem da cidade é Olavo Hansen, militante do Sindicato dos Químicos do ABCD e do Port (Partido Operário Revolucionário Trotskista), que também perdeu a vida pela repressão.

A Comissão da Verdade de Mauá é formada pelos vereadores Wagner Rubineli (PT), Ricardinho da Enfermagem (PTB) e Edgard Grecco (Pros). O relatório final será encaminhado a Brasília até semana que vem. Dessa forma, resta apenas Ribeirão Pires a entregar o parecer, cujos trabalhos já foram encerrados e o documento será finalizado nos próximos dias.

Por Bruno Coelho - ABCD Maior
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