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DATA DA PUBLICAÇÃO 09/02/2017 | Cidade
‘'Tenho provas de agressões que eu sofri'', diz Vanessa Damo
‘'Tenho provas de agressões que eu sofri'', diz Vanessa Damo Foto: Ricardo Trida/DGABC
Foto: Ricardo Trida/DGABC
A ex-deputada estadual Vanessa Damo (PMDB) detalha como foram as agressões físicas e verbais que sofreu de José Carlos Orosco Júnior, presidente do PMDB de Mauá e ex-secretário de Obras. Ela também pede que o marido – ainda estão casados, mas em processo de separação – devolva a guarda das duas filhas, uma vez que o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) deu ganho de causa à peemedebista.

Em entrevista exclusiva ao Diário, Vanessa conta como Júnior Orosco se tornou agressivo com ela. “Tive que as entregar (na terça-feira), atendendo a uma solicitação da Justiça, que foi induzida a tomar decisão, entregando a guarda unilateral exclusiva ao Júnior, ele utilizou de testemunhos falsos das babás, o que é muito grave, será provado posteriormente.”

Vanessa confirma os relatos feitos à Delegacia da Mulher, diz que sofreu torturas físicas e psicológicas e garante ter provas do relacionamento extraconjugal de Júnior Orosco com a ex-secretária de Assuntos Jurídicos Camila Brandão Sarem. “Tenho os vídeos que eles gravavam em momentos íntimos, vídeos pornográficos, que eu consegui recuperar. Os vídeos estão anexados ao processo.”

Como anda o processo de guarda das suas filhas?
Tenho certeza que todas as mães entendem o sofrimento de uma mãe que quer reaver suas filhas. Peço ao Júnior que devolva as crianças. Elas precisam de mim. Tive que as entregar, atendendo a uma solicitação da Justiça, que foi induzida a tomar decisão, entregando a guarda unilateral exclusiva ao Júnior, ele utilizou de testemunhos falsos das babás, o que é muito grave, será provado posteriormente. Provas fraudadas, como mensagens de WhatsApp que eu nunca enviei. Além de ter fantasiado situação que não existe, colocando que eu não tinha plenas capacidades mentais para cuidar das minhas filhas, tese que foi derrubada por laudo psiquiátrico. Baseado nisso tudo, foi feita revisão do pedido de guarda, pelo Tribunal de Justiça, hoje (ontem) saiu decisão para que pudesse rever minhas filhas e seguir com esse processo, até que fosse findado.

A sra., no BO (Boletim de Ocorrência), relata as agressões físicas e psicológicas. Como começaram essas agressões?
Meu relacionamento com o Júnior começou a ruir a partir do momento em que perdi mandato de deputada (em abril de 2016), usou perversidade muito grande, com ataques psicológicos. Estava um pouco abatida, mas fui convidada pelo presidente da República (Michel Temer) para assumir o Ibama em São Paulo e tive outro revés jurídico (em julho), outra injustiça que foi cometida. Se aproveitando deste momento de fragilidade, o Júnior começou com ataques pessoais. Em seguida veio a questão da traição, do caso extraconjugal, com a Camila Brandão Sarem (ex-secretária de Assuntos Jurídicos), que foi colocado no jornal. Tenho provas disso, mas não vou colocar nos jornais ou redes sociais porque são cenas muito fortes, inadequadas, de sexo explícito. Ele fazia gravação em momentos íntimos. Ele me mostrava, para fazer massacre psicológico, e falava o quanto ela era boa, o quanto queria ficar com ela. Pelo bem à família e às crianças, pequenas, tentei manter o relacionamento.

Quando começaram as agressões físicas?
Num episódio em que ele mostrava os vídeos, ele bateu bastante no meu rosto e fiquei bastante machucada. Infelizmente não fiz o boletim de ocorrência. Ele ainda fez outra coisa cruel, friamente calculada, minha internação em um hospital (em São Caetano). De forma proposital me internou num hospital, alegando que estava doente. Já pensando em pegar laudos médicos e induzir que eu tinha problemas psiquiátricos, o que não é verdade. Depois veio a segunda agressão. Estávamos decididos a nos separar e pedi para que ele deixasse nossa casa, na Alameda dos Sabiás (em Mauá), e fui para praia de Bertioga com as crianças, onde temos uma casa. Ele procedeu a segunda agressão e fiz o boletim de ocorrência. Fui muito insultada, ele cuspiu no meu rosto, falou da Camila. Tudo está no boletim de ocorrência. Depois disso, voltando dessa viagem, ele deu dose imensa de Rivotril. Eu dormi na metade do caminho até chegar em Mauá. Não me lembro como cheguei à cama. Quando acordei, as crianças não estavam mais lá. Ele tinha chamado os pais dele e levou as crianças embora. Para minha surpresa, ele foi a uma delegacia no dia seguinte, em São Paulo, e fez relato dizendo que as crianças estavam sob sua guarda com autorização da genitora, o que nunca fiz. Tentei dialogar, queria fazer de forma tranquila, é meu perfil. Como estava muito agressivo, pedi que meu pai (o ex-prefeito Leonel Damo) intermediasse. O Júnior disse que no dia 21 estaria na minha casa, na Alameda dos Sabiás, e devolveria as crianças. Estava temporariamente na casa dos meus pais. Tenho medida protetiva para que ele não se aproxime de mim e de meus familiares numa distância de dois quarteirões, porque tenho medo. Cheguei à Alameda dos Sabiás, onde moro, para receber as crianças. Deu o horário, que era às 11h. Passou o horário e ele não compareceu. Meu pai ligou para o Júnior e ele disse que não entregaria as crianças. Ele disse então onde estava morando, na Rua das Caneleiras, em Santo André. A partir daí houve a judicialização do pleito. Foram feitos os boletins de ocorrência, passei pelo IML (Instituto Médico-Legal) e foram constatadas todas as lesões ocorridas em Bertioga.

Então veio a outra agressão, relatada no mês passado à polícia?
Isso. No dia seguinte fui buscar as crianças. Subi em seu apartamento, brinquei com as crianças e, antes de ir embora, falei para ele que não queria brigar. Só queria que ele devolvesse as minhas filhas, porque elas foram retiradas comigo desacordada, com ele me dando dose alta de remédio. Percebi que as babás estavam com ele, trabalhando lá, sem que eu soubesse. ‘Se você tentar sair com as crianças vou partir para agressão’, ele me disse. Não precisava disso. Eu tentei chamar a polícia e começou uma agressão terrível. Fui jogada três vezes no chão, ele pegou o celular da minha mão e tacou do décimo andar. Uma moça que me acompanhava conseguiu sair para chamar a polícia. Fui pedir ajuda pelo interfone e levei uma mordida no braço. Se não tivesse de moletom, eu teria um pedaço do meu braço arrancado. Ele arrancou o fio do interfone, me jogou no chão, me arrastou, com ajuda do pai dele. Quando o pai dele chegou eu pensei em pedir socorro, achando que ele iria me ajudar. Mas ele ajudou a me arrastar. Coloquei a perna e impedi o fechamento do elevador. ‘Se você não tirar a perna vou quebrar’, ele me ameaçou. Eu disse que poderia quebrar, desde que devolvesse minhas filhas, porque não iria sair sem elas. Ele me imobilizou e disse que eu jamais iria ver minhas filhas, que as criaria com a Camila e que iria dizer que a mãe delas as abandonou. Chegou o policial, o sargento Edinei. Fui tão arrastada pelo apartamento que perdi o moletom, os sapatos, fiquei quase desnuda. Levei gravador para provar que ele me agrediu. A gravação é prova policial, além de todas as marcas que estavam no meu corpo. Os policiais decidiram entregar as crianças para mim.

Neste período ele já tinha a guarda judicial das duas filhas?
Ele conseguiu a guarda no meio deste período que eu fiquei com as crianças, os 15 dias. Quando trouxe as crianças (para casa dos pais), ele conseguiu, por meio meio de testemunhos falsos, induzir a juíza ao erro. Fiquei com as crianças por 15 dias, ele conseguiu expedição de busca e apreensão. Como mãe segurei ao máximo. Eu não queria descumprir uma determinação judicial. Achei que mostraria boa-fé da minha parte. Isso ontem (terça-feira, quando ela devolveu as crianças a Orosco). Foi o pior dia da minha vida. Entreguei as crianças ontem (terça), às 12h30. Ele queria criar um cenário para mostrar que eu não queria colaborar. Colocou até drone para sobrevoar minha casa. Devolvi as crianças para os pais dele. Mas houve revisão da decisão pelo TJ-SP hoje (ontem). Hoje (ontem) fui buscar as crianças e não se consegue contato com ele em lugar nenhum. Meu receio é que ele saia do País com as crianças. Ele está com todos meus documentos, das meninas, ele furtou. Está com passaporte delas, RG, certidão de casamento, certidão de nascimento das duas meninas. Fomos até tirar a segunda via das certidões de nascimento das meninas.

A sra. acionou a Polícia Federal sobre o caso?
Pedimos que as meninas fiquem impedidas de cruzar a fronteira. Mas deve sair (o despacho) até o fim da semana.

A sra. conseguiu contato com os pais dele?
Também não. O oficial de Justiça foi comigo até a Rua das Caneleiras. Mas agora terão de ser expedidos outros mandatos, para outros endereços. Os pais dele, por exemplo, moram em São Paulo.

Como anda o inquérito na Delegacia da Mulher?
Está correndo. Fiz o corpo de delito. Prestei dois depoimentos, um em Mauá e outro em Santo André. O próximo passo é a delegada encaminhar o caso para o Ministério Público. O MP pede para marcar audiência de conciliação. Ali se decide se continua ou não a investigação. A Lei Maria da Penha permite que a vítima, na audiência de conciliação, possa voltar atrás. Mas não é meu caso. Eu vou manter a representação. Que isso possa servir de exemplo para outras mulheres.

O prefeito Atila Jacomussi (PSB) falou com a sra.?
Ele falou comigo, prestou solidariedade, sua mulher, a Andreia, também. Foram muito solidários. Queria muito agradecê-los, aos funcionários da Prefeitura e vereadores, à classe política como um todo. Para mim foi extremamente relevante. Muitas pessoas se mostraram próximas, solidárias. Sempre fui uma mãe zelosa. Peço ao Júnior que entregue minhas filhas de maneira pacífica. A verdade vai prevalecer. Tenho muita fé em Deus. Meu pedido é que o Júnior não desapareça com as crianças. Ele, como pai, tem direito de vê-las, claro, é saudável para as crianças, para ele. Mas ele não pode tirar o bem mais precioso do mundo, que são minhas filhas.

Como a sra. viu a condução do governo no episódio?
Quero deixar claro que o Júnior Orosco não pertence mais ao grupo de Vanessa Damo. Ele disse ao jornal e isso não é verdade. Ele não pertence mais à minha vivência, porque não se comunica mais comigo por carta, telefone, rede social ou pessoalmente, devido à medida social restritiva. O prefeito Atila tomou a decisão correta. Existe período de maturação para que não haja equívoco ou injustiças. Foi corretamente a decisão. O Júnior disse que não me agrediu, mas tenho provas do contrário, inclusive laudos do IML. Ele disse que não tinha envolvimento com a Camila. Mas ele a colocou na Prefeitura, como secretária de Assuntos Jurídicos por debaixo dos panos, via indicação do governo do Estado, o que é uma ofensa grande a mim, como mulher, porque sempre o respeitei, fui fiel. Eles tiveram caso extraconjugal e posso provar isso. Tenho os vídeos que eles gravavam em momentos íntimos, vídeos pornográficos, que eu consegui recuperar. Os vídeos estão anexados ao processo.

Por Raphael Rocha - Diário do Grande ABC
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