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DATA DA PUBLICAÇÃO 30/08/2009 | Cidade
''Saúde de Mauá sai da UTI'', afirma Paulo Eugênio
A saúde da cidade de Mauá entra no segundo semestre com projetos e verba para construção de quatro novas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e uma AME (Ambulatório Médico de Especialidades). Para Paulo Eugênio Pereira Júnior, vice-prefeito e secretário de Saúde, ainda há muito o que fazer, pois seu maior desafio ainda não foi vencido: a crise do Hospital Dr. Radamés Nardini. Mas afirma que a Saúde de Mauá “já saiu da UTI”, pois projetos abandonados pela antiga Administração foram retomados e parcerias com os governos federal e estadual estão em andamento.

ABCD Maior - No início do ano, a Saúde era a principal reclamação dos munícipes. O que foi e o que será feito para mudar esta situação?

Paulo Eugênio - Ainda há muito trabalho para melhorar a Saúde de Mauá, mas posso dizer que saímos da UTI. Conseguimos verba do governo federal para a instalação de quatro UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e do governo estadual para o AME (Ambulatório Médico de Especialidades). Com isso, o atendimento nas outras unidades de saúde será desafogado.

ABCD Maior - Como a cidade conseguiu trazer as UPAs para o município e como essas unidades ajudarão a melhorar a saúde em Mauá?

Paulo Eugênio - Apresentamos ao governo federal um projeto para instalação de quatro UPAs na cidade. Dividimos o município em quatro regiões, já que cada UPA atende até 100 mil pessoas, e fomos contemplados com as quatro unidades. Estamos recebendo R$ 8 milhões para construção e R$ 700 mil para custeio. É uma nova modalidade de acesso à saúde, que irá intermediar a atenção hospitalar. Até hoje tínhamos apenas UBS (Unidade Básica Saúde), PSF (Programa Saúde da Família) e o Hospital Nardini. A intenção é que o paciente receba o atendimento completo já nas UPAs. Cada unidade terá 1.000 m² e a expectativa é que atenda 300 pessoas por dia, sempre funcionando 24 horas, e com quatro médicos de plantão, geralmente pediatras e clínicos.

ABCD Maior - Como estavam os equipamentos quando a atual Administração assumiu?

Paulo Eugênio - O PSF estava com equipes incompletas, com vários vícios, descaracterizado. Retomamos o serviço e estamos selecionando 477 profissionais. Também vamos soltar um edital para selecionar 320 agentes comunitários de saúde. Quando esta Administração assumiu, em janeiro, a cidade estava sem estoque de medicamentos, sem fornecedor, uma bagunça. Estamos reorganizando.

ABCD Maior - Como estão as negociações para levantar mais verba para o Nardini?

Paulo Eugênio - Todos os municípios pleiteiam sempre mais verba, e nós tivemos de convencer de que o Nardini precisava mais. A exposição da crise do hospital na imprensa acabou nos ajudando a fazer com que fosse colocado como prioridade no repasse de verbas. Hoje, Mauá banca quase que integralmente a manutenção da unidade. A verba repassada anualmente pelo SUS (Sistema Único de Saúde) é suficiente para assegurar as despesas por dois meses e meio. O município custeia o restante. Também estamos pleiteando com Estado e União mais R$ 14 milhões para reforma do prédio, que é muito antigo e está deteriorado.

ABCD Maior - E a gestão do Nardini? Ainda há negociações?

Paulo Eugênio - Atualmente, a gestão do Nardini é feita pela Prefeitura, mas chegamos à conclusão de que esta não é a forma ideal. A Câmara já aprovou o repasse da gestão para uma organização social de saúde. Vamos convidar entidades a se qualificar como OS (Organização Social) no município, e depois teremos uma seleção pública. Mauá fornecerá os parâmetros e aquela que atender os requisitos levará a gestão.

ABCD Maior - Os secretários de Saúde de outros municípios do ABCD têm se empenhado em trazer ajuda para Mauá, já que há um deslocamento de pacientes de outras cidades, como Ribeirão Pires e Rio Grande, para atendimento da cidade?

Paulo Eugênio - Sim, nós nos reunimos uma vez por mês e em todos os casos que Mauá precisou de ajuda foi atendida. Quando o governador José Serra (PSDB) disse que não traria o AME para Mauá, mas para Santo André, todos os secretários nos apoiaram, tanto que o Serra voltou atrás. O Nardini é sempre pauta dentro do Consórcio Intermunicipal, pois não tem como as cidades negaram o impacto da crise do Nardini na Região.

ABCD Maior - Qual foi o impasse entre Mauá e governo do Estado para a instalação do AME na cidade?

Paulo Eugênio - O governo do Estado alegou que o prédio que Santo André ofereceu era melhor, mais adequado para o tipo de unidade. O prédio de Mauá havia sido indicado pela antiga Administração e era uma construção bem precária. Sabendo disso, fizemos uma outra proposta ao Estado e oferecemos o prédio da UBS Central, que foi aceito. O espaço será reformado e até o fim deste ano ou começo de 2010 a unidade estará em funcionamento.

ABCD Maior - O número de pessoas no Pronto-Socorro do Nardini diminuiu no primeiro semestre deste. O que ocorreu?

Paulo Eugênio - Acredito que a população estava completamente descrente. Muitos pacientes que chegavam no Nardini não eram atendidos. Então as pessoas pararam de procurar a unidade. Agora, com a contratação de mais profissionais, o atendimento está um pouco melhor e a tendência é que o atendimento cresça com o tempo. Estamos reconstruindo o sistema de saúde de Mauá. Por exemplo, nascem cerca de 4 mil crianças na cidade por ano, sendo que 3,5 mil só na rede pública. No entanto, no início deste ano, apenas 500 fizeram pré-natal. A taxa de mortalidade infantil na cidade aumentou de 2007 para 2008. Isso tudo é reflexo de que o sistema de saúde de Mauá estava afundando cada dia mais. Estamos recuperando a Pasta, mas ainda tem muito chão pela frente.

ABCD Maior - Em 2008, Mauá perdeu muitos médicos da rede municipal. Foi fácil recontratá-los?

Paulo Eugênio - Estamos pagando R$ 800 um plantão de 12 horas. No ABCD, a média que as Prefeituras pagam é R$ 550. Em 2008, a antiga Administração pagava perto de R$ 400. O maior valor ajudou a manter os profissionais aqui. Mesmo assim, ainda temos problemas para contratar. Mauá é vista como a periferia de São Paulo. Imagine como é a visão da periferia da cidade? Ainda é muito difícil convencer um médico que ele tem de trabalhar no Jardim Zaíra, por exemplo.

ABCD Maior - Qual é a especialidade médica que Mauá tem maior deficiência?

Paulo Eugênio - Algumas especialidades nem temos em Mauá, como oncologia. Toda especialidade médica de alta complexidade Mauá não atende. O município só atende média complexidade e faz o atendimento básico. Mesmo assim, na média complexidade, o que temos não é suficiente. Por isso lutamos para trazer o AME.

ABCD Maior - Nas análises que a Prefeitura fez nas contas e antigos contratos da gestão de Leonel Damo, foi encontrada alguma irregularidade?

Paulo Eugênio - Ainda estamos esperando os resultados da auditoria da Fundação Getúlio Vargas, responsável por analisar os contratos. A Secretaria de Finanças nos passou que houve um desvio de R$ 14 milhões da verba carimbada da Saúde para o caixa geral da Prefeitura, que acabou pagando outras contas, o que não é permitido por lei. Desse dinheiro, parte teve de voltar para o caixa da Saúde e em outros casos tivemos de refazer o projeto deixado de lado. Por exemplo, veio dinheiro para construção de duas farmácias populares na cidade, mas a antiga Administração construiu só uma e desviou a verba para o caixa geral. Nós teríamos de devolver a verba da segunda farmácia ou construí-la. A atual Administração optou por construir. A unidade, que ficará na região central, estará pronta até o fim deste ano.

Por Carol Scorce - ABCD Maior
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