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DATA DA PUBLICAÇÃO 03/04/2013 | Setecidades
Rudge Ramos pode perder sua última área verde para condomínio
Rudge Ramos pode perder sua última área verde para condomínio Além do valor ambiental, Chácara Columbia tem importância histórica porque abriga sítio arqueológico, com fragmentos de cerâmica possivelmente indígena. Foto: Andris Bovo
Além do valor ambiental, Chácara Columbia tem importância histórica porque abriga sítio arqueológico, com fragmentos de cerâmica possivelmente indígena. Foto: Andris Bovo
Prefeitura de São Bernardo garante ser possível conciliar projeto imobiliário com o sítio arqueológico que ocupa parte da área

Uma das poucas áreas verdes do Rudge Ramos, em São Bernardo, pode se transformar em um condomínio residencial. Além do valor ambiental, a Chácara Columbia, imóvel da década de 1920, tem importância histórica, pois cerca de um quarto da área, que abrange meio quarteirão da avenida Senador Vergueiro, abriga um sítio arqueológico. Tombada provisoriamente, os proprietários necessitam da autorização do Compahc (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural) e do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) para o projeto imobiliário sair do papel.

“Diante do projeto apresentado, apontamos as diretrizes para que as intervenções sejam realizadas sem sufocar o bem tombado”, explicou o secretário de Cultura e presidente do Compahc, Osvaldo de Oliveira Neto. Para a Prefeitura, é possível conciliar o bem tombado com projeto imobiliário. Como exemplo disso, Neto falou sobre o Cine São Bernardo, o mais antigo cinema da cidade, localizado na rua Marechal Deodoro, onde hoje é uma loja de calçados. “O bem tombado não congela. Se o projeto preserva o que entendemos como importante, pode ser feito”, argumentou.

Diante da avaliação do Compahc do que se pode ou não fazer, os proprietários ficaram de reapresentar o projeto com as modificações. “O processo é a construção de uma proposta, envolve várias conversas, até que entremos em acordo”, destacou Neto. Para a vice-presidente do Compahc, Clea Campi Mônaco, o ideal seria a Prefeitura desapropriar a área e transformá-la em parque. “São Bernardo precisa de áreas verdes, ainda mais naquela região, que não tem outra. Mas a Prefeitura disse que não tem dinheiro para comprar a chácara”, lamentou.

Sítio arqueológico - O diagnóstico arqueológico da Chácara Columbia, realizado em 2009 a pedido do Compahc, apontou ocupações antigas da área. No local foram encontrados dois fragmentos de cerâmica possivelmente indígena, fragmentos de louças ou porcelanas, sendo uma delas possivelmente da época do Império com inscrições de Dom Pedro, além de um pacote de conchas marítimas, carvão e ossos de aves.

“Para se determinar de quais épocas e culturas esses objetos são ou se há mais, é preciso realizar uma escavação no local. Nosso trabalho era apenas achar os vestígios”, explicou Charles Bonetti, doutor em arqueologia e professor da Universidade Anhembi Morumbi, responsável pelos trabalhos. Na época dos estudos foram realizadas 28 sondagens em toda a área da chácara.

Para Bonetti, a descoberta é relevante, uma vez que o ABCD tem poucos sítios arqueológicos conhecidos, ainda mais em áreas urbanas. “Até hoje, São Bernardo não sabe seu local de fundação e isso pode ajudar nos estudos”, observou o arqueólogo.

Os achados foram registrados no Iphan, que desde então é o responsável por realizar as escavações no local. Procurado para falar sobre o assunto, o instituto não retornou até o fechamento desta edição.

Prefeitura estuda tombar 37 imóveis em definitivo

O tombamento definitivo ou não de 37 bens tombados provisoriamente em São Bernardo será decidido nos próximos meses. Esta é a expectativa da Prefeitura, que contratou a empresa Pindorama Arquitetura para realizar um inventário dos bens. Será com base no levantamento que o Compahc (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural) decidirá sobre os tombamentos. O documento será entregue até o final de maio.

“A ordem de serviço foi dada em agosto do ano passado e desde então a empresa realiza estudos nas áreas com historiadores, geógrafos e arquitetos”, informou o secretário de Cultura e presidente do Compahc, Osvaldo de Oliveira Neto. O objetivo da equipe multidisciplinar é coletar evidências e dados que justifiquem ou não o tombamento definitivo. “O contrato também prevê a contratação de outros especialistas, caso necessário, como um arqueólogo para a Chácara Columbia”, explicou.

Além da Chácara Columbia, na lista dos bens tombados provisoriamente consta o Maciço do Bonilha, ponto mais alto do ABCD (975 metros acima do nível do mar), no Bairro Montanhão; a Capela Santa Cruz; a casa da ex-prefeita Tereza Delta; a residência da família Zanella, imigrantes italianos, na rua Marechal Deodoro, entre outros. Atualmente, São Bernardo possui 21 bens tombados definitivamente.

Por Claudia Mayara - ABCD Maior
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