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DATA DA PUBLICAÇÃO 21/09/2011 | Internacional
Reunião da ONU em Nova York inflaciona preços e irrita moradores da cidade
Um dos quadriláteros urbanos mais famosos, caros e populosos do mundo foi cercado e militarmente ocupado nesta segunda- feira (19). Em Nova York, nos Estados Unidos, a segurança foi reforçada para a 66ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), onde, a partir da quarta-feira (21), irão discursar os chefes de Estado e representantes de todos os países do mundo.

Os espaços entre as ruas 34 e 47 (do sul ao norte de Manhattan) e entre as Sétima e Primeira avenidas foram fechados para o tráfego de veículos. Só tinham permissão para circular no local as pessoas credenciadas, que eram obrigadas a mostrar um emaranhado de crachás com fotos e dados em cada uma das dezenas de barreiras policiais. Até a próxima sexta-feira (23), essas ruas de Nova York vão pertencer à agenda da assembleia da ONU.

Os nova-iorquinos, que odeiam o evento anual, ficam arrepiados com o mês de setembro. Eles sabem que é tempo da invasão de chefes de Estado, que vêm acompanhados da escolta de agentes de segurança, além de penduricalhos políticos atraídos por comida de graça e a chance de se fazer importante.

O supremo incômodo, no entanto, é o preço pago pelo privilégio de acomodar uma das organizações mais importantes do mundo. Além dessa honra, há o fato de a ONU ser o segundo maior empregador da cidade, dando trabalho direto para 5.000 pessoas e mais de 150 mil indiretamente.

Um exemplo é um setor específico de transportes. Para os 10 mil participantes envolvidos na abertura da assembleia, o meio de locomoção de maior status é a limusine esticada - daquelas que ocupam 25% de um quarteirão. Normalmente, o preço de uma monstruosidade como essa é de R$ 267 (US$ 150) por duas horas. Nesta semana, porém, a tabela mais que dobrou, indo para R$ 569 (US$ 320) pelo mesmo tempo. Além disso, é exigido o aluguel fixo de, no mínimo, seis horas. E é bom que seja assim mesmo, pois ninguém consegue atravessar o centro da cidade - fora da área fechada - em menos de uma hora e meia.

Mesmo com os preços inflacionados, não era possível alugar uma "limo" antes do dia 27 de setembro. As reservas para esta temporada haviam sido fechadas há nove meses. Todo veículo grande - sem contar os ônibus públicos - haviam sido tomados por chefes de Estado e suas comitivas.

Complicando ainda mais a situação, o “exército invasor” chega sempre com carteiras gordas. Os preços vão à estratosfera. Uma calça jeans comum, que normalmente sairia por R$ 42 (US$ 24), nesta segunda-feira (19) estava marcada por R$ 50 (US$ 28) na mesma loja. Quem mora na cidade espera o fim da folia para ir às compras.

Nem poderia ser diferente. As filas nas lojas são ainda maiores do que os preços. Na joalheria mais famosa de Nova York, por exemplo, armou-se um sistema de senhas para a entrada no andar de anéis, colares e pulseiras de pedras preciosas. E, numa butique de bolsas super luxuosas, havia fila de um quarteirão na Quinta Avenida para entrar por suas portas veneradas. Nenhum comprador sai dali sem despejar ao menos R$ 890 (US$ 500). Trata-se do valor de uma mísera carteira com as letras do logotipo famoso.

Nesta época, é impossível também conseguir reservas em restaurantes famosos, musicais da Broadway, bares e boates da moda. Os nativos da cidade já se habituaram a programar maratonas caseiras de atenção aos próprios aparelhos de televisão. Quem tem juízo não sai de casa por esses dias. No máximo tenta-se uma corridinha ao supermercado ou farmácia. Outros estabelecimentos estão tomados por forasteiros.

Os habitantes da cidade ficam tão irritados que, em cada esquina por onde não conseguem passar, eles ficam a ponto de sofrer um ataque cardíaco. Uma situação que contradiz com a proposta da reunião realizada nesta segunda-feira (19) na ONU, quando autoridades fizeram a chamada Reunião de Alto Nível sobre Doenças Crônicas Não-Transmissíveis. Entre as moléstias discutidas estão os males cardíacos.

Para alguns nova-iorquinos, o combate às doenças cardíacas deveria começar ali mesmo, na cidade anfitriã do evento da ONU. Para eles, um método de prevenção seria mudar a abertura da assembleia para um local distante. Essa proposta, porém, não entrará em discussão. No ano que vem, em setembro, os nova-iorquinos sabem que terão uma nova dose de irritação.

Por Osmar Freitas Jr., do R7, em Nova York
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