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DATA DA PUBLICAÇÃO 05/08/2015 | Política
Rejeição a Dilma dispara e 84% do Grande ABC reprovam governo
Rejeição a Dilma dispara e 84% do Grande ABC reprovam governo Foto: Marina Brandão/DGABC
Foto: Marina Brandão/DGABC
Na região que deu origem ao PT, a presidente da República, Dilma Rousseff (PT), alcançou 84,5% de rejeição, segundo a sexta rodada de análise de governo mensurada pelo DGABC Pesquisas, encomendada pelo Diário. O índice indica que quatro a cada cinco moradores do Grande ABC reprovam a administração petista no governo federal, sendo que 72,9% acham o mandato péssimo.

Em seis meses, despencou a taxa de aprovação à petista. Em janeiro, 17,5% dos munícipes da região classificavam o governo do PT como bom (14,3%) ou ótimo (3,2%). Agora, somente 6% elogiam a chefe da Nação (1,1% de ótimo e 4,9% de bom). Na contramão, dispararam os números de crítica. Os 84,5% de questionamento são 18,7 pontos percentuais superiores à análise de janeiro, quando 65,8% dos moradores condenaram o trabalho da petista (18,5% de ruim e 47,3% de péssimo).

Os números são inferiores aos medidos pela pesquisa CNI/Ibope, de julho, em todo território brasileiro, quando Dilma atingiu 9% de aceitação e 83% de rejeição. Também superam os dados do último levantamento do Datafolha, de junho, em que ela possuía 10% de aprovação e 65% de rejeição.

O aumento considerável da reprovação caminha ao lado da desidratação da indústria do Grande ABC, com demissão em massa nas fábricas da região – grande parte nas montadoras instaladas nas sete cidades – e o consequente efeito cascata: sem dinheiro dos empregados, o comércio desaquece e também recorre aos cortes de funcionários para se manterem abertos. A média nos primeiros meses na região é de cerca de 80 desligamentos de trabalhadores por dia.

O desaquecimento econômico também afetou diretamente os investimentos públicos. Durante meses, grandes obras nas sete cidades ficaram paralisadas ou caminharam a passos lentos por falta de recurso, fruto de contingenciamento de verba federal e congelamento de projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Exemplos são o Museu do Trabalho e do Trabalhador e o piscinão do Paço, ambos em São Bernardo – somente o segundo foi retomado. Prefeitos da região reclamam publicamente da morosidade para transferência do aporte prometido anteriormente para execução de intervenções.

A terceira explicação para o desabamento dos índices de governo de Dilma é o avanço das investigações da Operação Lava Jato, conduzida pela PF (Polícia Federal). A apuração atingiu em cheio petistas do alto escalão – levou o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto à prisão (em abril) – e apontou para amplo esquema de desvio de dinheiro público da Petrobras para abastecer caixa de campanha do PT e de líderes do petismo e de siglas aliadas.

SÉRIE HISTÓRICA
O primeiro levantamento feito pelo DGABC Pesquisas mostrava o governo Dilma com aceitação muito superior na região: à ocasião, 28,1% dos moradores das sete cidades achavam a gestão boa, contra 21,5% de péssimo.

Até outubro de 2014, quando conquistou a reeleição em disputa acirrada com o senador Aécio Neves (PSDB) no segundo turno, Dilma registrava números medianos na terra que projetou seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nas greves sindicais das décadas de 1970 e 1980. Naquele mês, 5,8% dos entrevistados classificaram o governo como ótimo, 23% como bom, 28,8% de regular, 23% como ruim e 28,8% de péssimo.

Porém, os dados negativos dispararam em janeiro, na primeira avaliação de Dilma após a renovação de mandato – a reprovação, por exemplo, subiu de 40,4% para 65,8%, alta de 25,4 pontos percentuais em três meses.

Foram ouvidas 2.800 pessoas nas sete cidades entre segunda e quinta-feira da semana passada.

Petista tem menos de 10% de aval em todas as cidades

Todas as sete cidades conferiram índice abaixo da casa dos 10% de aprovação ao trabalho da presidente da República, Dilma Rousseff (PT), conforme novo levantamento do DGABC Pesquisas, a pedido do Diário. O melhor desempenho da petista foi registrado em São Bernardo – 8% de aceitação –, enquanto o pior dado foi obtido em São Caetano – somente 2,4% de aval à gestão. Do outro lado da análise, apenas em Ribeirão Pires Dilma contabilizou rejeição inferior à margem de 80%.

Embora seja o município que nesta rodada da sondagem tenha disponibilizado melhores números à presidente, a taxa analisada em São Bernardo é preocupante. A cidade é administrada pelo petista Luiz Marinho há seis anos e meio, sindicalista que tem livre trânsito em Brasília até para centralizar aporte federal. Foram 8% de são-bernardenses a aprovarem o governo federal (2% de ótimo e 6% de bom) contra 83,3% de rejeição (9,5% de ruim e 73,8% de péssimo).

Nos últimos meses, São Bernardo foi o local que mais sentiu o congelamento de transferências de receita determinado por Dilma para conter a crise econômica do País. O piscinão do Paço, obra antienchente com orçamento próximo de R$ 300 milhões, ficou paralisado por seis meses até a efetivação do dinheiro na conta da Prefeitura.

Outra cidade governada por um petista e com bom número de investimento federal, Santo André, de Carlos Grana, não escondeu descontentamento com o mandato da presidente. Apenas 3,6% dos entrevistados elogiaram a administração federal, sendo somente 0,3% de ótimo e 3,3% de bom. A taxa de rejeição chega a 88,6%, com 77,8% de péssimo e 10,8% de ruim. As principais obras do governo federal em solo andreense são construções de unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida, programa que na semana passada entrou na lista de cortes de recursos promovidos pela equipe fiscal do Palácio do Planalto.

O pior índice de Dilma foi aferido em São Caetano, cidade que tem natural rejeição ao petismo e que nunca foi comandada por alguém ligado ao PT. A aprovação no território são-caetanense atinge patamar de 2,4%, sendo 0,3% de ótimo e 2,1% de bom. A reprovação é de 90,5%, com 11% de ruim e 79,5% de péssimo – outros 7,1% acham a gestão apenas regular.

Outro município identificado com o PT, Diadema também apresenta taxa grande de resistência ao segundo mandato de Dilma no comando do País. A gestão da petista é avalizada por 5,8% da população (0,8% de ótimo e 5% de bom) contra 82,3% de reprovação (13,3% de ruim e 69% de péssimo). A cidade, hoje administrada por Lauro Michels (PV) – alinhado politicamente ao PSDB –, passou 30 anos sob gestões de petistas ou de figuras políticas que cresceram no PT (a mudança ocorreu em 2012). Lauro reclama que, desde que chegou ao poder, investimentos federais secaram para Diadema.

Em Mauá, a terceira cidade do Grande ABC sob tutela de um petista – Donisete Braga –, Dilma é elogiada por 7,5%, sendo 1,5% de ótimo e 6% de bom. No total, 80,8% de mauaenses criticam a presidente, com 65,8% de péssimo e 15% de ruim. O aporte federal em Mauá é tímido, com muitas promessas e poucas efetivações – a mais clara delas era a construção de unidade da UFABC (Universidade Federal do ABC) no município, que agora não tem prazo para abertura.

Rio Grande da Serra entrou no mapa de investimentos do governo federal, com obras de Mobilidade Urbana e UPA (Unidade de Pronto Atendimento 24 horas). Mesmo assim, os números da petista na cidade cujo prefeito é Gabriel Maranhão (PSDB) são ruins para a petista. Só 6,3% de aprovação (1% de ótimo) e 86,1% de reprovação (69,8% de péssimo).

Em Ribeirão Pires, de Saulo Benevides (PMDB), o aval à gestão do PT em Brasília foi dado por 7,3% dos entrevistados. Outros 79,6% condenaram.

Por Raphael Rocha - Diário do Grande ABC
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