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DATA DA PUBLICAÇÃO 24/01/2016 | Setecidades
Região atinge marca de 1,7 milhão de veículos
Região atinge marca de 1,7 milhão de veículos Foto: Ricardo Trida
Foto: Ricardo Trida
Nos últimos dez anos, o Grande ABC viu sua frota de veículos aumentar 70,13%. Enquanto em 2005, os sete municípios totalizavam 1.051.045 de carros emplacados, no ano passado o número atingiu a marca de 1.788.115. Na última década, as principais vias da região ganharam, por dia, 201 novos automotores.


Apesar das recentes medidas adotadas para incentivar o uso do transporte público, como as faixas exclusivas para ônibus, para motoristas e especialistas a impressão que fica é que o sistema viário parou no tempo, enquanto a quantidade de carros superou o crescimento da população local, que na última década aumentou 6,19%, saltando de 2,5 milhões para 2,7 milhões de habitantes.

“Infelizmente temos modelo de sistema viário saturado. Os investimentos no setor não acompanharam o crescimento da população”, avalia o professor de Engenharia Civil da FEI (Fundação Educacional Inaciana) especializado em Mobilidade Urbana Creso Peixoto.

Um exemplo que evidencia a análise do especialista pode ser visto nos investimentos que as prefeituras do Grande ABC direcionam para a área de Mobilidade Urbana. Na atual gestão, nenhum prefeito da região entregou grande obra do setor.

Para agravar a situação, municípios da região ainda sofrem com a falta de planejamento e organização na execução de seus projetos. Neste caso, podemos citar a demora de 36 anos para entrega do Viaduto Moyses Cheid, no km 22,5 da Via Anchieta, em São Bernardo.

“Você se atrasa, perde compromisso, acorda mais cedo para ir trabalhar e nada muda. Nenhum prefeito está preocupado”, relata a auxiliar de recursos humanos Rita de Cássia Gonçalves, 47 anos.

De acordo com o professor Luiz Vicente de Mello Filho, coordenador do curso de Engenharia da Mackenzie Campinas, a situação do trânsito que motoristas enfrentam na região se agrava também em decorrência da falta de comunicação entre o sistema de transporte público. “É necessário entender que muitas pessoas que moram no Grande ABC trabalham na Capital e vice-versa, mas o que se nota é que o sistema público de transporte para nas fronteiras. Por isso as pessoas optam pelo carro.”

Transporte público que, para o professor Peixoto, deve ser priorizado por gestores do Grande ABC. “Estudos apontam que em uma faixa de 3,70 metros de largura passam 2.000 pessoas por hora em veículos individuais, enquanto esse número salta para 20 mil a 22 mil pessoas quando falamos de um coletivo. A conclusão é uma só: a saída para melhor o sistema é o transporte público.”

Entretanto, para motoristas ainda existem barreiras para essa migração. “De manhã, quando vou trabalhar, demoro 25 minutos da minha casa até o serviço. De noite, quando volto, esse tempo é de 50 minutos. Já pensei em deixar o carro, mas infelizmente minha empresa não tem essa opção”, relata o engenheiro Reinaldo Oliveira, 43.

Para o marceneiro Valdemir Matos, 38, a solução é uma só. “Tem que começar do zero. Não tem outra alternativa. É estresse todo dia, em todos os lugares”, afirma.

Estresse causado pelo trânsito agrava caos e ainda pode ocasionar doenças

Na análise da doutora em psicologia de trânsito e diretora do Departamento de Psicologia da Abramet (Associação Brasileiro de Medicina de Tráfego), Raquel Almqvist, com o aumento da frota de veículos, trânsito e estresse se tornaram temas correlacionados. Para ela, trata-se de uma relação cíclica, sem causa e efeito delimitados. Um ajuda a alimentar o outro.

“As pessoas aproveitam o trânsito para descarregar todo seu estresse, pois no carro se sentem protegidas. Com isso, muitas vezes o caos do sistema se agrava em decorrência dessa fúria do motorista.” Para a especialista, a situação torna-se mais crítica porque no congestionamento, o condutor se vê sem saída. “Da fila do pão você consegue ir embora. Já na avenida, não tem como sair.”

Para o técnico em eletrônica Rogério Anísio, 37 anos, o estresse se agrava a cada dia. “Já pensei em largar o carro em casa por conta de toda a raiva que passo no trânsito, mas, infelizmente, preciso dele para o serviço.”

O taxista Osvaldo Nunes Ferreira, 69, passa pela mesma situação. “Você perde o controle de tudo. Por isso acontecem vários acidentes, pois ninguém tem paciência no trânsito. É um caos sem fim.”

Para a especialista, além de o trânsito poder causar insônia, agressividade e mal estar, o motorista pode enfrentar outros problemas de saúde. “Muitas vezes o estresse causa dor de cabeça e até úlcera”, alerta.

Ruas e avenidas estão cada vez mais congestionadas

Seja no período da manhã ou no fim do dia, os congestionamentos se tornaram rotina nas principais vias da região. Responsável por receber frota circulante diária de 2.028.700 veículos, o Grande ABC enfrenta hoje as consequência de ter sistema viário incompatível com a atual demanda.

Os exemplos se espalham por todos os municípios. Em Santo André, a Avenida Santos Dumont é responsável pelo principal fluxo de carros na cidade. Diariamente, 79.673 veículos passam pela via, seguida pelas avenidas Prestes Maia, altura do Viaduto Luis Meira (79.672), e dos Estados, no trecho do Sesi (79.327).

São Bernardo, por sua vez, que por dia tem média de 21 pontos de congestionamento nos horários de picos, vê seus principais gargalos na Rua Marechal Deodoro, Avenida Brigadeiro Faria Lima, Avenida Lucas Nogueira Garcez e Avenida Piraporinha.

Já São Caetano, que é utilizada por alguns motoristas como rota rumo à Capital, tem concentração maior de carros nas avenidas dos Estados, Goiás e Guido Aliberti.

Mauá registra fluxo intenso de veículos nas avenidas João Ramalho, Capitão João, Alberto Soares Sampaio, Barão de Mauá e Presidente Castelo Branco.

Em Diadema, os registros diários apontam, em horários de pico, 18 quilômetros de trânsito travado, sendo que os congestionamentos são mais frequentes no Corredor ABD e Avenida Fábio Eduardo Ramos Esquivel.

Por Daniel Macário - Diário do Grande ABC
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