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DATA DA PUBLICAÇÃO 03/04/2017 | Setecidades
Quem vai desatar este nó?
Quem vai desatar este nó? Foto: André Henriques/DGABC
Foto: André Henriques/DGABC
Congestionamentos diários, faixas e avenidas estreitas, sistema viário desordenado, tráfego agressivo disputado palmo a palmo por uma frota de 1,8 milhão de veículos. Locomover-se com qualidade pelo Grande ABC não tem sido tarefa fácil para quem precisa cruzar a fronteira dos sete municípios. O considerável crescimento anual da frota de veículos, aliado à falta de manutenção no sistema viário, tem ocasionado a criação de grande nó pelas ruas da região. Para agravar a situação, sem recursos em caixa para efetuar obras de grande porte, municípios têm encontrado dificuldades para efetivar medidas que amenizem a atual situação.

Segundo dados do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) de São Paulo, somente nos últimos 11 anos o Grande ABC viu sua frota praticamente dobrar, com alta de 72,72%. Enquanto em 2005 os sete municípios totalizavam 1,05 milhão de veículos, no ano passado esse número saltou para a casa do 1,8 milhão.

Para motoristas e especialistas, a impressão que fica é unânime: o sistema viário da região parou no tempo. Exemplo dessa realidade é o próprio histórico de obras de grande porte entregues na região. Há pelo menos cinco anos motoristas não recebem sequer uma estrutura nova para amenizar o congestionamento diário da região. A última foi a abertura total do complexo viário da Avenida João XXIII e Avenida Jacu Pêssego, em Mauá, na divisa com Santo André, em 2012.

Responsável por receber demanda de 2,5 milhões de veículos, segundo dados de quatro municípios (Santo André, São Bernardo, São Caetano e Mauá), a região acumula diariamente média de 22,8 quilômetros de congestionamento, número que pode ser maior se levada em consideração a falta de centrais específicas para realizar este tipo de medição.

Avenidas dos Estados, Pereira Barreto, Prestes Maia e Santos Dumont, em Santo André; Brigadeiro Faria Lima, Lucas Nogueira Gârcez, Piraporinha e Lions, em São Bernardo; Goiás, Guido Aliberti e Presidente Kennedy, em São Caetano; João Ramalho, Presidente Castelo Branco e Capitão João, em Mauá, são apontadas pelos municípios como os principais gargalos na região. Estas vias são apenas alguns dos obstáculos impostos pelo sistema viário do Grande ABC no cotidiano dos motoristas.

Sem alternativas viáveis para fugir dos congestionamentos, moradores chegam a perder boa parte do dia no trânsito. O analista de RH Welligton Cardoso, 30 anos, enfrenta há quatro anos o saturado tráfego da Avenida dos Estados sentido São Paulo. No trajeto de Mauá até o bairro Santa Cecília, na Capital, são duas horas e 30 minutos dentro do carro, tempo este que, com chuva, pode chegar até a quatro horas. “Somente aqui na Avenida dos Estados levo uma hora e meia. Caso saia depois da 18h30 é impossível andar.”

A situação se repete na região. Quem precisa cruzar a região enfrente a mesma dificuldade, como é o caso da design Amanda Pereira, 36. No caminho de Santo André até Diadema ela leva cerca de duas horas dentro do veículo. “Pego trânsito na Perimetral, na Lions, no Corredor ABD. É uma luta diária, mas com a faculdade é complicado abrir mão do carro para depender de ônibus”, lamenta.

Para especialistas, a saturação do sistema é consequência da falta de planejamento na área. “Não se tem mais espaço para criar nada, e pouco se avançou nos últimos anos. O congestionamento diário que notamos é resultado de uma falta de planejamento estratégico, que pode ser revertido, mas levará tempo”, relata o professor da área de Mobilidade Urbana da UFABC (Universidade Federal do ABC) Humberto de Paiva Júnior.

A falta de integração no transporte coletivo da região é outro exemplo citado por especialistas para o agravamento da situação. Após diversas tentativas frustradas, usuários seguem esbarrando na divisa dos municípios. “Você precisa oferecer um modelo integrado, no qual uma linha faça integração com ônibus de outro município para que o motorista deixe o carro em casa. Da mesma forma que precisamos ter um Metrô na região. Sem isso, dificilmente vamos melhorar essa atual situação”, avalia o professor de Engenharia Civil do Centro Universitário FEI Creso Peixoto.

Na tentativa de reverter esse cenário, gestões empenham esforços para tirar do papel projetos ambiciosos de construção de corredores e viadutos, obras travadas no momento. Até lá, motoristas seguem no ritmo do caos diário proporcionado pelo sistema viário da região, buscando encontrar alguém que desatará este nó.

Obras de Mobilidade Urbana caminham a passos lentos

Prometidos desde 2012, projetos voltados para a área de Mobilidade Urbana, os quais prometiam amenizar os congestionamentos diários enfrentados por motoristas da região, ficaram somente no papel. Por falta de aporte financeiro para custeio das obras ou inviabilidade técnica, a maioria das promessas caminha a passos lentos para ser concluída.

Dentre os projetos de maior impacto está a construção de corredores de ônibus em São Bernardo. As obras, que na gestão passada também não avançaram, no momento estão sendo retomadas pelo atual prefeito Orlando Morando (PSDB).

Em Santo André, a duplicação do Viaduto Adib Chammas, localizado na região central, e a construção de outro viaduto na rotatória do Sesi, no bairro Santa Teresinha, ainda aguardam verba do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para serem executadas.

Grande parcela dos recentes avanços do setor na região envolve propostas do Plano de Investimentos em Mobilidade Urbana, elaborado pelo Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. Foi por meio do documento que a entidade foi contemplada com aporte financeiro de R$ 26,4 milhões, do Ministério das Cidades, para iniciar a elaboração de 21 projetos executivos da área.

Atualmente, os projetos funcionais estão sob avaliação final nas sete prefeituras da região. Ao longo deste ano serão desenvolvidos os planos básicos necessários para a viabilização das futuras obras, possibilitando uma rede integrada de transporte coletivo no Grande ABC. No entanto, não existe previsão para que os projeto tenham suas obras inicias pelos municípios.

Para especialistas, transporte público ainda é alternativa

A criação de corredores e faixas exclusivas de ônibus como forma de atrair novos usuários é vista por especialista como a medida mais viável, em curto prazo, como alternativa para amenizar os congestionamentos diários da região.

É preciso tirar os carros da rua. O Uber, assim como outros aplicativos, tem colaborado um pouco para isso em virtude do custo. No entanto, o transporte coletivo pode acentuar este índice ainda mais. Só que para isso é preciso criar atrativos, como um transporte que reduza o tempo de viagem”, explica o professor de Engenharia Civil do Centro Universitário FEI Creso Peixoto.

O docente cita ainda a construção de Metrô na região, no caso a Linha 18 – Bronze, projeto este que segue parado e sem projeções de sair do papel. “É preciso criar alternativas, como PPP (Parceria Público-Privada), que consigam efetivar essas construções”, relata.

Especialistas ouvidos pela equipe de reportagem do Diário ainda são enfáticos ao dizer que a ausência de estratégias em conjunto entre os sete municípios contribuiu, e muito, para os atuais gargalos que motoristas são obrigados a enfrentar todos os dias no Grande ABC.

Na avaliação do especialista na área de Mobilidade Urbana da UFABC (Universidade Federal do ABC) Humberto de Paiva Júnior, embora a região possua um número considerável de habitantes, ainda não se vê na prática políticas integradas na área.

“Um sistema não conversa com outro. Isso é prejudicial aos motoristas e também ao usuários do transporte público. Precisa ter uma visão estratégica regional”, defende.

Por Daniel Macário - Diário do Grande ABC
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