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DATA DA PUBLICAÇÃO 29/01/2013 | Cidade
Polícia investiga desaparecimento de recém-nascido na Santa Casa de Mauá
Polícia investiga desaparecimento de recém-nascido na Santa Casa de Mauá Foto: abcdoabc.com.br
Foto: abcdoabc.com.br
A Polícia Civil de Mauá abriu inquérito para investigar o suposto desaparecimento de um recém-nascido na Santa Casa da cidade. A denúncia foi feita pela ajudante de cozinha Layane Cardozo Santos, 19 anos, e seu marido, o serralheiro Lourival Alves de Oliveira Júnior, 28. Os pais garantem que o bebê sumiu após a cesárea. O hospital alega que a moça não estava grávida.

Layane deu entrada na Santa Casa dia 26 de dezembro, encaminhada pela UBS do Jardim Primavera, onde fez o pré-natal. Abalada, só procurou a polícia 15 dias depois. O inquérito foi aberto como subtração de incapaz. A polícia ainda aguarda e chegada de documentos e também do resultado do exame de corpo de delito feito por Layane no IML (Instituto Médico-Legal).

São dúvidas que a família também espera que sejam respondidas. "O que dói é dormir à noite sem saber o que aconteceu", disse Layane.

Segundo a paciente, a cesariana estava marcada para janeiro, mas ela começou a apresentar sangramento e dores um dia após o Natal. A ajudante teria sido informada de que o feto estava sentado e por isso o parto cirúrgico era necessário. Ela conta que, após tomar a anestesia, perdeu os sentidos e só acordou depois, quando foi informada pelo marido do ocorrido.

Em abril, Layane teria feito três exames de farmácia que comprovaram a gravidez. A espera pelo bebê teria sido atestada depois por exame de sangue na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Primavera, onde mora atualmente. Era uma menina, e se chamaria Sofia.

Ter uma filha era o sonho do casal, junto há um ano e dois meses. Para isso, compraram berço, móveis e enxoval, gasto superior a R$ 5.500. Os objetos, hoje, ocupam um dos cômodos vazios da casa, recém-alugada pela família, "Fez um mês e não tem como esquecer."

A Santa Casa de Mauá informou que, ao realizar a abertura do abdômem da paciente, constatou que o útero estava vazio. E que teria chamado o marido de Layane para que ele testemunhasse a situação. A família nega.

A Prefeitura abriu sindicância para apurar o caso. A administração confirma que Layane fez pré-natal na UBS do Jardim Primavera, mas diz que não constam as datas citadas por ela em pelo menos quatro exames realizados. A equipe do Diário teve acesso a dois deles, realizados no Centro de Referência em Saúde da Mulher, Criança e Adolescente da cidade, onde é mostrada a evolução do bebê.

A ajudante ainda se recupera da cirurgia. "Senti meu bebê dentro de mim todos esses meses e hoje o que tenho são apenas lembranças."

Deslocamento de placenta motivou cirurgia

A Santa Casa de Mauá informou que a paciente chegou ao hospital com quadro de sangramento vaginal e dor abdominal, necessitando de atendimento de urgência. O obstetra levantou hipótese de descolamento prematuro de placenta, o que indicava a urgência da cirurgia.

Assim, foi realizada laparotomia (abertura da cavidade abdominal) exploradora, onde não ficou constatada gravidez. A situação, segundo o hospital, pode ser comprovada por exames realizados no mesmo dia, e que serão revelados "em momento oportuno". A polícia ainda não recebeu os testes e acusa a Santa Casa e a Prefeitura de estarem escondendo informações da investigação.

Layane reclama que não teve direito sequer à cópia dos documentos. "Não me deixaram ver o parto", reclamou Lourival Alves de Oliveira Júnior, que ficou em estado de choque com a notícia e também precisou de auxílio médico. "Até hoje tenho crises de choro. Minha recuperação também está difícil."

A informação é rebatida pela Santa Casa, que informou em seu comunicado que o serralheiro testemunhou, com a ajuda de toda a equipe médica e técnica, que o útero de Layane era de tamanho normal e compatível com o de uma mulher que não estava grávida.

Entre troca de acusações, a ajudante se conforta nas lágrimas. Não tem esperanças de que verá a sua filha novamente. E sabe que o episódio abala a sua confiança de ser mãe no futuro. "Bastaria dizer o que aconteceu em vez de inventarem desculpas. É melhor aceitar a morte do que ficar sem saber de nada", apontou Layane.

Pré-natal poderia confirmar falsa gravidez

Obstetra e professor da Faculdade de Medicina do ABC, Guilherme Loureiro pede cautela à polícia na investigação do caso. Segundo ele, o quadro apresentado pela vítima não descarta a possibilidade de gravidez psicológica levantada.

"A vontade (da mulher) é tão grande em estar grávida e ser mãe que o organismo dá sinais. Escuta batidas do coração, sente ele chutando, acha de verdade que o bebê está lá dentro (da barriga)", apontou.

"Isso leva as pessoas a não acreditarem e não aceitarem quando é comprovado que não havia a gestação de uma criança", completou Loureiro.

Apesar disso, o obstetra avalia que a maioria dos casos de gravidez psicológica é de mulheres que não realizam o pré-natal e não fazem acompanhamento médico. "Pois seria confirmado imediatamente que não é algo real", ponderou.

O Ministério da Saúde não possui dados oficiais de qual a porcentagem da gestação imaginária no País. E a estimativa dos especialistas é de que os casos são raros atualmente. A diferenciação, sem exames, é considerada difícil.

"O útero está vazio, mas o organismo desenvolve seu aumento. Cria a placenta. Não há como saber sem um exame. É tudo simulado", avaliou o obstetra.

Loureiro também considerou normal a anestesia geral dada em Layane Cardozo Santos, que reclama do fato de não ter acompanhado o processo cirúrgico. "Dependendo da intensidade da paciente, do nervosismo pelo qual passa, ela tem de ser medicada duramente para que o parto transcorra sem nenhum tipo de problema para ela e o bebê", disse.

Por Rafael Ribeiro - Diário do Grande ABC
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