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DATA DA PUBLICAÇÃO 02/03/2018 | Economia
Pesados puxam alta na venda de veículos no ano
Pesados puxam alta na venda de veículos no ano Foto: EBC
Foto: EBC
Licenciamento de ônibus e caminhões cresceu, respectivamente, 64,2% e 56,7% no bimestre

Em sinergia com o resultado de janeiro, que atingiu maior número de vendas para o mês em quatro anos, o primeiro bimestre de 2018 contou com alta de 19,5% na venda de veículos. O resultado foi impulsionado pela comercialização de pesados, ampliada em 58,2% nos dois primeiros meses do ano. Os dados foram divulgados ontem pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

Entre janeiro e fevereiro, foram licenciados 338.160 veículos – enquanto que em igual período de 2017, o total era de 282.849 unidades. Desses, 10.923 eram ônibus e caminhões – que no ano anterior haviam vendido 6.905 exemplares. Ao analisar cada um separadamente, foram emplacados 2.224 ônibus, incremento de 64,2% ante o primeiro bimestre de 2017, e 8.699 caminhões, aumento de 56,7%.

“A venda de ônibus oscila muito em ano de eleições, pois as prefeituras querem conquistar o eleitor, e acabam renovando as frotas de suas cidades”, avalia Octavio Vallejo, superintendente do Sindicov-SP (Sindicato das Concessionárias de Veículos no Estado de São Paulo). Vide na região, em que São Bernardo anunciou a entrega de dez veículos zero-quilômetro no sábado, e a previsão é que até o fim do ano outras 50 unidades sejam colocadas em operação, totalizando 75. Mauá entregou 60 ônibus novos entre o dezembro e janeiro, número que deve chegar a 100 até março. Ou seja, as vendas de ônibus devem continuar em alta.

Quanto ao licenciamento de caminhões, a expansão é justificada pelo aumento da confiança na economia, que impulsiona o consumo da população. “Não estava vendendo porque não tinha o que transportar. Com a maior demanda por mercadorias, as empresas devem ampliar suas frotas”, explica Vallejo.

NO GRANDE ABC - No sentido oposto ao do País, em que as vendas de janeiro foram melhores que as de fevereiro, devido ao Carnaval, as sete cidades venderam mais veículos no mês passado. Foram comercializadas 430 unidades a mais, com expansão de 14,1%.

O destaque na região foi justamente a venda de ônibus, que aumentou 10,8% em São Bernardo, que é o município com maior volume de emplacamentos no bimestre. “Os resultados nacionais são extraordinariamente positivos para as cidades onde há montadoras instaladas”, diz Vallejo. Vale lembrar que o Grande ABC conta com seis montadoras – cinco em São Bernardo e uma em São Caetano.

Carlos Gasquev, gerente nacional de vendas da Ford Caminhões, comemora que, nos primeiros dois meses de 2018, as vendas expandiram 55% em relação ao mesmo período de 2017. “Observamos grande retomada na parte de entregas, pois o varejo está melhor.”

Já a Mercedes-Benz afirma que as vendas de caminhões estão sendo impulsionadas, principalmente, pelo agronegócio. No primeiro bimestre, foram vendidas 2.300 unidades, contra 1.500 em igual período do ano passado.

Quanto aos ônibus, os grandes negócios foram firmados para transportes urbano, rodoviário e fretamento, sendo vendidos mais de 1.000 veículos no período, três vezes mais do que em 2017, quando cerca de 300 haviam sido comercializados. Do total, foram 533 caminhões para a transportadora de combustíveis Raízen, 100 extrapesados para a transportadora de granéis sólidos D’Granel, 1.600 micro-ônibus para Brasília, 300 ônibus urbanos para São Paulo e 150 ônibus para Recife. A expectativa da montadora alemã é que, neste ano, as vendas de ônibus cresçam 15% e, a de caminhões, 30%.

De acordo com Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, a projeção é de expansão de 10,8% nas vendas de todo o setor neste ano.

ROTA 2030 - O programa, que propõe incentivo fiscal a montadoras que investirem em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), segue sem formato ou previsão de implementação, o que era esperado até o fim de fevereiro, e com expectativa de proposta de renúncia de impostos no valor de R$ 1,5 bilhão por ano – teto do antecessor Inovar-Auto, que vigorou por cinco anos, até dezembro.

Segundo o MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), a decisão depende, apenas, do Ministério da Fazenda, que irá definir as diretrizes do incentivo. Questionada, a Pasta disse que não vai comentar. Esta é a primeira vez em mais de duas décadas em que a indústria automobilística fica sem incentivos no Brasil.

Melhora na confiança vende mais carro

O baixo ritmo de consumo refletiu nos números da economia do ano passado, quando a inflação encerrou em 2,95%, menor patamar em 19 anos. A Selic, taxa básica de juros, por sua vez, está em 6,75% – a menor da história. O cenário de melhora neste ano, porém, está mudando também os hábitos do consumidor. Prova disso é que o comércio de automóveis e comerciais leves teve alta de 18,6% nos primeiros dois meses de 2018, saltando de 275.944 para 327.237 carros. “Este é o resultado da maior confiança por causa do aumento do crédito para compra”, afirma Paulo Roberto Garbossa, diretor da consultoria ADK Automotive. “Os consumidores estavam com vontade reprimida de comprar, fazendo cortes nas despesas. Com a queda no ritmo de desemprego, no entanto, eles voltaram a comprar carros”, completa Octavio Vallejo, do Sincodiv-SP.

Se comparados os resultados de fevereiro ante janeiro, o emplacamento de veículos caiu 13,4% – de 181.254 para 156.906. Segundo Alarico Assumpção Júnior, da Fenabrave, a média do volume de vendas diário no mês passado, entretanto, foi 4,5% maior e, não fosse o Carnaval, os números teriam sido superiores.

Garbossa ressalta que, embora os sinais de retomada sejam notados, a venda de veículos dificilmente irá voltar ao patamar de 2013. “Naquela época, o crédito era mais fácil e era possível parcelar em até 60 vezes. Hoje, o financiamento está bem mais restrito.”

Por Flavia Kurotori - Especial para o Diário
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