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DATA DA PUBLICAÇÃO 05/01/2016 | Cidade
Pela arte da periferia, Mauá ganha Casa do Hip Hop
Pela arte da periferia, Mauá ganha Casa do Hip Hop O terreno que hoje abriga a Casa de Hip Hop de Mauá era um galpão da PM. Foto: Rodrigo Pinto
O terreno que hoje abriga a Casa de Hip Hop de Mauá era um galpão da PM. Foto: Rodrigo Pinto
Inaugurada há um mês, instituição cultural busca romper estigmas e transformar jovens pela cultura Rafael

Perigo para uns, oportunidades para outros. Após duas décadas entre melodias e lutas, os artistas independentes de Mauá ganharam um espaço para difusão cultural. Baseada nas instituições de Diadema e Ribeirão Pires, a Casa de Hip Hop mauaense chega na contramão da violência e repressão. Com vista para a favela, a entidade quer convidar cada jovem excluído a fazer do seu viver uma rima.

“Aqui era um galpão da Polícia Militar. Só que o governo do Estado achou que a PM estaria muito vulnerável no meio da periferia. Então, entregou o terreno à Prefeitura, que resolveu utilizá-lo para a Casa”, contou Mano Rogério, coordenador da instituição. Inaugurada em dezembro, a Casa do Hip Hop de Mauá centralizará todas as ações que o município já oferecia a cerca da cultura musical. “Teremos aqui as oficinas do universo do hip hop, como break e rima. As inscrições estão abertas para os cursos de 2016. A princípio estamos pegando os nomes e telefones dos interessados. Depois, entraremos em contato.”

Com mais de 200 inscrições já realizadas, Mano Rogério afirma que o centro cultural é uma conquista de uma luta existente há anos. “Nós batalhamos por esse espaço durante muito tempo. Desde 1998, quando realizávamos atividades no Centro Cultural Florestan Fernandes. Até antes, na verdade. Porque existem coletivos de hip hop da cidade completando 27 anos.”, afirmou o artista. “A Casa está cercada por cinco bairros. São aproximadamente 50 mil pessoas com somente esta área de lazer pra utilizar. O que os jovens fariam nas férias se este espaço não existisse? Onde eles estariam?”, ironizou, complementando. “A PM está vulnerável aqui. Mas e as pessoas da periferia? Claro que não.”

FERRAMENTA DE MUDANÇA

Nascido e criado nas favelas de Mauá, Rogério encontrou no hip hop a forma de corromper seu futuro predestinado. “A arte transforma. Muita gente da minha geração não teria morrido se essa Casa já existisse.” Dos seus tempos de escola, se lembra de cada obstáculo enfrentado. “A minha turma treinava break na frente de um hospital, num pedaço de chão com dois metros, no máximo. Era o único espaço com chão liso de Mauá.”

Para as competições e confraternizações, a trupe mauaense rumava até Diadema ou São Paulo. “Íamos para Diadema, São Mateus. Imagina a gente sair daqui e ir pra São Mateus. Era muito longe. Então, chegávamos nas pistas e o pessoal de lá já nos tirava: ‘olha os pés de barro’. Foi quando uma galera começou a nos defender, dizendo ‘que mal há em Mauá?’ ”, revelou.

Apesar da trajetória positiva, o educador ainda acredita que o hip hop continua mal visto pela sociedade “A nossa cultura é muito rejeitada. Só pra se ter uma ideia, os Racionais MC’s venderam cinco milhões de discos e nunca apareceram na televisão.” Pensando nos primeiros cursos de férias e na programação anual da Casa, Mano Rogério sabe onde está a verdadeira vulnerabilidade social. “Nós estamos aqui para acolher.”

Por Rafael Revadam - ABCD Maior
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