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DATA DA PUBLICAÇÃO 20/03/2010 | Turismo
Passeio por Buenos Aires deixa entrever paixão pelo futebol
Quando os "barras bravas" (torcedores fanáticos) do Boca Juniors, mais conhecidos como "La 12" (por se enxergarem como o jogador nº 12 do time) tiveram a ideia de organizar uma tour oficial, à qual deram o nome de "Pura Adrenalina", para torcidas estrangeiras ou de outras províncias argentinas, para levá-las a conhecer seus movimentos dentro de um estádio, eles foram originais, mas não inteiramente.

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Há anos já são promovidos tours por Buenos Aires para que os participantes possam percorrer a cidade e respirar por cada um de seus poros a paixão profunda que desperta o futebol. Cerca de 40 estádios, muitos enormes, outros médios, mas quase todos sempre com capacidade para mais de 10 mil espectadores, e times das primeiras três divisões das competições oficiais dão a medida do orgulho que significa jogar em casa, encerrando arquiteturas diversas e culturas completamente distintas.

Para começar o percurso, partindo, como quase sempre acontece com os visitantes, do centro turístico da cidade (pela avenida Corrientes), convém dirigir-se para o sudeste, e dentro de mais ou menos 25 minutos, chegaremos ao bairro muito particular de La Boca, tipicamente napolitano e genovês, com casas multicoloridas, geralmente situadas a uma boa altura, tanto que para chegar a elas é preciso subir por escadas especiais. É a forma de proteger-se contra as possíveis cheias do rio Plata.

La Boca

La Boca é um lugar tão típico que algumas pessoas o chamam simplesmente de "A República de la Boca". Ela possui a particularidade rara de ter dado origem aos dois maiores clubes da Argentina, e os que possuem as maiores torcidas: Boca Juniors e River Plate. O River nasceu antes (em 1901), mas terminou mudando-se para uma área mais rica ao norte da cidade, Núñez, mas que ainda assim margeia o rio, a uns 45 minutos de viagem.

Mesmo assim, restou um dos grandes monumentos dos portenhos, a "Bombonera", também chamada de Estádio "Camilo Cichero", com capacidade para 60.245 espectadores. Muitos dizem que há poucas chances no mundo de ver um espetáculo comparável ao do estádio do Boca quando está cheio. Tanto assim que há quem diga que quando ele se move, não treme, mas "pulsa".

Perto da "Bombonera", mas um pouco mais dentro da cidade, a apenas 15 minutos de distância, encontraremos em outro bairro portenho tradicional, Parque de los Patrícios, um estádio formoso como o é, sem dúvida, o palácio Tomás A. Ducó (48.314 espectadores), pertencente ao Huracán, o lugar onde foram filmadas cenas do filme "O Segredo dos Seus Olhos", que acaba de receber o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2010.

Os gigantes

Embora não sejam estritamente falando da cidade de Buenos Aires, não se pode deixar de mencionar o fenômeno do fato de dois estádios gigantes estarem separados por apenas uma rua (há turistas que se fazem fotografar tendo ao fundo os dois estádios em perfil).

Eles são nada mais, nada menos que Racing Club e Independiente, dois dos clubes que têm as maiores torcidas e que pertencem a Avellaneda, na Grande Buenos Aires, separada da capital argentina apenas por uma ponte e situada a escassos dez minutos do estádio do Boca, embora pertençam a outra jurisdição.

O Racing tem um estádio chamado "El Cilindro" devido a sua forma, que, com o tempo, foi reduzido dos 100 mil espectadores que abrigava no passado para os 64.161 de hoje, e cujo nome real é "Juan Domingo Perón", enquanto o Independiente reconstruiu seu velho estádio (o primeiro de cimento no país), para terminar de erguer no mesmo lugar outro chamado "Libertadores de América", com capacidade para 50 mil pessoas. Durante sua construção, finalizada em 2009, os torcedores do Racing colocaram um cartaz na entrada da cidade que dizia, em tom irônico, "Bem-vindos ao estádio único de Avellaneda".

Mais estádios

Seguindo adiante fora de Buenos Aires, mas sempre dentro de um raio de não mais de 50 quilômetros, e se possível seguindo sempre pela mesma avenida (Pavón) desde a ponte Avellaneda até a província de Buenos Aires, o turista ficará perplexo. No caminho ele poderá observar desde a janela do carro os estádios do Arsenal de Sarandí (24.800 espectadores), do Lanús (30.500), Los Andes (33.542), Témperley (18 mil), Bánfield (34.901), e mais longe, no caminho que leva à cidade de La Plata (capital da província de Buenos Aires), ainda poderá encontrar os do Quilmes (30.200 espectadores) e do Defensa y Justicia (8.000).

Essa zona delimitada pela ponte Avellaneda e até a rodovia a La Plata é densamente povoada, e sua população foi em grande medida (e continua sendo) formada por trabalhadores de fábricas. Isso, mais o fato de as linhas de trem terem sido construídas no início do século 20 para garantir a ligação com a capital federal, explica a fundação de um número enorme de clubes, muitos dos quais foram crescendo nos últimos 20 anos com a derrocada dos dois grandes, Racing e Independiente, que dominaram o futebol argentino nos anos 1960 e 1970 mas sofreram uma grande queda institucional.

Alguns desses clubes da avenida Pavón, como Arsenal, Lanús ou Bánfield, jogam na primeira divisão (o Banfield é o último campeão argentino), enquanto o Quilmes ou o Defensa y Justicia jogam no torneio Nacional B (segunda divisão), e o Témperley e o Los Andes na Primeira B (terceira). E ainda há mais estádios na área, como o dos Talleres de Remedios de Escalada ou o El Porvenir (Gerli), de divisões menores. Também o San Telmo, que joga na Primeira B mas chegou a jogar na categoria máxima, tem um pequeno estádio na zona perigosa da Isla Maciel (6.000 espectadores), embora sempre haja algun turista disposto a encarar uma aventura.

Para o lado de onde se mudou o River Plate, o norte da cidade, se encontra nada menos que o estádio que sediou a partida final do Mundial de 1978, o Monumental, cuja construção foi concluída nos anos 1950, quando um dos grandes astros, Enrique Omar Sívori, foi transferido para o Juventus da Itália.

O Monumental (74.650 espectadores) fica na elegante avenida Figueroa Alcorta, uma área de classe alta, próxima dos belos jardins de Palermo, em uma região de alto padrão na qual a poucas ruas de distância, indo em direção à avenida General Paz (de forma circular e que rodeia a capital e forma a divisa com a província de Buenos Aires), também aparece outros estádio menor, mas vizinho, o de Defensores de Belgrano (9.000 lugares). Já a caminho da província, mas ainda dentro da "Grande Buenos Aires", encontraremos estádios como o Platense (31 mil espectadores) Tigre (30 mil), Acassuso (5.000) e Colegiales (6.500).

Direção oeste

Na direção oeste podem ser encontrados outros templos do futebol, como o de Vélez Sársfield ou José Amalfitani (também sede do Mundial de 1978) (49.540 lugares), na divisa com a província de Buenos Aires, ou, mais perto do coração da cidade mas em um bairro perigoso, o Nuevo Gasómetro de San Lorenzo, construído nos anos 1990 (46.963), o de Nueva Chicago (28.500), o do Deportivo Morón (19 mil) e do Almirante Brown (27.610).

Quem quiser percorrer bairros muito portenhos, situados no próprio centro da cidade, pode aproximar-se do novo estádio Diego Maradona, do Argentinos Juniors (15 mil lugares), em La Paternal, ou do estádio do distinto bairro de carrossel de Ferrocarril Oeste (24.442), além do Atlanta, no bairro judeu de Villa Crespo (14 mil), do All Boys, no bairro de classe média de Floresta (16.500), ou o de Comunicaciones, situado no bairro residencial de Villa del Parque (3.500 lugares).

SERGIO LEVINSKY é jornalista e sociólogo argentino

Tradução de Clara Allain

Por Sergio Levinksy - Especial para a Folha de São Paulo
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