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DATA DA PUBLICAÇÃO 16/09/2008 | Setecidades
Pai e madrasta serão julgados por tortura
O vigilante João Alexandre Rodrigues, 39 anos, e sua mulher, Eliane Aparecida Rodrigues, 35, acusados de matar em Ribeirão Pires os irmãos Igor Giovanni, 12, e João Vitor, 13, filhos de Rodrigues, devem ser julgados, provavelmente, em menos de um mês, por tortura.

O casal foi denunciado pela promotora criminal Mylene Comploier. O processo que apura as agressões tramita na 1ª Vara do município desde 2005.

Além do crime de tortura, o casal vai responder pela morte dos garotos, em outro processo que ainda será instaurado após o término do inquérito policial. As penas são cumulativas.

No início de 2007, a promotora denunciou o casal por tortura. Nas alegações finais do processo, no início deste mês, poucos dias antes do assassinato dos garotos, Mylene mudou a qualificação da denúncia para maus-tratos.

Esse crime tem a pena mais leve, de um ano de detenção, que geralmente é revertida para prestação de serviços comunitários ou entrega de cestas básicas. A tortura, porém, tem pena que varia de dois a oito anos de reclusão.

"Tomei essa decisão após analisar todos os autos do processo, contando laudos psicológicos e relatórios do Conselho Tutelar, entre outros. A intenção do casal, ao que tudo indicava, era corrigir os menores. Não havia conotação sádica, típica da tortura", afirmou a promotora. Entretanto, quatro dias depois das mortes, Mylene pediu novamente a condenação do pai e da madrasta por tortura.

"Após os assassinatos, ficou evidente a intenção sádica do casal. Tal fato tinha de ser comunicado ao juiz que vai fazer o julgamento", contou a promotora.

Mylene acompanhou as mais de cinco horas de reconstituição do crime realizada na última sexta-feira.

Para ela, a versão do pai é a mais verossímil, que aponta a participação do casal nos assassinatos e esquartejamento. A madrasta diz que apenas ocultou os restos mortais.

"Deve ter havido algum tipo de premeditação pouco antes do crime, apesar da negação do pai. Ele alega que os irmãos foram mortos simultaneamente em cômodos diferentes. Vou esperar o término do inquérito para analisar todos os detalhes do caso", afirmou a promotora.

Ato religioso reúne 500 pessoas na Igreja Matriz
Um ato ecumênico realizado segunda-feira, na Paróquia São José, a Igreja Matriz de Ribeirão Pires, reuniu cerca de 500 pessoas em respeito ao assassinato dos irmãos Igor Giovanni, 12 anos, e João Vitor dos Santos Rodrigues, 13, ocorrido no último dia 5 de setembro.

O ato religioso teve início às 19h e contou com o apoio da Diocese de Santo André. Os fiéis, que lotaram a igreja, acompanharam as palavras proferidas pelo padre José Pedro, conhecido como Pedrinho, que é coordenador das pastorais diocesanas do Centro de Pastoral de Santo André e representou a Diocese de Santo André na missa. "O DNA do cristão é o perdão. Uma família desestruturada foi o motivo desse crime bárbaro. O povo de Ribeirão Pires é um povo muito bom, nós reconhecemos a violência, mas desejamos o perdão", disse Pedrinho durante a missa.

O padre afirmou ainda que o crime hediondo ocorreu porque a sociedade está "doente".

O padre Sextílio Bórtolo Fochesatto, responsável pela Paróquia São José, disse que esse despertar de consciência coletiva - causada pela forma brutal como os meninos foram assassinados - serve para que a vida seja valorizada.

A missa durou cerca de uma hora. O bispo diocesano dom Nelson Westrupp, que era esperado no ato, não compareceu.

Também não foram vistos parentes das vítimas.

Caso - Os irmãos Igor Giovanni e João Vitor dos Santos Rodrigues foram sufocados, queimados e esquartejados em Ribeirão Pires no dia 5 de setembro dentro de suas próprias casas. O pai João Alexandre Rodrigues assumiu o assassinato e disse que a madrasta Eliane Aparecida Nunes Rodrigues também participou das mortes. Ela, porém, alegou ter participado apenas da distribuição dos corpos pela cidade. (Emerson Coelho)

Corpos ainda não foram liberados para sepultamento
Os corpos dos irmãos Igor Giovanni e João Vitor permaneciam sendo analisados pelo IML (Instituto Médico-Legal) até segunda-feira à noite e segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública ainda não há prazo para conclusão dos laudos. A definição deste limite vai determinar quando os familiares poderão sepultar os garotos.

As vísceras foram encontradas na manhã da última sexta-feira, durante a reconstituição do crime. Os órgãos estavam na tubulação de esgoto da residência e, teriam sido descartados pelo ralo do banheiro.

O diretor do IC (Instituto de Criminalística) de Santo André, Nelson Gonçalves, disse que os exames nos restos mortais, principalmente no pulmão e nas vias áreas superiores, podem determinar, por exemplo, se as crianças foram vítimas de esganadura ou se estavam ou não mortas quando foram queimadas.

Recolhidos na residência da família, alguns objetos, como uma faca, uma foice, uma pá e um pé-de-cabra estão sendo periciados pela Polícia Científica.

Peças de roupas com marcas de sangue e querosene, três celulares e partes de um volante automotivo, que pode ter sido usado para agredir os irmãos, também estão sendo analisados. Os corpos serão ainda levados para São Paulo para que exames de DNA sejam feitos para identificar cada um dos garotos. (André Vieira,Especial para o Diário)
(Supervisão de Samir Siviero)

Por Luciano Cavenagui - Diário do Grande ABC / Foto: Ari Paleta
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