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DATA DA PUBLICAÇÃO 12/09/2008 | Turismo
Na terra das mil e uma histórias
Quem já ouviu falar de Constantinopla, levante a mão. Se você fez o colégio, com certeza já estudou essa cidade histórica, que antes se chamou Bizâncio e atualmente é a belíssima, vital, caótica, multiforme Istambul.

A viagem à Turquia pode começar por lá, mas nem precisa encher a mala com barras de cereais temendo o cardápio turco. A cozinha é uma das melhores do mundo, fazendo inveja a franceses e chineses, não faltando no menu vinhos tintos e brancos de primeira qualidade e a típica bebida nacional, raki, espécie de aguardente de anis. De sobremesa, deliciosos doces de damasco.

Para finalizar as refeições com excelência imperial, é necessário beber o mundialmente famoso Kahve, ou café turco, que é ótimo, apesar do pó misturado que fica no fundo da xícara.

Ler a sorte na borra do café é um costume turco. Depois de tomar, vira-se a xícara no pires, espera-se por alguns minutos até o pó descer, faz-se um pedido e pronto:é só desvirar e ler no desenho que o pó deixou. Dá para acreditar que isso funciona? "A mulher pronta para casar é aquela que faz o café com espuma", garantem os entendidos.

Além do paladar, deve-se aguçar os ouvidos, o olfato e principalmente a visão. Cada momento é tão surpreendente que fica difícil registrar tanta informação, olhar as mesquitas com seus minaretes apontados para o céu; os palácios com seus enormes jardins; as catedrais com suas grandes cúpulas e edifícios suntuosos; os jardins arborizados com seus obeliscos.

Tudo é magnífico. Sentir o cheiro dos perfumes e dos temperos no Grande Bazar é inesquecível. Ouvir a música ou acordar às 5h com a leitura do Corão, que é a chamada para a oração vinda dos amplificadores das mesquitas - ocorrem cinco convocações ao dia - são coisas às quais não estamos acostumados. Enquanto alguns temem outros sentem conforto.

Istambul é a grande sensação do momento. Recebe turistas de todas as partes do mundo, transformando-se mais ainda em uma cidade de contrastes, onde na mesma calçada vemos uma mulher de burca e outra de minissaia. As mulheres de Istambul não fazem uso das vestimentas muçulmanas: as que encontramos são do interior ou de países vizinhos.

Existe na cidade uma preocupação em conservar os monumentos históricos. Há muitas obras de restauração em vários pontos da cidade.

O turco é hospitaleiro, gentil, falante, simpático e espirituoso, muito parecido com o brasileiro, mas não estranhe se encontrar pelas ruas dois homens de mãos dadas. Isso não significa homossexualismo, é apenas uma manifestação de amizade.

Jovens com cabelos arrepiados, vestidos de preto, e outros com visuais menos chamativos, caminham em uma rua movimentada, repleta de carrinhos de milho-verde assado, churrasco grego e mulheres tecendo belos tapetes, estampados nas vitrinas das lojas, parecendo não notar o bonde que circula no meio da avenida dessa grande metrópole.

Se você acha o trânsito do Grande ABC caótico, ainda não viu nada. Em Istambul, aperte o cinto - aliás, acessório que parece não existir para eles. Freadas rápidas, conversões proibidas e muitas discussões são comuns. Prepare-se para uma aventura, como passar um longo tempo engarrafado na Ponte de Bósforo.

A propósito, o Bósforo é um estreito que divide em duas partes a cidade de Istambul, conectando o Mar de Mármara com o Mar Negro e separa fisicamente a Europa da Ásia.

Há duas pontes sobre esse estreito: a do Bósforo, de 1.074 metros de comprimento, e a Fatih Sultão Mehmet, que possui 1.014 metros. Ambas ligam Istambul às cidades asiáticas.

A capital dos três grandes impérios
Aproximadamente 11,3 milhões de habitantes - mulçumanos em sua imensa maioria, com grande número de laicos e uma minoria de cristãos (78 mil) e de judeus (22 mil) - vivem naquela que foi a capital de três grandes impérios: o Romano do Oriente, o Romano do Ocidente e o Otomano. A fabulosa Bizâncio tornou-se a esplêndida Constantinopla e atualmente a bela Istambul, muitas vezes destruída e reconstruída no curso da história, morta e depois ressuscitada.

A cidade foi fundada por colonos gregos, mais precisamente por um certo Byzas - de onde vem o nome Bizâncio. Felipe da Macedônia tentou invadi-la. Mas diz a lenda que a deusa Hécate, cujos símbolos eram a meia-lua e a estrela (alusões à bandeira da Turquia) salvou os gregos assediados. Em 330 d.C. , com Constantino Magno, a cidade tornou-se capital do Império Romano. Assim teve início a civilização bizantina, a qual duraria muitos séculos. Construíram-se palácios, igrejas, monumentos. As ruas foram ornamentadas com estátuas, colunas e fontes. Mas a cidade atingiu seu máximo esplendor com Justiniano.

Mais tarde foi repetidamente invadida pelos ávaros, persas e árabes, até surgir um novo período de opulência com Constantino VII.

No século 11, ocorreu a separação entre a igrejas cristãs do Oriente e a do Ocidente.

Em 1204, os Cruzados saquearam Constantinopla, os Bizantinos reconquistaram-na e a cidade uma vez mais ressurgiu para uma nova vida. Mas os turcos otomanos já se aproximavam: em 1453, o sultão Mohamed II derrubou o Império Bizantino, a cidade passou a chamar-se Istambul e foi anexada ao Império Otomano. Com Solimão, o Magnífico, e o arquiteto Sinão, a cidade enriqueceu-se de monumentos, mesquitas que abrigam mais de 20 mil fiéis e edifícios suntuosos.

Em 1923, com o fim do Império Otomano, o general Kemal Atatürk decretou o nascimento da República Turca. A capital foi transferida para Ancara.

Depois de tanta história e fusão de culturas, Istambul se transformou na mais fascinante Meca arquitetônica, gastronômica, artística e cultural do planeta.

Basílica tem cenário suntuoso
A Basílica de Santa Sofia - também conhecida como Hagia Sophia, que significa Sagrada Sabedoria em grego, ou Ayasofya em turco - é um imponente edifício construído entre 532 e 537 pelo Império Bizantino para ser a catedral de Constantinopla, mas que acabou convertido em mesquita em 1453 até ser transformado em museu, em 1935.

A primeira grande igreja no local foi erguida pelo Imperador Constâncio, filho de Constantino, O Grande, mas foi destruída durante a Revolta de Nika de 532. O edifício foi reconstruído em sua forma atual entre 532 e 537 sob a supervisão pessoal do imperador Justiniano I. É considerado o exemplo principal da arquitetura Bizantina. De grande importância artística, seu interior foi decorado com mosaicos e colunas e esculturas de mármore. A riqueza e o nível artístico da basílica teria levado Justiniano a dizer "Salomão, eu te superei!".

Sofia é coberta por uma abóbada central com 31 metros de diâmetro e 55,6 metros de altura. Durante 900 anos, a basílica foi a sede do patriarca ortodoxo de Constantinopla e o principal cenário para cerimônias imperiais. Foi convertida em uma mesquita após a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos comandados pelo sultão Mohamed II, em 1453. Seus ricos mosaicos figurativos foram cobertos com emplastro, e em cima foram desenhados ramos e florais substituindo as imagens de santos. Por quase 500 anos, foi a principal mesquita de Istambul e serviu como modelo para muitas das grandes mesquitas otomanas da cidade, tais como a Shehzade, a Solimão e a Rustem Pasha.

Em 1935, Kenal Atatürk ordenou a sua secularização e a basílica converteu-se em museu. Não obstante, os mosaicos coloridos remanesceram emplastrados na maior parte, e o edifício deteriorou-se.

Uma missão da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) em 1993 notou queda do emplastro, revestimentos de mármore sujos, janelas quebradas, pinturas decorativas danificadas pela umidade e falta de manutenção na ligação da telhadura. Desde então a limpeza e a restauração têm sido empreendidas. Os excepcionais mosaicos do assoalho e da parede que estavam cimentados desde 1453 agora são escavados gradualmente.

Palácio foi residência de sultões
"Eu quero ser califa no lugar do Califa!". Esse é o bordão do grão-vizir Iznogud, personagem de Goscinny que tinha inveja de seu amo. Depois de visitar o palácio do sucessor de Maomé, o turista compreende por que essa figura queria tanto ser Califa.

O Palácio de Topkapi foi residência dos sultões por três séculos. Topkapi significa porta (kapi) redonda (Top). Mehmet o conquistador construiu o palácio logo após a conquista de Constantinopla em 1453.

Hoje, o local é dividido em salas com exposições de objetos em ouro, tronos de ouro, xícara, talheres, berço, jóias, diamante com 84 quilates, anéis, espadas cravejadas com pedras preciosas, prata, cerâmicas, miniaturas, roupas e artigos sagrados para os muçulmanos. Você poderá ver, entre outros objetos sagrados, os fios da barba e a marca do pé do profeta Maomé.

O harém do palácio, com suas paredes totalmente cobertas de pedrinhas multicoloridas, apresenta mosaicos impressionantes.

Cheio de mistérios e lendas, dá para imaginar como as mulheres, mães e concubinas dos sultões viviam. Certamente, mulheres belíssimas faziam o que podiam de melhor para ter a atenção do sultão, mas o harém também era um local governado com tradição, obrigatoriedade e cerimônias. O Palácio de Topkapi foi residência de sultões até o século 19, sendo Mahmut II o último sultão a residir no mesmo. Os precedentes preferiram viver em palácios com estilo mais europeu.

Por Luiz Carlos Fernandes - Diário do Grande ABC
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