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DATA DA PUBLICAÇÃO 10/3/2016 | Setecidades
Na Região, 25% das linhas já não possuem cobradores de ônibus
Na Região, 25% das linhas já não possuem cobradores de ônibus Conforme levantamento do Sintetra, 25% dos 334 itinerários no ABCD já são realizados sem a presença do cobrador; motoristas têm acumulado dupla função. Foto: Andris Bovo
Conforme levantamento do Sintetra, 25% dos 334 itinerários no ABCD já são realizados sem a presença do cobrador; motoristas têm acumulado dupla função. Foto: Andris Bovo
Mesmo após reajuste tarifário, empresas se desfazem de profissionais para cortarem custos

Um quarto das linhas de ônibus do ABCD não possui cobradores. Os motoristas são obrigados a conduzir e passar o troco quando a passagem é paga em dinheiro. Estimativa feita pelo Sintetra (Sindicato dos Rodoviários do ABC) aponta que 25% dos 334 itinerários já são feitos sem a presença do trabalhador e que essa eliminação se tornou mais contundente nas linhas intermunicipais. Em alguns casos, a poltrona do cobrador se quer foi removida dos ônibus.

De janeiro até agora, a reclamação dos trabalhadores do ramo aumentou, conforme o sindicato. Além do acúmulo de função sobre o motorista e as demissões, o Sintetra alerta para o fato de as empresas de transporte público ter aumentado a arrecadação com o reajuste aplicado no início do ano, de 9,35%. “Temos o caso de uma empresa que já opera totalmente sem cobradores. Eles ganharam uma liminar na Justiça e até o momento não foi revertida”, comentou o secretário geral do Sintetra, Leandro Mendes da Silva.

Para os próximos dias o sindicato deve reunir os trabalhadores em uma assembleia. Porém, o Sintetra já organizou minicursos sobre os riscos que o motorista pode sofrer com a dupla função. “O condutor acaba sendo obrigado a dividir a atenção entre a cobrança da passagem, contagem do troco e o trânsito. Ele pode ter problemas de saúde como aumento de estresse e também contusões na coluna pelo número de vezes que é obrigado a virar e se curvar”, ressaltou o secretário geral.

A expectativa é que e essa situação se reverta com a possível aprovação do Senado para o projeto 2163/03, do deputado federal Vicentinho (PT). A proposta visa proibir o acúmulo de função sobre o motorista. “Esse projeto pretende também instituir o agente de bordo em caso de as empresas conseguirem a permissão para eliminar o cobrador”, acrescentou Silva. O agente de bordo seria o profissional que, além de fazer a cobrança das passagens, auxiliaria os passageiros com informações de embarque e desembarque.

O ABCD MAIOR acompanhou algumas linhas intermunicipais em que a função do cobrador já foi eliminada. Nem todos os passageiros possuem o cartão de bilhetagem eletrônica, como o Bom. Ao entrar no coletivo o usuário tem de esperar pelo troco e liberação da catraca. Uma fila é formada do lado de fora. Ao lado direito do motorista foi instalado uma pequena caixa para recolher dinheiro. As viagens atrasam, às vezes o motorista se perde entre cobrar e devolver corretamente o troco e muitos passageiros se irritam com a demora.

SEGURANÇA

No banco do passageiro, essa divisão de atenção do motorista é vista com preocupação. “Como fica nossa segurança. O motorista tem de cobrar e olhar para o trânsito. É muito arriscado bater em outros carros”, disse a auxiliar administrativo Andrea Cristina Neves, de 42 anos. Além disso, ela argumenta que a presença do cobrador ajuda nos momentos de embarque e desembarque. “Muitas vezes é o cobrador que avisa o motorista se o passageiro terminou de desembarcar. Acho que isso evita muitos acidentes”, opinou.

Em nota, a EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) que fiscaliza para que nenhuma viagem deixe de ser executada por conta da ausência do cobrador. Confirma a nota na íntegra:

“A EMTU/SP informa que a Auto Viação ABC está trabalhando sem cobradores amparada por uma liminar da Justiça. Informamos também que 80% dos usuários das linhas desta empresa se utilizam do Bilhete BOM.”

“Esclarecemos que a EMTU/SP gerencia e fiscaliza a operação diária do transporte público na região. Se alguma partida deixar de ser feita por falta de operadores a empresa é multada.”

“Quanto ao aumento da oferta de ônibus ou de viagens a EMTU/SP esclarece que as ordens de serviço com número de partidas e intervalos entre eles são estudadas periodicamente, baseadas nas reclamações dos usuários.”

“O objetivo é realizar ajustes como a reprogramação de itinerários e tabelas horárias, procurando adequar o número de partidas a um eventual crescimento do volume de passageiros ou criar serviços intermunicipais em regiões ainda não atendidas.”

“Normalmente essas alterações acontecem quando no itinerário do ônibus surgem novos polos de interesse como faculdades, indústrias ou centros comerciais.”
Problemas da dupla função do motorista

Motoristas que são obrigados a fazer às vezes de cobradores correm os seguintes riscos:

Problemas de saúde na coluna vertebral por conta da constante mudança de posição volante/caixa de cobrança.

Segurança: a atenção do condutor se divide entre pensar na devolução do troco, liberação da catraca e trânsito. Alguns motoristas arrancam com o ônibus ainda contando dinheiro.

Precarização do serviço prestado: passageiros formam filas para embarcar por conta do tempo para realizar a cobrança.

Nem sempre há dinheiro trocado: muitas vezes, o passageiro tem de esperar outros embarques para que o motorista tenha dinheiro trocado.

Parque Andreense permanece sem linhas municipais

Um dos bairros mais afastados do Centro, o Parque Andreense, em Santo André, é alimentado por apenas duas linhas de ônibus. Ambas intermunicipais. A passagem é mais cara e os usuários demoram mais para chegar a muitos destinos, como a região central. Essa situação não tem dada para mudar.

Em nota, a Prefeitura explicou que criar linhas municipais, portanto, mais baratas, para o bairro é inviável. “A SATrans esclarece que não há viabilidade técnica para instalação de linhas municipais neste local, já que a área corta outros municípios. Neste caso, a competência para melhoria do sistema de transporte é estadual, por meio da EMTU.”

Quem mora por lá só tem críticas a fazer. “Isso é um descaso com a gente. Somos forçados a usar o transporte intermunicipal e, para chegar ao Centro, tenho de tomar duas conduções. São mais de R$ 10 reais só na ida”, descreveu o técnico de enfermagem Anderson Cleyton dos Santos, 24 anos. Ele trabalha na região do bairro Sacomã, na Capital. “O problema de depender de ônibus intermunicipais é que, em feriados e fins de semana, por exemplo, eles chegam a demorar uma hora entre uma viagem e outra”, destacou.

Por Renan Fonseca - ABCD Maior
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