NOTÍCIA ANTERIOR
Cientistas japoneses querem transmitir cheiros pela TV
PRÓXIMA NOTÍCIA
Espessura de novo notebook desbanca MacBook Air, da Apple
DATA DA PUBLICAÇÃO 17/03/2009 | Tecnologia
Na hora de terminar namoro, adolescentes preferem internet e evitam o cara a cara
Marcar um encontro amoroso pela internet hoje não é novidade diante de tantas ferramentas virtuais que facilitam a vida social, como o Orkut, o Twitter, o Facebook e os já velhos conhecidos programas de e-mail e de mensagens instantâneas.

E, já que tudo pode se iniciar com um simples contato via web, por que seria diferente na hora de terminar um namoro?

Uma pesquisa da loja virtual de presentes Lovehearts confirmou que a nova geração está mesmo usando a internet também para dar um fora (ou levar um).

Jovens de até 30 anos responderam a um questionário on-line sobre como lidam com seus relacionamentos no mundo virtual.

O resultado mostrou que 20% da galera entre 22 e 30 anos já fizeram uso de algum mecanismo virtual para terminar um relacionamento.

Já entre os menores de 21, o número é ainda maior: 48% já deram ou levaram um pé na bunda on-line.

Apesar de informal, a pesquisa revelou a tendência de que a internet, aliada à força que têm as comunidades virtuais, está transformando o modo de os jovens se relacionarem não apenas quando querem conhecer gente nova ou começar um namoro.

A facilidade com que se pode dispensar alguém virtualmente sem ter de enfrentar todo aquele "gelo" do momento agora faz parte da dinâmica da fase mais difícil da relação.

Conversa de oito horas

Raquel Faila, 23, tinha um relacionamento de idas e vindas, em que a proximidade era mantida por meio da internet.

"Como a gente sempre tinha pouco tempo para se ver, MSN e e-mails faziam parte do nosso namoro", diz.

Só que a internet acabou se tornando o único meio de interação do casal, até que eles decidiram se encontrar pessoalmente com mais frequência.

"Nossos encontros ao vivo não eram legais. O resultado: terminamos tudo pela internet, numa conversa que durou mais de oito horas. Foi a primeira vez que discutimos a relação daquele jeito, em mais de cinco anos."

Com Ariane Almeida, 14, foi diferente. Depois de ver uma suspeita de traição no perfil do namorado no Orkut, ela terminou tudo via MSN.

"A gente estava junto há quatro meses e, depois das férias, eu não aguentei ver que ele estava com outra. Terminei tudo pela internet mesmo, foi mais rápido e fácil."

Analisando as diferenças entre a internet e o cara a cara, na hora de dar ou receber um pé na bunda, ela não hesita.

"Se eu for dar um fora, prefiro que seja pela internet, assim não preciso ficar sabendo o que o outro está sentindo ou pensando. Já se eu for tomar um, é melhor que seja pessoalmente, assim eu posso me defender."

Renato Pinhel, 21, já esteve no papel de vítima. Assim que viajou para fazer intercâmbio, numa conversa via webcam, foi surpreendido com um fora.

"Achei que isso poderia ter sido feito por telefone ou ao vivo, antes da viagem. Eu fiquei totalmente sem reação, não sabia se quebrava a tela do computador ou se pegava o primeiro avião de volta para o Brasil."

Sobre a dolorida forma virtual de se terminar um relacionamento, comenta: "Foi muito insensível. Cruel mesmo".

Depois de um mês "ficando" a sério, Aline de Matos, 18, decidiu levar o novo namorado para conhecer sua família, durante a festa de Ano Novo.

"Não sei o que aconteceu, se ele não gostou da minha família, mas, no mesmo dia, ele terminou comigo por MSN."

Aline ficou desnorteada. "Foi muito desagradável. Por que ele não mostrou consideração e veio terminar tudo pessoalmente antes?"

Fugindo da hora difícil

Antonio Carlos Pereira, psicólogo e professor da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), considera terminar um namoro pela internet uma forma de evitar o enfrentamento.

"Isso é prático. As pessoas procuram soluções fáceis em que se comprometam pouco."

Magdalena Ramos, terapeuta na área da família e professora da PUC-SP, confirma a tendência: "Como os adolescentes querem escapar cada vez mais de situações difíceis e necessárias, eles vão se utilizar da internet para tudo, expressando o mínimo de sentimentos".

As consequências podem não ser boas para ambas as partes. Ramos diz que, apesar do alívio de não ter de lidar com as reações da outra pessoa, quem dá o fora perde por não se permitir saber o que poderia sentir, de fato, com a ruptura.

De acordo com Pereira, mais complicado é para quem recebe a notícia do fim. "Numa relação a dois, tem de existir o espaço para a pessoa soltar seus sentimentos. Na situação on-line, não há isso."

Se, naquele momento de raiva, a internet for a primeira alternativa que vier à cabeça na hora de pôr um fim na relação, uma conversa frente a frente pode deixar ambas as partes mais tranquilas.

"Terminar um namoro só pela internet é extremamente impessoal e frio. Se houver uma conversa depois, talvez a situação possa ficar mais clara", diz Pereira.

"Não podemos nos esquecer de que a melhor forma de lidar com nossas emoções é a real, não a virtual", completa.

Por Anderson Santiago - Colaboração para a Folha de São Paulo
Assine nosso Feed RSS
Últimas Notícias Gerais - Clique Aqui
As últimas | Tecnologia
21/09/2018 | Brasileiro fica quase 3 horas por dia assistindo a vídeos online; aumento foi de 135% em 4 anos
19/09/2018 | Sony anuncia PlayStation Classic, versão mini do PS1 com 20 jogos na memória
18/09/2018 | A curiosa razão por que o relógio sempre marca 9:41 nos anúncios da Apple
As mais lidas de Tecnologia
Relação não gerada ainda
As mais lidas no Geral
Relação não gerada ainda
Mauá Virtual
O Guia Virtual da Cidade

Todos os direitos reservados - 2020 - Desde 2003 à 6197 dias no ar.