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DATA DA PUBLICAÇÃO 29/08/2012 | Economia
Mercado de videolocadoras sobrevive reduzido no ABCD
Mercado de videolocadoras sobrevive reduzido no ABCD Rogério Pereira diz que alternativa tem sido oferecer outros serviços. Foto: Andris Bovo
Rogério Pereira diz que alternativa tem sido oferecer outros serviços. Foto: Andris Bovo
TV a cabo, internet e comércio de produtos piratas, são os principais problemas

Em 2002, o ABCD tinha cerca de 279 videolocadoras. Este ano, são apenas 36. O aluguel de vídeos não irá desaparecer, de acordo com profissionais do setor, mas a redução é explicada pela forte concorrência da tecnologia, que faz a vida do consumidor mais cômoda e os produtos mais baratos.

Quem trabalha em videolocadora vê cada vez menos os locadores tradicionais e aponta como culpados a TV a cabo, a internet e a pirataria, que oferecem filmes recém-saídos do cinema. “É uma categoria que está praticamente em extinção”, afirma Vagney Borges, presidente do Seaac, sindicato responsável pelos trabalhadores de videolocadoras nas sete cidades da Região.

“Normalmente quem toca videolocadora é o dono, a esposa, ou o sujeito que é aposentado, abre lá na garagem dele. Se põe alguém pra trabalhar é normalmente a filha, uma sobrinha”. Ainda de acordo com dados da entidade, contabilizando o ABCD mais as regiões de Mogi das Cruzes, Suzano, Poá, Ferraz de Vasconcelos e Biritiba Mirim, havia em 2002, 1.754 empregados no setor dentro da base territorial do sindicato. Hoje o número foi reduzido para 150.

Blue-ray - “Hoje, com a TV a Cabo, internet e toda essa novidade que veio com a tecnologia praticamente acabou com as videolocadoras. Sem contar a pirataria”, afirma Vagney.

No meio de tantos problemas surge a mídia blue-ray, mais difícil de piratear por ser mais cara que um dvd (cerca de R$ 4 por unidade) e oferecer qualidade melhor que os filmes copiados.

A mídia blue-ray aparece como um possível novo fôlego para o mercado. “Com o surgimento do blue-ray voltou a busca pela qualidade”, afirma Luciano Damiani, presidente do Sindemvideo (Sindicato das Empresas Videolocadoras do Estado de São Paulo). Ele ressalta que hoje os aparelhos reprodutores do blue-ray estão se tornando mais acessíveis à população, conforme ficam mais baratos. “Só não se pode esperar um crescimento como o da transição do VHS para DVD.”

Locação online também absorve fatia do mercado
Empresas como Saraiva Digital, Sky Online, EnterPlay, Netflix, Blockbuster Online, Pipoca Online e Netmovies vendem filmes para serem assistidos na internet, por pagamento mensal ou unitário. Algumas ainda têm sistema delivery, que leva o filme em DVD ou blue-ray na casa das pessoas.

O que para o Seaac é o motivo da quase extinção das locadoras tradicionais, para o sindicato patronal da categoria, que abrange os dois segmentos, é uma concorrência positiva. “A locação online lembra ao consumidor a existência das locadoras. Concorrer com coisa paga é mais tranquilo (em relação à pirataria que é clandestina)”, destaca Luciano Damiani. Mas ele coloca um problema: “Não é toda a população que tem conexão de internet. Os serviços online trabalham com catálogo e não com lançamentos”.

Elton Ishikawa, proprietário da videolocadora Shark, em Santo André, minimiza o efeito da locação online. “Cada um tem sua fatia de mercado, não atrapalha. A culpa é do pessoal mesmo que não se conscientiza, o cara que está comprando o DVD pirata está ajudando o crime organizado.”

Paulo Araújo, atendente da Video In, em São Bernardo, ressalta a influência da locação online. “O consumidor prefere filmes originais, só compra piratas por falta de dinheiro”. Araújo sente a redução do mercado. “A mídia blue-ray ajudou a manter as vendas de uns seis meses para cá. Mas em geral tem diminuído bastante”.

Outros serviços são forma de sobrevivência
“Eu sobrevivo, ainda não fechei porque coloquei outras coisas aqui. Eu tiro fotografia, faço xerox, plastificação e subloquei o fundo da loja para uma oficina de informática. Locadora não representa nem 10% do faturamento”, conta Rogério Pereira, proprietário da Compact, em Santo André.

Pereira, que tinha mais duas locadoras na cidade, lamenta a dificuldade para oferecer aos clientes filmes menos comerciais, como de cultura. “As pessoas não estão preocupadas com qualidade, querem novidade. Filmes que eu ainda não tenho nem previsão de quando a produtora vai lançar, já está disponível por vendedores de filmes piratas. Aí eu tenho poucos clientes que ainda não assistiram. Se eu pegar o preço do filme [menos comercial] e dividir pelo número de clientes, eu não pago o seu custo. É uma pena”, afirma. “Eu tenho cliente que vem aqui e pergunta por um filme do Charles Chaplin. Esse já foi cliente ativo, mas deixou de ser por causa da pirataria. Eu aviso, você está sendo atendido, mas seu neto não vai ser. Eu tenho agora um Macunaíma [filme brasileiro de 1969], mas ele não vai encontrar. Quando eu comprei esses filmes sabia que não me dariam retorno comercial. Mas é uma questão de acervo e atendimento. Hoje eu não tenho dinheiro para comprar isso”.

Para Eduardo Becker, economista da Esags (Escola Superior de Administração e Gestão), oferecer outros serviços nas videolocadora é uma solução momentânea que apenas atrasa o fim do negócio. “É melhor o empresário já ir se preparando para mudar de atividade. Trata-se apenas de adiar o problema que é inevitável”, ressalta.

Por Arthur Gandini - ABCD Maior
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