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DATA DA PUBLICAÇÃO 20/07/2018 | Cidade
Mauá busca dividir com Estado custeio do Nardini
Mauá busca dividir com Estado custeio do Nardini Prefeitura abriu diálogo para obtenção de ajuda financeira; gasto mensal com equipamento é de R$ 9,5 mi. Foto: Celso Luiz/DGABC
Prefeitura abriu diálogo para obtenção de ajuda financeira; gasto mensal com equipamento é de R$ 9,5 mi. Foto: Celso Luiz/DGABC
A Prefeitura de Mauá abriu diálogo com o governo do Estado para obter ajuda financeira para o custeio do Hospital de Clínicas Dr. Radamés Nardini. O equipamento tem custo mensal médio de R$ 9,5 milhões, e a alegação da administração é que por atender pacientes de diferentes cidades, o aporte de recursos estaduais e federais deveria ser mais efetivo. “O único hospital que tem de referência, antes de Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires, é o Nardini”, argumentou o secretário de Governo e de Saúde de Mauá, Antonio Carlos de Lima, em recente entrevista coletiva.

Na semana passada, a prefeita interina Alaíde Damo (MDB) esteve com o secretário-adjunto da Secretaria de Estado da Saúde, Antonio Rugolo Júnior. Apesar de afirmar que “as portas da Pasta estão abertas para a cidade”, o gestor não firmou qualquer compromisso de ajuda. Segundo a administração, atualmente o hospital recebe repasse estadual de R$ 950 mil ao mês. Do governo federal chegam mensalmente outros R$ 4,3 milhões.

A Prefeitura tem buscado parceria dos governos estadual e federal para mais apoio nesse custeio, uma vez que o hospital não atende somente a população de Mauá. Segundo a administração, de janeiro a maio deste ano, dos 5.133 atendimentos prestados, 892 foram para munícipes das cidades de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Suzano, Ferraz de Vasconcelos, Mogi das Cruzes, Vargem Grande Paulista, Carapicuíba, Franco da Rocha, Santos e Montes Claros, além de São Mateus, bairro de São Paulo,. Nesse período, a maior parte dos pacientes veio de Ribeirão Pires (409), Rio Grande da Serra (262) e São Paulo (115).

No último dia 6, a prefeita assinou decreto de calamidade financeira, um dia antes do período estipulado pela lei eleitoral que proíbe novos repasses do governo estadual para as prefeituras. “Esse decreto foi pensado justamente porque precisamos ter responsabilidade. Não posso gastar mais do que o permitido e deixar que essa situação perdure mês a mês”, destacou Lima.

Entre as medidas adotadas pela FUABC (Fundação do ABC), gestora de equipamento de Saúde na cidade, e pela administração para cortar gastos está a readequação do atendimento do pronto-socorro do hospital, que voltou a ter atendimento referenciado apenas para casos de urgência, ginecologia, psiquiatria e ortopedia. O cancelamento de cirurgias eletivas (agendadas e que não são de urgência) também foi uma das decisões no controle dos gastos, adotada em junho.

A Secretaria do Estado da Saúde informou, por meio de nota, que desde 2017, até o momento, foram repassados R$ 17,1 milhões para o custeio do Hospital Nardini, e ainda estão previstos outros R$ 18,9 milhões a serem pagos até dezembro de 2019. Tais recursos visam ajudar a cobrir o subfinanciamento federal na área da Saúde.

“Além disso, o Estado repassou R$ 6,5 milhões, em 2014, para reforma da ala de urgência e emergência do hospital, finalizada em dezembro de 2017”, declarou o comunicado. Não há previsão para retomada das cirurgias eletivas.

Pcientes sofrem com cancelamento de cirurgias e demora em exames

O cancelamento de cirurgias eletivas no Hospital de Clínicas Dr. Radamés Nardini foi uma das medidas adotadas pela Prefeitura de Mauá e pela FUABC (Fundação do ABC) para reduzir os custos com a Saúde e tentar equilibrar a dívida da administração com a instituição, que já ultrapassa os R$ 120 milhões.

Aposentada de 70 anos – não quis ser identificada – diz que foi atropelada e desde setembro espera por cirurgia no braço. “Fui ao hospital e fiquei aguardando a cirurgia, que estava marcada para o dia 3 de julho. Internei às 6h30 e esperei até por volta das 13h. Aí me avisaram que não poderia ser operada, porque não tinham os pinos no hospital”, lamentou.

A aposentada conseguiu encaminhamento para tentar a cirurgia em outro hospital, mas teme que o tempo de espera seja mais um fator a dificultar a sua recuperação. “Já tenho 70 anos. E se esses pinos não se fixarem?”, questionou.

A doméstica Marcia Regina de Carvalho, moradora do Jardim Itapark, esteve com o filho no hospital em junho. Com um caroço no pescoço, o jovem de 27 anos precisava ser atendido por um especialista, profissional que a rede municipal não dispõe. “Primeiro ele ficou oito dias internado e depois uma semana. Mas cada vez que tinha que fazer um exame, tinha que ir para outro local, porque no hospital mesmo não estão mais fazendo”, relatou.

Dívida com FUABC passa de R$ 120 mi e cresce a cada mês

A dívida da Prefeitura de Mauá com a FUABC (Fundação do ABC), responsável por administrar os equipamentos de Saúde da cidade, já ultrapassa R$ 120 milhões e cresce a cada mês. O governo não reconhece esse valor, mas admite que os repasses feitos à instituição são insuficientes para cobrir todas as despesas. “Teríamos que repassar R$ 17 milhões, mas temos repassado R$ 12 milhões ao mês”, admitiu o secretário de Finanças, Valtermir Pereira.

A FUABC chegou a manifestar, no fim de maio, interesse em não renovar o contrato de prestação de serviço para a Prefeitura, mas o convênio foi estendido a pedido da administração. Desde 30 de junho, o MP (Ministério Público) acompanha a busca de solução para o impasse. A notificação ao MP foi feita pela FUABC e o novo prazo para o término do contrato é 30 de julho. Apesar de não reconhecer a dívida e ainda não ter formalizado plano de ação que contemple a readequação dos gastos e o pagamento da dívida, o Paço já admitiu que pretende continuar com a convênio. “Não temos um plano B. Para comprometer o menos possível o atendimento à população, temos que continuar com a Fundação”, declarou o secretário de Governo e de Saúde, Antonio Carlos de Lima.

A FUABC informou que aguarda para o fim deste mês assinatura de TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para regulação do próximo contrato, pelo qual estarão detalhados o novo plano operacional para a FUABC em Mauá e o organograma para pagamento da dívida da Prefeitura. “Em comum acordo, FUABC e a atual gestão, em atendimento às recomendações do MP, estão adotando medidas emergenciais que objetivam evitar o colapso do sistema de Saúde do município e manter em funcionamento o Hospital de Clínicas Dr. Radamés Nardini – o único hospital público da cidade”.

Por Aline Melo - Diário do Grande ABC
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