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DATA DA PUBLICAÇÃO 14/08/2012 | Setecidades
Jeito caipira de viver ainda se mantém no ABCD
Jeito caipira de viver ainda se mantém no ABCD Donizete Evangelista: Aqui é muito tranquilo e gosto muito de lidar com os animais. Foto: Luciano Vicioni
Donizete Evangelista: Aqui é muito tranquilo e gosto muito de lidar com os animais. Foto: Luciano Vicioni
Mesmo colada à maior metrópole do País, algumas áreas da Região ainda guardam a calmaria típica do campo, com criação de animais

É comum pensar que nos locais mais escondidos e distantes do ABCD existam apenas franjas da Mata Atlântica, estradas vicinais desertas, um ou outro bairro afastado e rodovias. Mas a vida no campo, como imaginamos longe dos centros urbanos, é ativa aqui na Região e guarda ainda muito dos trejeitos mais interioranos e, por que não, caipiras. O lado rural do ABCD é lugar tranquilo onde o chão é esverdeado pelo pasto e escuro avermelhado da terra fértil e quase virgem, diferente do cinza sujo do asfalto.

Riacho Grande pós-balsa, vicinais da estrada Velha para Santos, pequenas entradas dispersas pela Imigrantes e Anchieta, divisas tríplices, como Mauá, Ribeirão Pires e Suzano e também Paranapiacaba e Rio Grande da Serra são lugares onde pessoas do campo vivem de modo simples com suas atividades cotidianas, como a lida com cavalos, vacas leiteiras, porcos, galinhas, patos, avestruzes e cabras.

Rancho
Próximo à estrada das Sete Cruzes, que liga Mauá e Ribeirão a Suzano, Shirlei Pinheiro, 43 anos, e a família tocam um rancho com criações de várias espécies. As cabras são vendidas a R$ 8 o quilo do animal vivo. A sede da propriedade também serve como comércio de rações, celas e todo o tipo de material de que necessita o homem do campo. Ali é ponto de encontro para campeiros vizinhos.

Um dos empregados, Donizete Evangelista, 39 anos, se orgulha da vida que escolheu. “Nasci e fui criado no campo. Já trabalhei em fazendas no Interior de São Paulo e Mato Grosso”, conta. Assim como a patroa, o peão não pretende trocar o campo pela vida na cidade. “Aqui é muito tranquilo e gosto muito de lidar com animais.”

De botas, chapéu nordestino, canivete junto ao cinto de couro, Evangelista gosta de mostrar a prática adquirida. “Trabalho no campo desde os oito anos. Acordo cedo e vou ordenhar as vacas, depois dou comida para as outras criações”, descreve, acrescentando que consegue tirar 35 litros de leite em 30 minutos. Todas as tardes, segue pela estrada do Carneiro para tocar a boiada que passou o dia pastando e volta para o curral da propriedade de Shirlei.

Em casa de ferreiro, lança se transforma em ferradura

Precisar quantas unidades rurais existem no ABCD é tão complicado quanto chegar a uma delas. O IBGE computa 12,8 mil pessoas, somente em São Bernardo, que moram na zona rural. Não é que o instituto ignore as demais propriedades, os dados são colhidos com base na legislação das prefeituras que definem o que é área rural.

Mesmo sem saber quantos campeiros existem de fato no ABCD, comerciantes exploram há décadas o mercado rural na Região. Em São Bernardo, onde a criação de cavalos se destaca na região do Riacho Grande, lojas vendem suplementos alimentares, medicamentos, selas, arreios, cabrestos, freios, esporas e todo tipo de material para montaria de passeio. “Alguns consumidores vêm uma vez por mês para fazer compras. Essas pessoas vivem mais no campo”, contou o gerente da JC Tavares, César Tavares, 40 anos.

Artesanal
Ainda é possível encontrar antigos ferreiros especialistas na confecção de ferraduras. A técnica foi aprendida com o tempo, como conta seu Alcino Carlos Alberto, 51 anos. “Faço ferraduras há 25 anos. Já trabalhei em empresa, mas, como fui criado em fazenda, preferi voltar para o campo.” Hoje atende dois haras. “Mas tenho vários clientes com quem trabalho há anos”, explica.

Seu Alcino usa lanças metálicas de portões velhos para fabricar as ferraduras. Serra pequenos pedaços da barra, lixa as pontas e aquece os bastonetes em forno de barro. Tudo é feito na pequena oficina que mantém no quintal de casa, onde vivem galinhas, carneiros, um cavalo e uma mula. Quando o metal está incandescente, vermelho e crepitando, é hora de seu Alcino usar marreta e bigorna. A labuta dura menos de hora. Com o semiarco moldado, o ferreiro remove as rebarbas e passa ao processo de perfurar a ferradura. “Aprendi quando novo, olhando um ferreiro que trabalhava perto do sítio de meu pai”, revela Alcino, olhando com orgulho o material recém-forjado.

Trecho Leste do Rodoanel desapropria última olaria da Região, em Ribeirão Pires

A Olaria do Pilar, em Ribeirão Pires, encerrou seus trabalhos em novembro passado, quando as obras de construção do Trecho Leste do Rodoanel Mário Covas chegaram ao distante Jardim Sampaio Vidal. Foi através da produção oleira que Jair Ramos, 68 anos, criou 12 filhos. Ele adquiriu a propriedade há 44 anos e, de acordo com seu Jair, a olaria já funcionava naquela época. “A gente produzia 4,5 mil tijolos por dia”, relembra. Parte do terreno foi desapropriada, restando apenas uma área onde estão uma pequena tapera, algumas árvores frutíferas e o velho caminhão de seu Jair. O antigo forno e o local de secagem dos tijolos foram tomados pelo canteiro de obras do Rodoanel. E seu Jair não sabe se terá indenização.

Os tijolos da Olaria do Pilar serviram para construir casas, casarões, igrejas e até mesmo parte da Prefeitura de Mauá, conforme descreveu o proprietário. Toda a produção era feita ainda conforme os métodos antigos, usando as mãos para revirar o barro e lenha para aquecer o forno. Mas ali também se criavam porcos, galinhas, vacas leiteiras e havia um pomar.

Seu Jair lembra quando podia abrir a janela na pequena tapera, avistar o grande morro de mata verde que se erguia por trás do antigo forno. “Toda a minha história está aqui”, lamenta. Um dos filhos, Carlos, 39 anos, ainda ajudava o pai na olaria. “Tive de arranjar outro emprego para ajudar meu pai, que já está de idade”, explica.

Indenização
A SPMar, empresa responsável pelas obras do Rodoanel naquela área, informou em nota que “os funcionários só trabalham em áreas legalmente autorizadas, ou seja, que já tiveram o valor da indenização depositado pela concessionária e a liberação pelo juiz do documento de imissão de posse”.

Além disso, a empresa ressaltou que, “se o processo de desapropriação foi definido amigavelmente, o pagamento já foi realizado perante o juiz. Se o valor de indenização teve que ser determinado pelo laudo do perito contratado pelo juiz, a concessionária realiza o pagamento em juízo, conforme rege a legislação. Neste caso, cabe ao proprietário do imóvel solicitar o que lhe é de direito, não tendo a SPMar nenhuma gestão sobre este processo”.

Por Renan Fonseca - ABCD Maior
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