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DATA DA PUBLICAÇÃO 06/09/2008 | Educação
Irmãos que estudam apenas em casa são aprovados em exame
Os dois adolescentes de Timóteo (216 km de Belo Horizonte) que deixaram a escola há dois anos, e estão sendo ensinados pelos pais em casa, foram aprovados no conjunto de provas determinadas pela Justiça para avaliar se o conhecimento deles é compatível com o de alunos matriculados no ensino regular.

Davi, 15, e Jônatas, 14, tiraram notas médias de 68 e 65, respectivamente, em oito disciplinas, português, inglês, matemática, ciências, geografia, história, arte e educação física. A nota mínima para serem aprovados era 60.

Os pais dos meninos, Cleber e Bernadeth Nunes, estão sendo processados nas áreas cível e criminal por terem retirado os filhos da escola, se forem condenados, podem perder a guarda dos garotos, conforme a Folha revelou em junho. Eles alegam ser adeptos do ensino domiciliar ("homeschooling"), mas a prática é proibida pela legislação brasileira.

Segundo a promotora de Justiça de Timóteo Maria Regina Perilli, Davi e Jônatas tiraram uma média geral acima de 60, mas tiveram notas inferiores em algumas matérias isoladas. Ela não sabe se isso poderá influenciar na decisão judicial.

A Folha não teve acesso às provas, mas apurou que Davi tirou 46 em ciências e 58 em educação física (ele teve notas acima de 70 em inglês, geografia e história). Já Jônatas teve notas baixas em matemática e história (tirou 54 e 37 respectivamente), mas foi bem em português, arte e educação física.

"Achei que foi uma avaliação injusta por estar muito acima do nível exigido dos estudantes brasileiros. A prova de matemática continha questões retiradas de vestibulares da UFMG, Fuvest, PUC e Enem", diz o pai, Cleber Nunes.

"Gostaria muito que essas mesmas provas fossem aplicadas para alunos da rede pública e privada. Além disso, recebemos a listagem com as matérias com apenas uma semana de antecedência", acrescenta.

Antes das provas, a Secretaria de Estado da Educação havia informado que elas foram elaboradas por 16 professores e tinham testes dissertativos e de livre escolha de conhecimentos gerais e de conteúdos curriculares compatíveis com a idade e referentes às sétima e oitava séries do ensino fundamental.

Ontem, a Folha deixou três recados para falar com a equipe pedagógica que havia aplicado a prova nos meninos, mas ninguém ligou de volta.

A promotora Perilli afirma que, embora o resultado das prova seja uma peça importante no processo, ainda falta juntar a ele o depoimento de uma testemunha de defesa do casal Nunes -que será ouvida por carta precatória em Anápolis (GO). Só então o juiz vai decidir se os meninos podem ou não continuar estudando em casa, longe dos bancos escolares.

Para Cleber Nunes, os filhos demonstraram muito mais do que a capacidade de assimilar e armazenar informações. "Eles mostraram seus potenciais em lidar com desafios, com disciplina, garra e persistência. Agora, resta esperar que a Justiça use de bom senso e nos deixe seguir nosso caminho. Não é justo que sejamos tratados como delinqüentes porque queremos fazer o melhor para nossos filhos."

Em geral, os educadores são contrários à prática do ensino em casa. Dizem que o convívio escolar tem um papel importantíssimo na vida da criança e do adolescente, especialmente na superação do egocentrismo.

Por Cláudia Colluci - Folha de São Paulo
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