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DATA DA PUBLICAÇÃO 05/07/2008 | Geral
Inverno, época da gripe
Com o inverno, nada mais oportuno do que conversarmos sobre as gripes e os resfriados, pois é agora que a incidência dessas afecções aumenta. Na verdade, gostaria mesmo de falar sobre a vacina da gripe.

Apesar das campanhas de vacinação, uma boa parte das pessoas ainda não está esclarecida sobre a importância da vacinação contra a gripe. Argumentos como “alguém em casa pegou gripe mesmo tomando a vacina”, “eu nunca pego gripe”, “ano passado tive reação à vacina”, são fruto do desconhecimento sobre as verdadeiras propriedades dessa vacina e contribuem para o fracasso das campanhas.
Antes de qualquer coisa, é importante entendermos a diferença entre o resfriado comum e a gripe. Ambas afecções são causadas por vírus e transmitidas de pessoa para pessoa através da tosse ou espirros de pessoas infectadas.

O resfriado comum, no entanto, é uma doença mais branda que a gripe e causa menos complicações. Caracteriza-se por febre baixa, coriza (escorrimento transparente), congestão nasal, irritação da garganta e não costuma durar mais de 3 a 5 dias. Os vírus causadores em adultos são o rinovírus, o adenovírus e o parainfluenza. Estes vírus têm a capacidade de mudar constantemente suas características, desta forma tornando impossível adquirirmos imunidade, e portanto, estamos sempre suscetíveis a novas infecções. Eventualmente, alguns vírus como o adenovírus e o parainfluenza podem causar infecções com sintomatologia mais intensa, mas dificilmente ocorrem casos fatais ou epidemias.

A gripe é causada somente por um vírus chamado influenza e é responsável por sintomas mais intensos e de instalação abrupta. A febre é geralmente alta e pode durar até 5 dias. Quase sempre há dor de cabeça, dores musculares, queda do estado geral e tosse, inicialmente seca. Dor de garganta, congestão nasal e tosse costumam se agravar com a evolução do quadro. A doença é auto-limitada, porém os sintomas podem durar até 3 semanas. O período de incubação é de 1 a 4 dias. As pessoas são contagiosas desde o dia anterior ao início dos sintomas até aproximadamente 5 dias de doença. Crianças podem ser contagiosas por períodos maiores.

Os vírus influenza causam doença em todos os grupos etários. As taxas de infecção são maiores entre as crianças, mas as taxas de doenças sérias e morte são maiores entre as pessoas acima dos 65 anos de idade, pois nessa faixa etária há uma maior incidência de condições médicas que os colocam em maior risco de complicações pela influenza.
A gripe então pode gerar complicações que são responsáveis por milhares de mortes anualmente e que, portanto, justificam a vacinação em massa.

O vírus influenza modifica-se constantemente. A cada 10 anos essas modificações são mais drásticas, o que acarreta alterações na sua estrutura e torna os indivíduos mais susceptíveis às infecções graves. A baixa imunidade da população em geral contra este vírus agora com características completamente distintas, pode causar epidemias ou até mesmo pandemias (atinge vários países e continentes), durante as quais as taxas de doença e morte por complicações relacionadas à influenza aumentam consideravelmente no mundo todo. Durante o século XX as pandemias ocorreram aproximadamente a cada 30 anos sendo as mais famosas a gripe espanhola em 1918, que causou a morte de 20 milhões de pessoas e a “supergripe” de 1999 que acometeu o hemisfério norte durante o inverno e gerou um aumento substancial nas internações hospitalares e óbitos e superlotou as UTIs dos EUA e Europa.

Normalmente, a gripe melhora após vários dias para a maioria das pessoas, embora a tosse e o mal estar possam persistir por duas semanas ou mais. Pessoas com mais de 60 anos, ou com doenças ou gestantes podem apresentar quadros clínicos mais graves, como pneumonia pelo próprio vírus ou decorrente de uma complicação bacteriana. Acometimento cardíaco e neurológico já foram descritos em casos graves. Pessoas jovens e sem doenças crônicas raramente apresentam quadros graves, exceto durante epidemias. A principal opção para reduzir o impacto da influenza é a imunoprofilaxia com a vacina de vírus atenuado (vírus mortos).

Ultimamente algumas drogas têm surgido para o tratamento da influenza e são um importante auxilio à vacinação mas não um substituto. Esses novos medicamentos antivirais, só têm valor quando administrados nas primeiras 72 horas após o início do quadro e necessitam supervisão médica.

Algumas vezes, após a administração da vacina, podem ocorrer sintomas de gripe ou resfriado. Esses sintomas não são uma reação à vacina pois essa é feita a partir de vírus inativados, e portanto, não pode causar a gripe. A vacina da gripe oferece proteção apenas contra o vírus influenza, responsável pelo tipo mais grave de gripe. Portanto, infecções menos severas, causadas por outros vírus podem ser a explicação para os resfriados que ocorrem após a administração da vacina. Além disso, o tempo necessário para se obter o efeito protetor da vacina é de 15 dias. Nesse período é possível contrair-se a gripe, apesar da pessoa ter sido vacinada. A vacina também só é eficaz em 70 a 90% das pessoas que a recebem. De qualquer forma, em caso de acontecer a infecção numa pessoa previamente vacinada, o quadro clínico costuma ser mais brando.

Reações adversas são raras, mas podem ocorrer febre e, principalmente, dor no local da aplicação com duração de até 2 dias. A vacina deve ser repetida anualmente, pois a cada ano, sua composição é modificada em conformidade com as características dos vírus circulantes.

A vacina deve ser aplicada durante o início do outono, em pessoas consideradas como grupo de risco para complicações da gripe (ver quadro abaixo) ou, a critério médico, a qualquer indivíduo com mais de 6 meses de idade.

No Brasil, não há estatísticas oficiais referentes à incidência e mortalidade pelo vírus influenza. Entretanto, formou-se um grupo de vigilância da gripe (Vigigripe), para análise dos tipos de vírus circulantes em indivíduos com sintomas respiratórios, tendo-se observado que o vírus influenza foi identificado em aproximadamente 16% dos casos. Estatísticas americanas mostram que, a cada ano, 170.000 hospitalizações e 20.000 a 40.000 óbitos podem ser atribuídos à infecção pelo influenza. Oitenta a 90% dos óbitos ocorrem em pessoas com mais de 65 anos.

Conclusão: a vacina da gripe deve ser administrada nos meses que antecedem o inverno à pessoas que têm risco de ter complicações sérias. Estão incluídas neste grupo de risco pra a infecção pelo influenza:

1. indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos,
2. adultos ou crianças residentes em casa de repouso ou outras instituições,
3. adultos ou crianças com doenças crônicas,
4. adultos com asma, imunodeprimidos,
5. crianças ou adolescentes que recebam ácido acetil salicílico cronicamente,
6. indivíduos que possam transmitir o vírus às pessoas dos grupos supracitados: profissionais da saúde e familiares (porque podem transmitir o vírus às pessoas do grupo de risco).

A vacina protege apenas contra o vírus influenza, causador da gripe e não do resfriado, que é uma infecção mais branda. Não existem reações adversas à vacina, a não ser para pessoas alérgicas a ovo, timerosal e a neomicina (procure ler o rotulo da vacina para ver se você é alérgico a algum dos seus componentes).

Praticamente não existem contra-indicações à vacina, porém não devem tomar a vacina:
1. mulheres no primeiro trimestre da gravidez,
2. pessoas com doenças neurológicas em evolução,
3. durante quadros febris.

Para se obter mais informações:

www.vigivirus.com.br
www.saude.sp.gov.br
www.cdc.gov

Por Dr. Mauricio Kurc
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