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DATA DA PUBLICAÇÃO 28/06/2015 | Cidade
Iniciativa que renova associações de bairro saiu da Vila Santa Cecília
As associações de amigos de bairro são instrumentos importantes de amparo à comunidade. No entanto, para que o trabalho delas seja efetivo, é fundamental que toda a população daquela localidade esteja envolvida e, para isso, é preciso estímulo.

Moradora da Vila Santa Cecília, em Mauá, Daniele de França Godoy, 30 anos, cresceu com essa percepção, já que a família era atuante nesse tipo de entidade. Ela teve a ideia de um projeto que levasse revitalização às sedes dessas organizações por meio do grafite, integrando a juventude.

Em 2009, a Vila Santa Cecília começava a passar por processo de transformação. Centenas de casas foram desapropriadas para dar lugar à parte do complexo viário Jacu-Pêssego. A jovem sentiu a necessidade de reaproximar os moradores que resistiram à obra e percebeu que muito poderia ser feito, desde que houvesse compromisso de interagir e transformar positivamente o entorno.

A alguns amigos, Daniele comentou sobre o desejo de fazer esse trabalho e a proposta começou a tomar forma com a chegada de mais gente para endossar o plano. Há dois meses nasceu o projeto Reggae na Associação. “Nós vamos até a entidade, levantamos as necessidades dos moradores e se toda a comunidade está empenhada em ajudar. Depois, coletamos doações (como tintas e outros materiais necessários para a reforma) e fazemos um mutirão. Ao final, sempre em um domingo, fazemos uma confraternização no espaço para comemorar a ação que foi feita, levando música, no caso, do estilo reggae”, explica Daniele, que há oito anos é presidente da Associação de Amigos de Bairro da Vila Santa Cecília, sediada na garagem de sua casa. “Nessa mesma ocasião acontecem outras atividades, como a venda de sucos e lanches feitos pelos próprios moradores. Parte desse dinheiro é utilizada de acordo com as necessidades de cada bairro, como para a instalação de uma horta comunitária, por exemplo. Cabe a eles decidirem”, completa.

A soma do grafite com o reggae também objetiva quebrar preconceitos. “O reggae tem uma cultura que vale a pena ser repassada. É uma música que transmite mensagens de paz. Já o grafite, muitas pessoas não reconhecem a arte, então, agregando os jovens a esse projeto acaba desmitificando, não só para os pais, mas para os moradores em volta. A gente fortalece muito a cultura urbana”, salienta.

OPORTUNIDADE

A associação que a jovem preside tem possibilidade de ganhar recursos financeiros para alavancar o projeto. “A Petrobras tem responsabilidade ambiental com todos os bairros no entorno do Polo Petroquímico, e irá patrocinar um projeto em cada bairro. Se o nosso for aprovado, quero investir em uma oficina de arte para que a gente consiga agregar música, grafite e outras manifestações artísticas.”

Mais que arte e renovação às associações de moradores, a iniciativa de Daniele e seus amigos leva uma mensagem. “Tem várias associações que estão abandonadas na cidade. Nossa ação visa despertar o jovem, que não tem noção do que pode ser uma associação de bairro e que, se rolar uma união entre todos, dá para reativar e melhorar a qualidade de vida daquela comunidade como um todo”, garante.

Para realizar sonho de infância, morador passa a projetar triciclos

O funileiro de automóveis Moises Hipolito da Silva, 51 anos e morador da Vila Santa Cecília, tinha um sonho desde criança: ter um triciclo motorizado. O tempo passou, ele cresceu, mas o desejo continuava.

Certo dia, um amigo dono de um veículo do tipo comentou que, para fazê-lo, não era preciso a megaestrutura de uma fábrica. Silva, então, não pensou duas vezes e partiu para a ação. “Quando comecei, os vizinhos queriam me internar. Eu era taxado de louco, pois eles achavam que era impossível, que tinha que fazer em uma montadora específica. Mas não desisti. Pegava uns tubos e modelava no papelão para ter ideia do que ia ser feito, porque eu não tinha referência nenhuma”, conta.

A parte mecânica é derivada de um Fusca. “Mas pode colocar de qualquer carro, é que o Fusca é a base mais fácil que tem”, explica. O restante do veículo, de 3,5 metros de comprimento, foi todo criado por ele.

A montagem foi árdua. “Não foi fácil. Tinha dificuldade para comprar pneu, roda, motor. A documentação foi muito complicada também. O processo foi longo: levei dois anos para construir o modelo.”

Em 2005, o triciclo azul ficou pronto. Ele lembra, aos risos, da estreia. “Fui andar na Avenida dos Estados e achei que ia desmontar. Foi difícil acreditar que estava funcionando.” A velocidade, segundo ele, pode chegar a 140 km/h.

A realização impulsionou o desejo de outras pessoas. “Já fiz uns seis sob encomenda”, fala ele, que está produzindo três atualmente. O custo da criação, de acordo com Silva, fica em torno de R$ 25 mil.

O sonho do funileiro não parou por aí. “Agora estou construindo um minitrailler para colocar atrás do meu triciclo. Ele terá um metro de altura, com cozinha e capacidade para duas pessoas. Vi em um site norte-americano e tive a ideia de fazer um”, diz ele, que, além do veículo de três rodas, tem um Fusca 1963. “Mas ele está abandonado, coitado, nunca mais rodou. Prefiro o triciclo.”

Morador ajuda a revitalizar área que era tomada por lixo

Vivendo há três décadas na Vila Santa Cecília, o aposentado Arnaldo Rodrigues, 77 anos, viu seu bairro se transformar com as obras de prolongamento do Complexo Jacu-Pêssego. Ao lado de sua residência, havia uma outra casa até o empreendimento começar, mas o imóvel foi desapropriado para a execução dos trabalhos.

O espaço ficou por muito tempo tomado por entulho. “Com a sujeira, muita gente acabava jogando mais lixo aqui. Era um transtorno”, recorda.

Em 2010, o viário foi concluído. A Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), responsável pela construção, retirou os resíduos e plantou grama na área. Rodrigues, então, uniu esforços com os demais vizinhos para dar um pouco de vida ao local. “Plantamos algumas árvores porque senão iria virar um lixão.”

Ele deu várias contribuições. “Plantei um pinheirinho, pé de goiaba e de abacate”, lista. “Se deixarem crescer, daqui alguns anos terá frutas para o pessoal do bairro.”

Tanto ele quanto os outros moradores tornaram-se fiscais para preservar o terreno. “Um sempre ajuda o outro. Quando a gente vê alguém jogando lixo, damos bronca”, frisa. “O importante é manter sempre limpo, para evitar insetos e ratos, do contrário, vira bagunça”, acrescenta.

Rodrigues gostaria que o poder público também colaborasse com o espaço. “Poderiam transformar em uma praça, fazer parquinho para as crianças, colocar uma mesinha para o pessoal jogar dominó, se divertir. O que nós podíamos fazer, fizemos.”

Por Vanessa de Oliveira - Diário do Grande ABC
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