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DATA DA PUBLICAÇÃO 17/03/2015 | Economia
Indústria amplia ações de redução do consumo de água na região
 Indústria amplia ações de redução do consumo de água na região Foto: Divulgação/Termomecânica
Foto: Divulgação/Termomecânica
As chuvas acima da média histórica neste mês e em fevereiro ajudaram a elevar os níveis das represas, mas o problema da crise hídrica no Estado de São Paulo persiste, trazendo preocupação tanto para consumidores quanto para as empresas. Do lado das indústrias, muitas na região já vinham se preparando há alguns anos, adotando estratégias sustentáveis, com objetivo de redução de custos com o insumo e, agora, o foco do setor empresarial é intensificar ainda mais as ações desse tipo, que incluem utilização de poços artesianos, programas de reúso do insumo e até o reaproveitamento de água da chuva.

Um dos principais exemplos é da Braskem, que tem fábricas em Mauá e Santo André. Preocupada há tempos com a possibilidade de falta de água para seu processo fabril, a Braskem conta, desde 2012, com o programa Aquapolo, que abastece, por meio de tubulações, o Polo Petroquímico da região com água de reúso tratado pela ETE ABC (Estação de Tratamento de Efluentes do ABC), situada no bairro Heliópolis, em São Paulo. Significou investimento de R$ 364 milhões, a partir de parceria da Odebrecht Industrial e a Sabesp. A Braskem é o principal cliente, com o consumo de 65% da capacidade do programa – o restante está à disposição das outras empresas do polo para consumo industrial –, reduzindo a demanda por água potável. Em 2014, a companhia deixou de captar quase 8,8 bilhões de litros de água de recursos naturais apenas no Grande ABC. A meta agora é elevar o seu consumo de água de reúso dos atuais 28% (dado de 2014) para 40% até 2020.

Também adota iniciativas desse tipo a Basf, que tem duas fábricas em São Bernardo. A indústria química investiu R$ 49 milhões no desenvolvimento de ações ligadas ao impacto ambiental no Brasil, como o tratamento de efluentes do processo fabril e torres de resfriamento com circuito fechado, para não haver descarte, e conseguiu reduzir, entre 2012 e 2014, em 55% o consumo de água por tonelada consumida. E os esforços continuam: na região, tinha contrato para consumir 60% de água potável da Sabesp e, pela escassez do recurso para a população, fechou acordo para desistir do fornecimento da concessionária e passará a tirar 100% desse insumo de poços artesianos. Além disso, tem meta de, até 2020, diminuir em 50% a utilização de água potável para produção. Entre os planos, existe estudo para ter sistema de reaproveitamento de água da chuva.

Outro exemplo é a Termomecanica, de São Bernardo, que aportou R$ 400 mil em medidas para ampliar a reutilização da água dentro de seu complexo industrial nos últimos cinco anos. Líder no setor de transformação de metais não ferrosos (cobre e suas ligas), a empresa consome, em média, 210 m³ de água, 100% extraída de poços artesianos. Além dessa iniciativa, a criação de infraestrutura para interligar os banheiros da fábrica até uma central de armazenamento de água de reúso aliada a campanhas de conscientização dos funcionários já proporcionaram redução de 20% no volume consumido em 2014, e para este ano a intenção é trabalhar para ampliar essa margem de economia, com, entre outros planos, a ideia de expandir a área de armazenagem para águas pluviais.

A fábrica da Solarium Revestimentos, de São Bernardo, também adotou ações sustentáveis. A empresa, que até 2013 demandava em média 180 m³ ao mês, passou a 82 m³ mensais. A economia – a conta caiu de R$ 4.000 para R$ 1.500 a cada 30 dias – foi obtida com a utilização de água de reúso para limpeza de equipamentos e para a produção e também com aproveitamento da chuva para uso nos banheiros.

SETOR AUTOMOTIVO - A Volkswagen reduziu, de 2010 até hoje, em 11% a utilização do insumo por veículo produzido. A menor utilização envolve, entre outras frentes, o reaproveitamento e a captação.

A unidade Anchieta conta com parceria da Sabesp em que a fábrica envia efluentes domésticos e industriais à ETE ABC, e, de lá, retornam à unidade como água de reúso.

Além disso, a planta fabril faz captação de água da chuva, utilizada em torres de resfriamento. Atualmente, cerca de 10% dos 966 mil m² de área construída adota o sistema, para reutilização no processo produtivo.

PREOCUPAÇÃO - Mesmo com as chuvas, o cenário de disponibilidade de água para este ano e o próximo ainda é preocupante, avalia o consultor Samuel Barrêto, gerente nacional do Movimento Água por São Paulo. Estudo dessa ONG (Organização Não Governamental) aponta que a questão é crítica, já que a disponibilidade hídrica na Região Metropolitana é de 67 mil litros por segundo; enquanto a demanda atual já passa dos 70 mil litros por segundo e a previsão é chegar a 80 mil litros por segundo até 2025. Para eles, muitas indústrias ainda não têm se preparado, por meio de análises de risco, para verificar sua situação e antecipar soluções aos problemas futuros nessa área. E a questão é importante para as empresas, já que o insumo é vital para o processo fabril e, de acordo com dados do Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo), o setor industrial utiliza 40% de toda a água disponível para abastecimento em rios, poços e reservatórios da Grande São Paulo e da Baixa Santista.

O especialista cita que a água de reúso, do Aquapolo, no Grande ABC, é um avanço, mas nem todas as fabricantes da região têm acesso a esse efluente tratado. É preciso levar em conta ainda que existem diversos riscos que surgem com a crise hídrica: o regulatório, que pode ser originado com a elevação de custos, por meio de mudança na legislação – por exemplo, a revisão da outorga (autorização) de captação de água –; risco de imagem , já que o consumidor pode enxergar a empresa como culpada pelo problema de falta do insumo; e, por fim, o financeiro.

Barrêto explica ainda que existem ferramentas tecnológicas para a gestão sustentável, mas salienta que é importante haver articulação entre as empresas, para ajudar a propiciar o consumo mais eficiente e melhorar as condições das bacias hidrográficas.

Por Leone Farias - Diário do Grande ABC
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