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DATA DA PUBLICAÇÃO 28/09/2015 | Setecidades
Homicídios despencam no Grande ABC em 20 anos
Homicídios despencam no Grande ABC em 20 anos Foto: André Henriques/DGABC
Foto: André Henriques/DGABC
Década de 1990. O Grande ABC era conhecido pelos altos índices de homicídios, com casos emblemáticos como o grupo de extermínio existente na favela Naval, em Diadema. Em 2015, 20 anos depois, o número de assassinatos na região caiu até 82,28%. Em 1995, os registros correspondiam à média de 75 casos mensais. Neste ano, é de 18.

De janeiro a agosto de 1995, foram registradas 602 mortes, conforme dados levantados pelas delegacias seccionais das cidades e divulgados pelo Diário à época. O município com o maior número de casos era São Bernardo, com 188, seguido de Diadema, com 164; Santo André, com 125; e Mauá, com 80 (veja mais detalhes na arte ao lado).

Se somarmos os números dos oito primeiros meses deste ano, são 144 pessoas assassinadas, de acordo com os dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública), redução de 76% em relação ao mesmo período de 1995. Diadema acumula o maior número de casos, com 35, seguida de Mauá, com 33. Santo André e São Bernardo vêm depois, com 32 registros cada uma.

Se considerarmos apenas o mês de agosto como base de comparação, a diferença fica ainda maior: 82,28% de queda. Em 1995 foram 79 homicídios e, no mês passado, 14 registros.

Conforme o professor de Direito Penal da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rodrigo Felberg, os números ainda são altos. “Um índice de mais de 20 homicídios por mês é significativo. Não temos o que comemorar”, disse.

Ele acredita que a redução, no caso do Grande ABC, aconteceu por ações de Segurança que foram realizadas pelos municípios, desde a criação da GCM (Guarda Civil Municipal) até campanhas e ações em parceria com o Estado ou o governo federal. “As prefeituras que desenvolveram políticas públicas internas de Segurança diminuíram o número de mortes. Há alguns anos, o Ministério da Justiça destinou verbas para videomonitoramentos, compra de viaturas, entre outros itens, para municípios. Essa parceria continua muito bem em algumas cidades. Um exemplo é Mauá, que vem investindo bastante em câmeras de segurança.”

Além disso, Felberg também destaca a Lei de Fechamento de Bares de Diadema, que foi implantada em 2002 e determina que os comércios fechem as portas às 23h. A cidade já chegou a ser considerada uma das mais violentas do Estado entre as décadas de 1980 e 1990.

Para o delegado seccional de São Bernardo e também responsável por São Caetano, Aldo Galiano Júnior, o estatuto do desarmamento, criado em 2003, também influenciou diretamente nos números. A lei federal endureceu as regras para o porte de armas de fogo e desarmou parte da população. “Acredito que pelo menos metade dessa queda se deve ao desarmamento, já que as pessoas costumam fazer acerto de contas ou beber demais, e ter uma arma em casa agrava tudo. Além disso, com a Lei Maria da Penha e o trabalho das delegacias da mulher, muitas tiveram coragem de denunciar os maridos, o que faz com que casos passionais sejam prevenidos.”

Além disso, ele também destacou o trabalho de retenção de drogas feito pela Polícia Civil. Neste mês, a seccional apreendeu uma tonelada de maconha no bairro Interlagos, na Capital, que seria distribuída no Grande ABC. “Com isso, fazemos com que as facções criminosas quebrem diretamente no bolso. Ou seja, há uma influência na desarticulação das organizações, que são responsáveis por muitos homicídios. Hoje temos um número pequeno de assassinatos em São Bernardo e São Caetano. São somente casos pontuais.”

O delegado assistente da Seccional de Santo André, também responsável por Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande, Marcos Alexandre Cattani, ainda destacou investimentos na estrutura policial nas sete cidades.“Em 2001 tivemos a instalação do Setor de Homicídios em Santo André. Antes, esses crimes eram investigados pelos DPs (Distritos Policiais) de cada região. Agora temos uma equipe especializada, o que ajuda na resolução dos casos”, argumentou.

O comandante da Polícia Militar no Grande ABC, coronel Marcelo Cortez Ramos de Paula, destacou a adoção do policiamento comunitário, reuniões de Consegs (Conselhos de Segurança) e investimento nas estatísticas e planejamento da corporação. “Estamos trabalhando para melhorar mais ainda. Sabemos que os problemas não foram resolvidos. A criminalidade tem um dinamismo grande e exige que tenhamos desempenho ainda melhor. É preciso estar sempre pronto para fazer no dia seguinte melhor do que no dia anterior”, contou.

LONGO PRAZO

Além dos investimentos em Segurança, Felberg defendemais ações em relação à infraestrutura dos bairros para que os números continuem caindo, como é a tendência. “Precisamos de planejamentos que envolvam as características de cada região. Tendo esse diagnóstico, podemos investir cada vez mais, principalmente em Educação.”

Região registrou vários casos de repercussão

Nos últimos 20 anos, o Grande ABC assistiu a diversos casos de homicídios, passionais ou não, que chamaram a atenção pela violência e crueldade. Um dos mais emblemáticos foi o cárcere privado da jovem Eloá Cristina Pimentel, 15 anos, em Santo André, que terminou em tragédia em 2008.

Ela foi mantida em cativeiro durante 100 horas pelo namorado Lindenberg Fernandes Alves, 29, e morta por ele com um tiro após a entrada da polícia no apartamento. O acusado, que alegou agir por ciúmes, foi condenado pela Justiça a 39 anos de prisão e atualmente cumpre pena em regime fechado.

Ainda nos anos 1990, ficou famoso o caso da favela Naval. Em 1997, cinegrafista flagrou policiais militares extorquindo, espancando e executando pessoas na comunidade de Diadema. O episódio foi exibido em rede nacional e chocou o País. Como resposta, a corporação fez série de mudanças, incluindo a adoção do Método Giraldi, para diminuir a letalidade da tropa.

Já no ano passado o jovem de Mauá Rafael Mendes Caetano, 23, perdeu a vida quando comemorava a conquista de um novo emprego em uma casa noturna de Mauá. Ele foi jogado por quatro policiais à paisana do mezanino do local, após oferecer uma bebida ao grupo e chamá-los de ‘parças’.

A família ainda espera o julgamento dos acusados, que seguem presos e perderam os cargos que exerciam. O caso corre em segredo de Justiça. Rafael queria ser policial quando pequeno e teve sua juventude interrompida por aqueles que deveriam garantir sua segurança.

Mesmo com o fechamento dos casos, a dor das famílias permanece sem fim ao saber que não poderão mais abraçar um filho.

Por Yara Ferraz - Diário do Grande ABC
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