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DATA DA PUBLICAÇÃO 14/02/2016 | Setecidades
Grande ABC está tomado por buracos
Grande ABC está tomado por buracos Foto: André Henriques/DGABC
Foto: André Henriques/DGABC
Não é difícil encontrar buracos espalhados pelos 828,7 mil km² de área do Grande ABC. Motoristas e pedestres precisam desviar diariamente dos obstáculos presentes nas vias das sete cidades. A equipe do Diário percorreu diversos pontos durante a semana e verificou que o problema, comum a todos os municípios, pode trazer consequências, como acidentes e danos aos veículos.

Diadema tem uma das vias mais problemáticas, a Avenida Casa Grande. Foram registrados sete buracos em toda extensão, sendo que apenas um deles está sinalizado. “Passar por aqui de ônibus é uma prova de fogo. Você vai balançando do começo ao fim”, disse a auxiliar administrativa Juliana Alves, 32 anos.

Próximo a um dos maiores buracos da avenida, um poste está quase caindo. Segundo os moradores, o problema é resultado de acidente por causa da cratera, que recebeu manutenção há 15 dias, mas voltou a aparecer. “Essa rua é assim há mais de 30 anos. Presenciamos acidentes toda semana”, observou o aposentado José Gerson Duarte, 64.

A cidade também tem problemas na esquina das ruas Tucum com a Brejaúva, Rua Bocaiúva e Rua Pedro Paulo Celestino, no bairro Piraporinha. Na Avenida Fagundes de Oliveira, outra via importante, são cinco buracos. Questionada sobre os transtornos, a Prefeitura comandada por Lauro Michels (PV) não respondeu. “Por incrível que pareça, nós não atendemos muitos casos de pneu furado na avenida. Quando acontece acidente aqui, é de arrancar o escapamento. Mas, qual lugar de Diadema que não tem buraco?”, questionou o borracheiro Ednaldo Barbosa, 42.

São Bernardo também tem situação complicada. Na Rua Izidoro Venzol, Jardim das Cerejeiras, há dois buracos. Problema que se repete por todo o bairro. Para os moradores, o cenário é resultado de obras da Prefeitura. “Antigamente aqui alagava. Começaram a obra do Drenar e hoje não alaga mais, mas os caminhões deixaram as ruas esburacadas”, disse o consultor Tiago Campos, 32.

Também há problemas nas ruas Guimarães Rosa, no Alves Dias, Paulo Cunha; Vila Vivaldi, e Santa Cruz, na Vila São Pedro, na cidade chefiada pelo prefeito Luiz Marinho (PT). Já na esquina formada pela Avenida Nelson Mandela com a Rua Rodolfo Fernandes, no mesmo bairro, o buraco é velho conhecido dos moradores. “Tem acidente toda semana. Além disso, conforme os carros passam, saem pedrinhas do asfalto”, contou a vendedora Valéria Sena, 28.

No bairro Independência, a Avenida Rosa Aizemberg registra buraco há quatro meses. “Isso é comum por aqui. Estamos cansados de ligar para a Prefeitura”, comentou o aposentado Adilson Moreschi, 73.

Questionada sobre o assunto a administração de São Bernardo informou que fará vistoria nos locais indicados para avaliação e tomada de providências.

Em Santo André, há dois buracos na Rua Ilhabela, Vila Aquilino, um no Viaduto Prefeito Saladino e outro na Avenida Luiz Inácio de Anhaia Melo, no Centreville. Sendo que nesta última, todo o asfalto está danificado.

Na Rua Leão, na Vila Guiomar, há três buracos, um deles em frente à casa da cuidadora Diva Borges, 69. Ela já teve, inclusive, que efetuar reparos em seu carro, no valor de R$ 120, por causa do problema. “A gente já cansou de ligar na Prefeitura. Como solução temporária, colocamos terra dentro do buraco. O problema começou em dezembro do ano passado.”

O transtorno também se repete na Rua Jorge Bereta, no Curuçá. Ao visitar a avó, o químico Vanderlei Ferreira de Almeida Júnior, 26, acabou tendo uma ingrata surpresa. Por causa de buraco, ele precisou trocar dois pneus e um amortecedor. Prejuízo de R$ 1.200. “Eu pensei em acionar a franquia do seguro, porém teria de pagar R$ 1.600. De qualquer jeito eu teria prejuízo”, lamentou.

A administração do prefeito Carlos Grana (PT) afirmou que a Gerência de Manutenção de Vias fará vistoria nos locais, que receberão o serviço de tapa buracos nos próximos dias.

Em Mauá, a Avenida Manoel da Nóbrega no bairro Capuava, surpreende os motoristas que entram na cidade. Moradores tiveram de recorrer a pedaços de madeira e um cone para sinalizar buraco que, segundo eles, já completou um ano. “Para desviar, muitas vezes um carro acaba fechando o outro e, é nessa hora que acontece algum acidente. O pessoal já veio consertar, mas não tem jeito. Sempre aparece de novo”, contou o aposentado José Irandir, 63.

Na Rua Francisco Viola, na Vila Vitória, duas crateras atrapalham os moradores. Uma delas apareceu após a execução de serviços na tubulação do local, porém nunca foi consertado. “O caminhão de lixo passa e quebra cada vez mais. Já cansamos de ligar para a Prefeitura. Ainda precisamos ficar de olho e tirar as pedras para que elas não acertem as pessoas”, afirmou o aposentado Eli José de Araújo, 56.

A Prefeitura gerida pelo prefeito Donisete Braga (PT) afirmou que um dos buracos da Vila Vitória recebeu manutenção em 18 de dezembro de 2015 e que o segundo é de competência da Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá), que não retornou ao Diário.

Em São Caetano, há buracos na Rua do Ouro, no bairro Prosperidade, e no cruzamento da Avenida dos Estados com a Rua Felipe Camarão. A Sesurb (Secretaria Municipal de Serviços Urbanos) afirmou que uma equipe vai até os locais na próxima semana para avaliação.

Em Ribeirão Pires, a equipe do Diário constatou buracos na Rua Francisco Monteiro, bairro Santana, e na Avenida Prefeito Valdírio Prisco. Este último já foi tapado e o problema do outro endereço consta no cronograma da Operação Tapa-Buraco deste mês, conforme a Secretaria de Comunicação do prefeito Saulo Benevides (PMDB).

Em Rio Grande da Serra, há transtornos no cruzamento da linha férrea, entre a Avenida José Belo e a Rua Guilherme Pinto Monteiro. A Prefeitura chefiada por Gabriel Maranhão (PSDB) afirmou que a responsabilidade é da empresa MRS Logística, que respondeu que vai até o local para estudar solução para o problema.

Administrações tapam 260 falhas por dia

Três das sete cidades afirmaram tapar média de 260 buracos por dia. Somente em Santo André, são 150 operações diárias. Outras 60 em Mauá e 50 em Diadema.

Ribeirão Pires está realizando no momento a Operação Tapa-Buraco que vai contemplar 50 vias.

Para o professor de Engenharia de Tráfego do Instituto Mauá de Tecnologia Caio Rubens Santos, o problema é que, muitas vezes, o conserto não é feito da forma correta. “O mesmo buraco pode ser reparado e voltar a aparecer. Isso acontece porque o reparo não está sanando a causa do problema. Precisa verificar se está sendo usada técnica de compactação adequada e se o ideal não seria refazer o pavimento”, explicou.

O presidente do Instituto Brasileiro de Ciências do Trânsito, José Almeida Sobrinho, apontou que, com o orçamento apertado, como é o caso da maior parte das prefeituras, parcerias com a iniciativa privada são bem vindas. “Quando há um empreendimento novo, a empresa responsável asfalta o entorno.”

Vítimas de acidentes podem recorrer à Justiça contra prefeituras

Prejuízos causados pelos buracos são comuns, sejam eles relacionados aos veículos ou à saúde de motoristas e pedestres. Especialistas asseguram que a vítima pode ingressar ação na Justiça para reaver seus direitos.

Conforme a professora da Faculdade de Direito de São Bernardo e especialista em Direito Civil Célia Nilander, é obrigação do poder público manter as vias em perfeito estado. “Se a pessoa cair e quebrar o celular, ela pode reaver o dinheiro. Mesmo caso se bateu o carro por força de um buraco. São danos materiais e morais, porque tem todo o transtorno de ser levada até o hospital, levar pontos, entre outros tratamentos. E isso aconteceu porque a prefeitura não fez a função dela.”

É importante lembrar que em casos de atropelamento a vítima e o motorista estão cobertos pelo seguro obrigatório. “A pessoa precisa verificar se contratou o seguro total, que protege contra qualquer acidente”, disse o diretor regional do Sincor (Sindicato dos Corretores de Seguros no Estado de São Paulo), José Viana Sobrinho.

Por Yara Ferraz - Diário do Grande ABC
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