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DATA DA PUBLICAÇÃO 05/12/2016 | Cidade
Grande ABC acumula 13 obras da Saúde inacabadas
Grande ABC acumula 13 obras da Saúde inacabadas Foto: Nario Barbosa/DGABC
Foto: Nario Barbosa/DGABC
Obras inacabadas ou com atraso em seu cronograma inicial têm agravado a já crítica situação da Saúde pública entre as sete cidades, principalmente em relação à superlotação e demora para atendimento nas unidades municipais. Seja em decorrência de falhas na elaboração de projetos técnicos ou por falta de verba, ao menos 13 intervenções da área em seis municípios (exceto Rio Grande da Serra) representam desafio adicional aos prefeitos eleitos, que assumem os executivos a partir de 1º de janeiro.

Grande parte das construções de equipamentos de Saúde do Grande ABC se tornou elefantes brancos espalhados pela região, tendo em vista que muitas obras ainda estão em fase de esqueleto.

A construção da USF (Unidade de Saúde da Família) Jardim Santo André, na Rua Canossa, é exemplo do abandono encontrado em obras da região. Os trabalhos no local foram interrompidos em virtude de erro técnico no projeto original há quatro anos, executado ainda na gestão Aidan Ravin (PSB) e alvo de questionamentos junto ao Ministério da Saúde e TCE (Tribunal de Contas do Estado).

Desde então, o esqueleto da obra tem sido utilizado por moradores de rua como abrigo. Na sexta-feira, em visita ao local, a equipe do Diário constatou grupo de sem-teto consumindo drogas na área. “Além do pessoal que vive ali dentro, a rua virou um depósito de lixo. É complicado esperar algo que vai te ajudar e no fim ver essa situação”, relata a ajudante geral Marli da Silva, 41 anos.

Iniciada em 2008 após liberação de R$ 14,4 milhões pelo governo estadual, mas paralisada em 2013 sob alegação de dificuldades financeiras, a construção do Complexo Hospitalar de Ribeirão Pires que, quando pronto, terá 123 leitos, é outro retrato de projeto com dificuldades para ser concluído. A atual gestão, chefiada por Saulo Benevides (PMDB), não avançou nas negociações para liberação da verba necessária para os trabalhos. Com isso, o projeto, que no momento não passa de esqueleto, irá completar, em 2017, nove anos sem resolução.

“Eu já não duvido de mais nada. Depois do que esse prefeito fez com a Saúde, até tenho medo de eles fecharem as unidades que temos hoje”, desabafa a dona de casa Débora Vieira, 51.

Também em Ribeirão Pires, a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Santa Luzia foi inaugurada em 2012 mas, de acordo com a Prefeitura, necessita de reparos. O local seria fechado em outubro e o atendimento seria realizado por 60 dias no Hospital São Lucas. Entretanto, a Justiça barrou.

Além da missão de destravar obras paralisadas, os prefeitos que assumem em 2017 também terão de equilibrar o Orçamento já apertado para tirar do papel projetos de construção de equipamentos contratados às pressas no fim deste ano. Um dos exemplos é o Hospital de Urgência de São Bernardo. Anunciado no fim do ano passado pelo prefeito Luiz Marinho (PT), a ordem de serviço para construção do equipamento só foi assinada nesta semana, portanto, a construção será de responsabilidade do próximo chefe do Executivo, Orlando Morando (PSDB).

Para piorar a situação, a dívida assinada por Marinho, no valor de US$ 59 milhões (aproximadamente R$ 169 milhões), referente ao contrato feito junto ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para execução da intervenção, ficará sob responsabilidade das próximas sete gestões. Isso porque o empréstimo só será quitado em período de 30 anos.

OUTRAS OBRAS

Em Santo André, duas USFs – no Jardim Alzira Franco e no Sítio dos Vianas – estão com obras paradas há quatro anos. Já a reforma e ampliação dos PAs (Pronto Atendimentos) Vila Luzita e Bangu, estão com seus cronogramas atrasados.

São Caetano, por sua vez, não informou previsão para entrega do Caps 3 AD (Álcool e Droga), que deveria ter sido concluído neste ano.

Em Mauá, a Prefeitura ainda caminha a passos lentos para finalizar obras de reforma no Hospital Nardini, na UBS (Unidade Básica de Saúde) Itapark e na UPA do Jardim Zaíra.

Já em Diadema, a construção do centro de parto normal foi engavetada pela Prefeitura.

Por Daniel Macário - Diário do Grande ABC
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