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DATA DA PUBLICAÇÃO 03/05/2013 | Setecidades
Geração de lixo no ABCD cresce 52% em apenas nove anos
Geração de lixo no ABCD cresce 52% em apenas nove anos Com geração de quase 1 kg de resíduos por morador a cada dia, aterros da Região têm data de validade e não há espaço para novos depósitos. Foto: Luciano Vicioni
Com geração de quase 1 kg de resíduos por morador a cada dia, aterros da Região têm data de validade e não há espaço para novos depósitos. Foto: Luciano Vicioni
Cada morador da Região produz média de 900 gramas de resíduos por dia; para especialistas, o consumismo é o vilão do problema

O consumidor chega ao fast-food e pede um refrigerante. O pedido, aparentemente simples, produz nada menos que seis resíduos: o copo, a tampa plástica do copo, o canudo, a embalagem do canudo, o guardanapo e a embalagem do guardanapo. O exemplo mostra por que a quantidade de lixo no ABCD cresceu 52% em nove anos. De acordo com dados da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), em 2003 a Região gerava 1.531,5 toneladas de lixo por dia. Em 2012, dados das prefeituras mostram que esse número saltou para 2.331,6 toneladas/dia.

A geração desenfreada de resíduos é tema da primeira matéria da série de reportagens sobre lixo que o ABCD MAIOR passa a publicar. Nos últimos anos, descartar e comprar produtos novos se tornou símbolo de modernidade. Porém, de acordo com especialistas, o consumo pelo consumo é um vilão que põe em risco a sustentabilidade do planeta, uma vez que utilizamos recursos finitos, como energia e água, no processo de produção. Dados das prefeituras revelam que hoje cada morador do ABCD gera, por dia, média de 900 gramas de lixo.

Além dos problemas com o meio ambiente, o consumismo sem medida gera altos custos para as administrações da Região. Entre coleta, transporte e destinação final dos resíduos domiciliares, no ano passado, Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá investiram mais de R$ 52 milhões.

A bióloga Patrícia Blauth, especialista em educação ambiental e consultora na área de resíduos pela empresa Menos Lixo, explicou que é possível reduzir a média de geração de resíduos para menos de 500 gramas por pessoa ao dia. “Dá para reduzir muito mais que isso (0,5 kg) revendo, por exemplo, todo o nosso estilo de alimentação”, destacou.

Consumo consciente - A Política Nacional de Resíduos Sólidos (lei nº 12.305/10) segue nesse sentido, partindo da não geração de resíduos, passando pela reutilização, reciclagem e por último pela disposição do rejeito nos aterros sanitários. É a partir dessa nova legislação que os municípios, estados e empresas estão se organizando. Porém, além das autoridades e do setor privado, Patrícia alerta que a sociedade tem um papel importante ao optar por produtos essenciais, abolir o supérfluo e evitar a compra por impulso.

“O consumo consciente é a saída, até porque essa prática implica e implicará cada vez mais em mudanças dos padrões de produção, propaganda e modelo tecnológico, hoje marcado pela descartabilidade”, avaliou Patrícia. No entanto, para que a prática ocorra, a consultora ressalta que é preciso uma mudança de comportamento da população. “A dica é parar para pensar e se perguntar: de onde veio isso (o produto)? Para onde vai depois de usado? Quanto custa para o ambiente? E, por fim, questionar: eu realmente preciso disso? A escolha de adotar o consumo ou sermos engolidos pelo consumismo é nossa”, explicou.

Apesar da dificuldade, a ideia da redução da geração de lixo integra o planejamento das prefeituras do ABCD. O Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), por exemplo, tem investido em campanhas de conscientização da sociedade e de grandes produtores, como condomínios, empresas e supermercados. “A população precisa entender a sua responsabilidade na produção do lixo. O consumo consciente ocorre desde o momento da escolha do produto que você vai levar para casa”, observou o superintendente do Semasa, Sebastião Ney Vaz.

Com produção crescente, aterros da Região estão com os dias contados

O aumento desenfreado da geração de lixo não é apenas um problema ambiental, mas de logística. A falta de espaço para a construção de aterros sanitários e o tempo de vida útil dos equipamentos existentes também são preocupantes. No ABCD, a vida útil do aterro sanitário da Lara, em Mauá, único a receber todo o lixo domiciliar da Região e de dois municípios da Baixada Santista, está se esgotando.

Faz nove anos que a empresa busca a ampliação de espaço em terreno na divisa do Parque do Pedroso, em Santo André, e do trecho Sul do Rodoanel, em Mauá. Não se sabe ao certo o tempo de vida útil restante, mas contando com as obras de ampliação, o equipamento tem entre 15 e 30 anos a mais de sobrevida. O tempo correto dependerá se a empresa conseguirá ou não entrar em acordo com a AES Eletropaulo, dona de parte da área onde está prevista a ampliação do equipamento.

Santo André - Na Região, apenas Santo André não encaminha 100% dos seus resíduos para o Lara. O município é o único do ABCD a ter um aterro municipal. O depósito sanitário foi dado como esgotado há quatro anos e ficou interditado por nove meses, em 2011, por receber resíduos acima da cota máxima permitida pela Cetesb e, desde então, o espaço segue fechado. No entanto, o Semasa pretende reabrir o equipamento em junho deste ano.

A reabertura será possível graças a duas obras de ampliação no terreno. Uma em uma área de 6 mil metros quadrados na porção oeste do aterro, que garante alguns meses de sobrevida, e outra em uma área de 40 mil metros quadrados, dentro do próprio depósito, o que garantirá mais oito a dez anos ao espaço. Por ter uma operação mais barata que os aterros particulares, a partir da reabertura do equipamento municipal, o Semasa pretende economizar R$ 10 milhões por mês. “Esse recurso será investido na melhoria da qualidade urbana”, informou Sebastião Ney Vaz.

Novas tecnologias devem ajudar na destinação final

Na perspectiva da Política Nacional de Resíduos Sólidos, além da reciclagem, o ABCD precisará investir em tecnologias que possam mudar o destino final do lixo dos aterros sanitários para algo mais produtivo. De olho nisso, professores da UFBAC (Universidade Federal do ABC) estão pesquisando e tentando desenvolver uma tecnologia brasileira capaz de transformar resíduos orgânicos, como restos de frutas e alimentos, em biogás, combustível de energia sustentável, a partir da biodigestão anaeróbica (processo de decomposição orgânica feito por meio de bactérias).

Atualmente no Brasil, a biodigestão anaeróbica é usada apenas nas Estações de Tratamento de Esgoto e na suinocultura para tratamento dos dejetos. “Hoje não existem reatores no País que possam trabalhar a biodigestão com resíduos e é isso que estamos buscando desenvolver”, explicou Gilberto Martins, professor da UFABC, engenheiro mecânico, mestre e doutor em aproveitamento do uso da energia de biomassa.

Além da falta de tecnologia brasileira, Martins revela que outro problema é a separação dos resíduos. “A biodigestão não funciona bem com lixo misturado, como é hoje. Uma pilha ou qualquer outro material pode inviabilizar o processo e parar os reatores”, afirmou.

Neste sentido, o professor acredita ser necessário um trabalho contínuo e educativo junto à população, até mesmo para que os índices de materiais recicláveis cresçam. “Se não houver uma mudança da população, para uma separação dos resíduos, será difícil reciclar ou reutilizar os materiais como prevê a legislação”, observou.

Usina - Outra opção de tecnologia que está sendo trazida ao ABCD é a da Unidade de Recuperação Energética, a usina de lixo de São Bernardo. A previsão é que a unidade, orçada em torno de R$ 350 milhões, comece a operar em 2015 e tenha capacidade diária de incinerar 750 toneladas de resíduos, equivalente à quantidade de resíduos gerados na cidade. A queima do lixo irá gerar energia suficiente para garantir a iluminação pública da cidade. Deste modo, apenas as cinzas, cerca de 10% do lixo, serão encaminhadas para os aterros, prolongando a vida útil dos equipamentos.

Por Claudia Mayara - ABCD Maior
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