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DATA DA PUBLICAÇÃO 28/08/2008 | Economia
Gastos com animais de estimação são incorporados ao orçamento doméstico
Os animais de estimação estão cada vez mais presentes nos lares brasileiros. Em 2007, a população de cães era estimada em 29,7 milhões e a de gatos em 14 milhões, segundo dados da Anfal Pet (Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais de Estimação). No mesmo ano, cerca de 43% dos domicílios tinham cachorros ou gatos, de acordo com pesquisa do Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística).

Assim como cresce o número de famílias que resolvem adotar um bichinho, aumentam também os gastos dos donos com seus pets. Se antigamente um animal era tratado com restos de comida, hoje muitos consomem ração de boa qualidade. De acordo com a Anfal Pet, 40% dos animais domésticos consumiam alimento industrializado em 2003. Em 2008, esse percentual subiu para 47%.

E os cuidados não se resumem apenas à alimentação: passam pelo banho, tosa, atenção com saúde e pelos agrados extras, como roupas e sapatos. A veterinária Camila Varella Galastri, 25 anos, admite que gasta mais com seus animais de estimação por mês do que com ela mesma. "Cuido dos meus cães como se fossem filhos. Não tenho o que negar para eles", conta.

Dona de cinco yorkshires e um maltês, Camila gasta cerca de R$ 1,3 mil por mês com seus bichinhos. Segundo ela, não pode faltar banho uma vez por semana, tosa higiênica a cada 20 dias, bifinhos e ossinhos, passeio terceirizado todos os dias, sapatinhos para dias de chuva e brinquedos. Dentre os mimos, há alguns curiosos, como florais de Bach (para combater medo e agitação) e clareamento e hidratação de pêlos.

Niki, Mel, Babi, Bruce e a maltês Kitty são tão paparicados que possuem até um quarto especial na casa — com direito a televisão, cama e edredom. "Eles são parte da família", justifica Camila.

A veterinária reconhece que gasta demais e até já recebeu críticas de familiares, mas não se arrepende. "É uma troca, uma forma de reconhecer a grande alegria que eles me dão", acredita.

Integrante da família - A exemplo de Camila, quem tem boas condições financeiras costuma gastar um pouco mais com itens considerados supérfluos. Mas, no geral, as despesas com os pets não estão relacionadas à renda, e sim à mudança do papel do animal na sociedade. "Hoje, as pessoas gastam mais porque consideram o animal como um membro da família", explica o médico veterinário Daniel Hato, um dos proprietários do Hospital Saúde Animal, com unidades em São Bernardo e Santo André.

No pet shop do hospital é possível encontrar alguns itens que, até anos atrás, eram impensáveis no rol de cuidados com os bichos de estimação. Entre eles, estão tinturas para fazer mechas nos pêlos (por R$ 10), unhas de silicone coloridas (R$ 50) e até roupinhas de grife e gargantilhas com cristais Swarovski (cerca de R$ 90). Para os cãezinhos mais sortudos, é também possível realizar sessões de ofurô (por R$ 50) ou de hidroginástica (por R$ 70). E dentre os itens de primeira linha vendidos na loja, o mais caro é uma caixa de transporte para cão, de R$ 1 mil.

A supervisora de marketing da rede de pet shop Cobasi, Daniela Bochi, também concorda que, hoje, o animal é considerado um integrante da família. "Por conta disso, muitos consumidores compram produtos que combinem com a decoração da casa, como a cama. Além disso, vendemos na loja roupas de grife para cães seguindo a tendência da moda humana. O mercado já se prepara dessa maneira", conta.

Gastos essenciais - Mesmo quem pretende adotar um bichinho e não tem intenção de vesti-lo com roupas de grife ou levá-lo à hidroginástica precisa ter em mente que haverá um gasto necessário. Segundo levantamento da Anfal Pet, um cãozinho gera uma despesa média mensal de R$ 300. Já quem possui um gato gastará menos: cerca de R$ 100.

De acordo com o veterinário Daniel Hato, entre os cuidados básicos para se manter um animal saudável estão as vacinações anuais; avaliações odontológicas e consultas veterinárias periódicas; vermifugação a cada seis meses; cuidados com higiene, como banho a cada 15 dias; e ração de boa qualidade.

Levando em consideração somente a despesa mensal com banho e ração para um cachorro de porte médio, Hato estima que o dono irá gastar cerca de R$ 150.

O professor de Clínica Médica de Pequenos Animais Paulo Salzo, da Universidade Metodista de São Paulo, recomenda também a aplicação mensal de um repelente de pulgas e carrapatos. "O gasto varia conforme a raça, porte, comportamento e hábitos do animal. No geral, a despesa fica em torno de R$ 200 por mês", calcula.

Sem exagero - A turismóloga Maria Cecília Vasconsellos, 25 anos, é um exemplo de que é possível tratar muito bem um animal sem estourar o orçamento. Dona de Apollo, um golden retriever de dez anos, e de Pérola, uma cocker spaniel de nove, Cecília conta que sempre que vai ao pet shop leva algo para os dois, "mas sem exagero".

O artista plástico Ronaldo Cazuza dos Santos (foto), 28 anos, também reforça a tese de que é possível mimar os bichinhos de estimação mesmo sem gastar muito. Com seus três cães SRD (sem raça definida) — Meg, Ozzy e Danko —, Santos tem uma despesa de aproximadamente R$ 200 por mês.

"Gasto mais com ração. Banho nós damos em casa mesmo, então não preciso levá-los ao pet shop", diz Ronaldo, que não concorda com famílias que gastam muito dinheiro com serviços para cães. "Acho um exagero, pois esse dinheiro poderia ser usado para ajudar animais de rua ou para doar em ONGs de proteção. Um agrado para um pode significar alimento para cinco", opina.

Por Carolina Lopes - Diário Online
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