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Química tem a prova mais difícil na Fuvest
DATA DA PUBLICAÇÃO 28/11/2016 | Educação
Fuvest mantém nível de dificuldade, mas usa enunciados mais trabalhosos
Professores afirmam que textos mais longos tomaram tempo dos candidatos, e estilo de questão exigindo múltiplos conhecimentos selecionou os alunos mais preparados.

A prova da primeira fase da Fuvest 2017 apresentou o mesmo nível de dificuldade de anos anteriores, mas trouxe questões que deram mais trabalho para os estudantes, segundo professores ouvidos pelo G1: nas questões de ciências humanas e em partes das questões de ciências da natureza, enunciados mais longos e mais trabalhosos podem ter atrapalhado a coordenação do tempo dos alunos. Além disso, os candidatos que não leram as obras obrigatórias na íntegra, mas estudaram apenas a partir dos resumos, podem ter tido dificuldade de achar as alternativas corretas durante a prova deste domingo (27).

Para Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora do Curso e Colégio Objetivo, foi "uma prova muito bem feita, muito bem elaborada, inteligente, porque pegou toda uma matéria do ensino médio e conseguiu colocar em umas questões bem boladas". Segundo ela, "foi uma prova mais longa que a do ano passado, mais trabalhosa que a do ano passado". Diretor de ensino do Curso Anglo, Paulo Moraes afirmou que a prova foi abrangente e abordou toda a programação do ensino médio.

Segundo o professor Marcelo Dias Carvalho, coordenador geral do Curso Etapa, a Fuvest retomou, nesta edição, o uso de um tipo de questão considerada complexa: o enunciado inclui três ou quatro afirmações, e a partir daí o candidato precisava analisar, entre as cinco alternativas, qual era a que trazia as afirmações verídicas. "A Fuvest já há uns quatro ou cinco anos tinha deixado isso de lado. Isso tornou a prova de história e geografia um pouco mais trabalhosa para o aluno", explicou Carvalho.

Vera Lúcia diz que questões desse tipo podem selecionar os candidatos que se prepararam melhor. "Se o aluno já sabe que uma das afirmações é impossível, ele elimina as alternativas incorretas. Mas ele precisa saber a matéria, ser um aluno preparado. Esse é o problema da Fuvest, ela pede conhecimento, se o aluno não tem o conhecimento, ele erra."

Contextualização

O professor Célio Tasinafo, diretor pedagógico da Oficina do Estudante, diz que a Fuvest seguiu o mesmo formato de exigir muito conhecimento dos estudantes, mas, neste ano, procurou contextualizar mais as questões.

"Chamou a atenção a quantidade das questões de químicas relacionadas a experimentos. Isso tornou a prova de química mais longa que o comum, a Fuvest se preocupou bastante em contextualizar as questões, elas não estão tão largadas quanto outras vezes. Eu já ouvi aluno falar que química estava difícil. Na verdade eles contextualizaram mais, mas os temas são parecidos com anos anteriores", disse ele.

Para Paulo Moraes, a prova pode ser considerada de dificuldade "média para difícil", assim como nos anos anteriores, mas diz que "as questões difíceis de maneira geral estavam mais difíceis".

Em comparação com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado nos dias 5 e 6 de novembro, e com a prova da primeira fase da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), aplicada no último domingo (20), a Fuvest quase não trouxe questões interdisciplinares, que pediram conteúdos de mais de uma matéria para encontrar a alternativa certa. Além disso, Todos os professores concordaram que a prova de biologia foi a única sem questões consideradas difíceis.

"De todas as disciplinas, biologia foi a mais fácil", afirmou Vera, do Objetivo. "Física, matemática e química as mais difíceis, português teve dificuldade por conta dos textos longos, e da aplicação da gramática estava dentro do texto."

O professor do Etapa Dias Carvalho disse que a prova de física manteve a tradição da Fuvest. "Manteve o nível das anteriores, não é uma prova que a gente pode falar que é mais difícil que outros anos. Matemática não é uma prova bobinha de maneira alguma, mas, como os enunciados são mais curtos, dá para tomar rapidamente a decisão se você vai pular ou enfrentar. Já em história você perde um tempo maior."

Atualidade

Outro aspecto que chamou a atenção, segundo foi a aproximação do conteúdo à atualidade mundial. "Foi uma prova contextualizada, super atual, com textos atuais e temas atuais", disse Moraes, do Anglo.

"Os dois textos da prova inglês, foram publicados na imprensa em junho passado, um no The New York Times e outro no The Economist", explicou Tasinafo, da Oficina do Estudante. "Teve a questão do menino sírio que foi encontrado morto na Turquia e causou uma grande comoção no ano passado, ela também é muito atual porque o problema dos refugiados continua muito atual. Teve a despoluição da Baía de Guanabara... Foi falado em prosa e verso antes da Olimpíada que o projeto estabelecido em 2012 não foi cumprido. E a questão também remete a um relatório de 2016 no desenho que usam. Teve imagens de satélite da questão sobre Paris, também de 2016. Foi uma questão interdisciplinar de história e geografia, que trata do crescimento urbano de Paris, da questão da história da cidade."

Literatura

Segundo os professores, as questões da parte de literatura da Fuveste podem ter assustado os alunos. "Teve cobrança de livros que acabaram de entrar, como 'Mayome'. Ele foi bem explorado, mas também naquele estilo dos últimos anos: não basta o candidato ter lido bem 'Mayombe', tem que saber fazer comparação com 'O cortiço', o 'A cidade e as serras', ter um conhecimento bom de cinco livros para saber a questão", disse Tasinafo.

Dias Carvalho, do Etapa, concorda. "Em português usaram muito o recurso de leitura obrigatória, precisava ter lido as obras mesmo, não bastava só ler o resumo. E gramática apareceu junto com textos, a gramática era necessária para junto com o texto o aluno poder matar a alternativa."

Por Ana Carolina Moreno, G1
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