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DATA DA PUBLICAÇÃO 15/02/2017 | Educação
Fundação Santo André vai fechar cinco cursos
Fundação Santo André vai fechar cinco cursos Alunos se concentram do lado de fora da reunião do Conselho Diretor, na segunda-feira, para saber qual o futuro da Fundação Santo André. Foto: Andréa Iseki
Alunos se concentram do lado de fora da reunião do Conselho Diretor, na segunda-feira, para saber qual o futuro da Fundação Santo André. Foto: Andréa Iseki
Serão cortados os cursos de Química, Ciências Sociais, Pedagogia, Geografia, Matemática e Letras

O Conselho Universitário da Fundação Santo André decidiu na segunda-feira (13/02) que não haverá novas turmas de primeiro ano em cinco cursos. Alegando procura insuficiente pelos cursos de Química, Ciências Sociais, Pedagogia, Geografia, Matemática e Letras, o cancelamento é o ápice de uma crise institucional que foi construída ao longo de 15 anos.

Além do anúncio do fechamento de cursos, os repasses da Prefeitura para a instituição de ensino, que não acontecem desde 2004, já se acumulam em R$ 15 milhões. Já o valor da construção de um prédio erguido para o curso de engenharia na década passada também atinge o mesmo custo: R$ 15 milhões. As informações sobre a dívida são de integrantes do Conselho Diretor da Fundação.

Em 2016, ainda conforme membros do Conselho, os salários dos funcionários atrasaram praticamente todo mês. Em 2017, o pagamento de janeiro ainda não foi feito, assim como férias, 13º e dissídio. Os prejudicados não são só os professores como os demais funcionários da instituição. “Infelizmente, o motivo do fechamento tem viés mercadológico”, disse Ivan Cotrim, professor de Sociologia da Fundação.

De acordo com Cotrim, a ausência de subsídio da Prefeitura é uma das causas que impede a abertura dos cursos, uma vez que a grande maioria dos formados das cinco licenciaturas abastecem a rede de ensino municipal e estadual do ABCD. “Na visão da Prefeitura, aparentemente, a UFABC (Universidade Federal do ABC) é vista como suficiente como aparelho de ensino público e ficamos de lado”, completou o sociólogo.

Lei Municipal 1840/62

Em 1962, uma lei municipal (1840/62) foi aprovada para estabelecer repasse anualda Prefeitura à Fundação com diretrizes que determinam que o valor transferido nunca pode ser abaixo do ano anterior.

No entanto, as últimas gestões usaram o repasse para beneficiar o ensino municipal elementar usando como justificativa a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que destina 25% da arrecadação de imposto no desenvolvimento educacional.

A Fundação funcionava com administração híbrida com características públicas e privadas. No entanto, com o fim do subsídio, os traços de universidade privada foram prevalecendo sobre o caráter de ensino público.

“A Prefeitura foi se distanciando e agora estamos sem oxigênio, com cursos caros para uma maioria de alunos que são trabalhadores. Este é o pior momento de uma crise que se estende desde 2002”, disse Sebastião Corrrea Porto, professor de Filosofia e coordenador do curso de Pedagogia que há 31 anos faz parte do corpo docente.

De acordo com Porto, a Prefeitura tem uma dívida antiga com a Fundação que data do período do prefeito Celso Daniel. Após a morte do então prefeito, a instituição usou caixa de mensalidades arrecadas para construir o segundo prédio da FAENG (Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo e Geografia) e até hoje não foi ressarcida.

Lucro/Privatização

Atualmente, a Fundação conta com 350 professores e 4,5 mil alunos sendo que a média de preço dos cursos está em torno de R$ 800 para cursos de Ciências Humanas.

“Esses cursos só estão sendo fechados porque não dão lucro, porém alguns são os mais tradicionais da entidade e têm função social importante”, disse Ligia Marcelino, estudante integrante do Diretório Acadêmico. Ligia ainda acrescentou que diversos convênios, como o do Sabina e da iniciação científica, assim como bolsas de estudo, foram fechados.

“Financeiramente, nunca presenciei um momento tão crítico quanto o atual da Fundação”, disse o professor de matemática e representante do Conselho Diretor Vanderlei Mariano, docente da entidade há 20 anos.

“Chegamos ao ponto de cogitar a criação de um movimento para salvar a Fundação, sempre avaliada como ótima universidade, mas que corre o risco de ser totalmente privada se uma corrente unificada não se propor a recuperá-la”, comentou a Maria Helena Vilar, pedagoga e professora há 27 anos da Fundação.

Por Caio Luiz - ABCD Maior
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