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DATA DA PUBLICAÇÃO 19/09/2015 | Economia
Ford adota PPE, cancela 203 demissões e greve termina
Ford adota PPE, cancela 203 demissões e greve termina Foto: Divulgação/DGABC
Foto: Divulgação/DGABC
A Ford vai adotar, a partir de janeiro do ano que vem, o PPE (Programa de Proteção ao Emprego) na fábrica de São Bernardo. Os trabalhadores dessa unidade fabril aprovaram ontem, em assembleia, o uso da ferramenta que visa manter os empregos. Serão reduzidos 20% da jornada de trabalho e 10% dos salários, já que o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) complementa com a metade da redução (20%) do valor pago pela empresa.

“Foi uma negociação bem difícil. A Ford queria inicialmente que aceitássemos o PDI (Programa de Demissão Involuntário) e o congelamento de salários para 2016, mas conseguimos reverter isso”, conta o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques. “A montadora também queria que a redução da jornada fosse de 30% e, dos salários, 15%, mas não tínhamos como permitir um desconto maior que 10% nos salários dos trabalhadores.”

A diminuição é a mesma que a implementada na Mercedes-Benz neste mês – a primeira montadora do País a aderir ao programa – e na Volkswagen da Anchieta, a partir de outubro. A Ford é a terceira a adotar o PPE. Todas são para empregados de São Bernardo.

Será aberto um PDV (Programa de Demissão Voluntária) do dia 24 até 9 de outubro. A meta é que pelo menos 60 profissionais façam a adesão. Serão oferecidos, por ano trabalhado, 83% do salário. Para os que têm doença ocupacional são 140% por ano trabalhado. “Considerando que o trabalhador tem 20 anos de casa, ele receberá 16,6 salários a mais e, se tiver restrição médica, serão 28 a mais”, disse.

Dos 4.300 funcionários, em torno de 400, que são das áreas de engenharia e manutenção, não farão parte do PPE. Os restantes, que têm salário médio de R$ 5.600, terão o rendimento reduzido para R$ 5.040, durante seis meses, a partir de janeiro. A diminuição será de um dia por semana durante 15 dias e de dois dias em uma semana no mês.

Com o acordo, foram canceladas 203 demissões e a greve chegou ao fim. Os operários terão três dias descontados de seus bancos de horas e os outros três serão compensados. Essa negociação, porém, possui uma particularidade. Inclui a previsão de lay-off (suspensão temporária de contrato) até dezembro de 2016. Hoje, estão afastados 164 empregados, que voltariam no dia 11 de outubro. No entanto, eles permanecerão afastados até março, com redução de 10% na renda, assim como o restante da fábrica. Em janeiro, serão suspensas mais 105 pessoas, totalizando 269 trabalhadores. De março a dezembro, esse desconto será de 15%, conforme exigência da Ford, e o sindicato vai negociar para que o grupo de trabalhadores seja alterado.

“Esse acordo é compatível com as dificuldades da economia e do setor automotivo. O PPE será uma espécie de vacina para esse cenário em 2016. Especialistas de mercado preveem que o PIB (Produto Interno Bruto) será negativo neste ano e que no ano que vem ainda terá queda, embora menos intensa”, analisa Marques. “É o modo que temos de impedir demissões, já que a crise é grave, está chegando a outros setores, gerando mais desemprego. Com menos dinheiro em circulação, as vendas caem e isso se torna um ciclo vicioso.”

O PPE vai valer por seis meses, e a estabilidade será garantida até agosto, já que o programa exige que a empresa mantenha os empregos durante o período de duração mais um terço do tempo, neste caso, por oito meses.

PROJEÇÃO - Segundo Marques, em 2016 a produção da Ford terá ritmo menor. Dos atuais 35 carros fabricados por hora, no ano que vem serão reduzidos a 31. Quanto aos caminhões, dos 13 a cada 60 minutos, serão 11. Com isso, o volume de excedentes vai aumentar. Eram 253 pessoas, montante que recuou para 124 com a adesão de 129 operários ao PDV que terminou em agosto.

Porém, com a diminuição da velocidade da produção, a partir do ano que vem haverá mais 451 trabalhadores sem ocupação, totalizando 575 excedentes.

O sindicalista contou que, também para 2016, estão mantidos o reajuste de acordo com o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) integral a partir de setembro do ano que vem, mais abono de R$ 1.700 e PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de R$ 16.068.

Procurada, a Ford “reforça que continuará utilizando todas as ferramentas possíveis para adequar a produção à significativa desaceleração da demanda automotiva, de forma a minimizar os efeitos sobre a sua força de trabalho.”

OUTRAS MONTADORAS - A Mercedes-Benz está em negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para renovar o lay-off (suspensão do contrato de trabalho) dos 250 trabalhadores que possuem restrição médica. O grupo foi afastado em maio, e deveria retornar no mês que vem, após cinco meses. O sindicato apenas confirmou as conversas, sem dar detalhes.

A Scania, segundo revelou o presidente da entidade, Rafael Marques, também está em negociação com o sindicato para tratar da recomposição do acordo que vencerá no ano que vem. E existe a possibilidade de que a fabricante de caminhões, também situada em São Bernardo, faça adesão ao PPE (Programa de Proteção ao Emprego).

AUTOPEÇAS - Nos próximos dias, deve sair novo acordo de PPE para uma autopeça, disse Marques, sem dizer de qual se trata. Até o momento, três empresas do setor na região já aderiram ao programa. A primeira foi a Rassini Automotive, seguida da Trefilação União, ambas sediadas em São Bernardo. A terceira foi a Melling do Brasil, de Diadema.

Na mesma cidade, a Prensas Schuler acertou com o sindicato compromisso semelhante ao PPE, ao reduzir a jornada de trabalho em 8% e, o salário, em 4%. Porém, como a empresa ainda não eliminou o banco de horas, e há operários com férias vencidas, ainda não se sabe se o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) vai aceitar a proposta.

Por Soraia Abreu Pedrozo - Diário do Grande ABC
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