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DATA DA PUBLICAÇÃO 20/05/2014 | Cidade
Feital abriga tradição japonesa
Feital abriga tradição japonesa Foto: Andréa Iseki/DGABC
Foto: Andréa Iseki/DGABC
A riqueza de detalhes e delicadeza das porcelanas orientais imigraram do Japão para o Jardim Feital, em Mauá, e resistem no bairro há mais de cinco décadas. Desde 1960, funciona ali a fábrica de Yasuichi Kojima, 80 anos, nascido na cidade de Tajimi, província de Guifu, no Japão, local onde a fabricação de cerâmica e porcelana era tradicional naquela época.

Lá, Kojima trabalhava em empresa pertencente à família Mizuno. Um dos integrantes desse clã tinha uma irmã que morava em São Caetano e mudou-se para o Brasil em 1952. Vendo que no País não havia porcelana do tipo japonesa, e que a novidade poderia ser promissora, avisou os familiares residentes do outro lado do mundo que, por sua vez, fizeram o convite a Kojima para endossar a empreitada. “Eles montaram uma indústria de porcelana no Brasil, me chamaram para ir com eles e aceitei”, conta. Após 45 dias de viagem de navio, Kojima – que deixara a família no Japão – e mais 19 pessoas desembarcaram no Porto de Santos em 12 de julho de 1953.

Ele trabalhou na empresa por cinco anos, até que foi demitido. O fato, porém, não significou o fim, mas sim uma grande oportunidade. “Por ter sido mandado embora, recebi uma indenização e, com o dinheiro, comprei, em 1958, um terreno de 5.800 metros para construir minha fábrica.”

Na época o Jardim Feital quase não tinha casas, muito menos água e energia elétrica. Mesmo assim, Kojima convidou os pais e duas irmãs que estavam em sua terra natal para morar com ele. “Construí um barracão e vivia com toda a família aqui, até que veio um fiscal e disse que não podia”, lembra. Os familiares, então, construíram uma casa e a tão sonhada empresa própria. O primeiro forno e a primeira chaminé, com 12 metros de altura, foram desenvolvidos com tijolos refratários quebrados e tijolos comuns danificados, que Kojima conseguiu em olarias. Em 1960, a empresa iniciou as atividades e os frutos logo começaram a ser colhidos. “Naquela época, não tinha essa porcelana em São Paulo e, com a chegada de restaurantes japoneses, começamos a vender muito. Tanto que parcelei o terreno em 120 vezes, mas em pouco tempo consegui quitar.”

Kojima fabrica pratos, xícaras, chaleiras, vasos e enfeites usando quatro ingredientes: argila, caulino, feldspato e quartzo. A pintura dos produtos também é feita por ele, que ainda produz quadros que participam de diversas exposições.

As peças de porcelana custam de R$ 1 (um pequeno sapo que, segundo a tradição japonesa, é amuleto da sorte) a R$ 200 (vasos).

Atualmente o negócio não prospera como antes. “As vendas caíram por causa da importação chinesa. O comportamento das pessoas também mudou. Os restaurantes japoneses, por exemplo, têm consumido pouco (o produto) porque agora trabalham mais com sushi, que só usa um pires pequeno para colocar o molho shoyo”, fala. A fábrica, que já contou com 30 pessoas, hoje tem apenas dois funcionários, que trabalham conforme a demanda. Boa parte da clientela é de restaurantes do Rio de Janeiro.

As raízes fixadas no Jardim Feital deram à via onde a fábrica está instalada o nome de Kojima, homenagem concedida por meio de projeto de lei do vereador Manoel Lopes (DEM) e sancionada pelo então prefeito Leonel Damo (ex-PV, atual PMDB).

Na cidade mauaense, Kojima não só conquistou seu espaço como constituiu família. A mulher, com quem está há 50 anos, foi apresentada por meio do miai (casamento arranjado, em japonês). “Antes dela me apresentaram oito moças”, lembra, aos risos.

Dos três filhos, nenhum demonstrou interesse em prosseguir com a herança que vem de gerações. “Para negócio não tem mais lucro, só se for por hobby. É muito gostoso, a melhor terapia. Gostaria que meus filhos continuassem para manter a propriedade e também a tradição.”

Associação é elo com o poder público

Porta-voz das reivindicações do bairro. Esse é um dos principais papéis da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Feital, localizada na Avenida Benedita Franco da Veiga, 1.431, e com 31 anos de atuação na representatividade da população local.

Uma vez por mês, reuniões com os moradores deliberam sobre as necessidades da comunidade, que são encaminhadas ao poder público. Em um desses encaminhamentos, eles conquistaram semáforo em frente à EE Dom Jorge Marcos de Oliveira, situada na mesma via da entidade. “Agora, estamos lutando por farol em outro ponto da mesma via, onde há padaria e mercado, pois o movimento lá é intenso e já aconteceram muitos atropelamentos”, garantiu a presidente da associação, Alda Oliveira, 50 anos.

Da pauta de reivindicações constam ainda a cobertura de pelo menos uma das duas quadras do entorno, para melhor utilização do espaço por crianças e jovens, além da construção de escola que atenda do 5º ano do Ensino Fundamental ao Ensino Médio. “Temos duas escolas de 1º ao 4º anos. Os demais alunos têm que se deslocar para o Jardim Cruzeiro e o Jardim Miranda, e o fluxo de estudantes é grande. Faremos abaixo-assinado com esse pedido”, afirmou a dirigente.

O espaço também atua na parte social, com a distribuição de leite, por meio do Programa Vivaleite, do governo do Estado; de hortifrúti, enviado toda quarta-feira pela Secretaria de Segurança Alimentar da cidade; e de cestas básicas, também encaminhadas pela Pasta e retiradas pela própria equipe da associação. “Meu marido vai pegar tudo antes de ir ao trabalho. Algumas pessoas atendidas às vezes contribuem com dinheiro para pagar o combustível”, conta Oliveira.

Esse não é o único esforço. A cota de produtos não é suficiente para atender confortavelmente a demanda de quem precisa. “As cestas básicas são poucas (12) e hoje (quarta-feira da semana passada), por exemplo, 52 pessoas vieram buscar. Dividimos tudo em partes iguais para poder atender a todos”, relatou, frisando que, por semana, cerca de 230 famílias passam pela associação. Conforme a Prefeitura, mensalmente são encaminhadas 14,6 toneladas de hortifrúti e mais 2,2 toneladas de produtos não perecíveis que constituem as cestas básicas.

Para manter o funcionamento da entidade, bazar localizado internamente vende os mais variados produtos, oriundos de doações dos moradores. “Praticamente tudo custa R$ 1: roupa, sapato, livro, brinquedo... só móveis custam R$ 30”, disse Oliveira, apontando para um berço que já estava vendido.

Para a presidente, a associação não apenas dispõe de ações que beneficiam a população como também promove importante integração social entre os moradores. “Todos estão presentes, ajudando uns aos outros como podem”.

Cultura, Esporte e Educação mais perto da população

Marcos Vinícius Silva, 12 anos, não precisa mais gastar dinheiro com transporte para participar das oficinas de teatro, no Centro de Mauá. Agora, basta uma curta caminhada até a Associação de Moradores e Amigos do Bairro Feital, onde as aulas são disponibilizadas em parceria com a Secretaria de Cultura, Esportes e Lazer, por meio do projeto Oficinas Culturais. “Antes gastava demais para me deslocar, agora não preciso mais pagar, estou pertinho de casa”, comemorou o garoto, acrescentando que as aulas transformaram sua vida. “O teatro ajuda a perder a timidez. Eu era muito tímido, hoje não sou mais”, garantiu.

O curso acontece uma vez por semana, com duração de duas horas, por período de um ano. Ao final, os alunos apresentam peça na própria sede da associação e também no Teatro Municipal da cidade.

São oferecidas ainda aulas de dança de salão, break e grafite, além de judô (em conjunto com a Associação de Judô Mauá), vôlei e futebol, ministradas por alunos da Faculdade de Mauá – Fama/Uniesp.

Luara Maraysa Firmiano, 8, participa de quase todas as atividades. “Faço teatro, dança de salão e judô. Ocupo toda a minha semana.”

Com essa intenção de preencher o tempo da juventude do bairro de maneira otimizada, a dona de casa Maria Aparecida Lima Soares, 47, sempre vai à associação para saber da disponibilidade de vagas das oficinas. “A associação tem um papel muito importante para auxiliar na retirada dos jovens das ruas.”

A área educacional não é deixada de lado. Há reforço escolar e alfabetização para jovens e adultos, que teve algumas turmas e a presidente da entidade, Alda Oliveira, 50, deseja em breve retomar. “Fico maravilhada com a emoção que eles transmitem ao ler. É um trabalho que me emociona muito”, falou.


Por Vanessa de Oliveira - Diário do Grande ABC
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