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DATA DA PUBLICAÇÃO 03/08/2008 | Setecidades
Feiras noturnas ganham mais espaço
Hábito comum em qualquer cidade do País, fazer a tradicional feira há tempos deixou de ser uma atividade exclusivamente diurna. No Grande ABC, nove feiras-livres funcionam durante a noite. Em comum a todas elas, a motivação para o seu surgimento: atender uma parcela crescente da população que não tem mais tempo para fazer compras durante o horário comercial.

O serviço está disponível em quatro cidades. Santo André organiza quatro, Mauá e Ribeirão Pires, duas cada, e São Caetano, uma. O clima é praticamente o mesmo da feira diurna, só é um pouco menos barulhenta e movimentada. Durante a noite, assim como pela manhã, também gritam bem-humorados os feirantes de um lado e experimentam frutas e negociam descontos os clientes do outro.

Primeira - Pioneira no Grande ABC, a feira do Centro de Ribeirão, com 22 barracas e oito anos de funcionamento, é ainda hoje uma das mais conhecidas. A idéia surgiu da reclamação de muitas pessoas que diziam não ter acesso às feiras durante o dia e ainda se queixavam de ter de sacrificar manhãs de sábado e domingo fazendo compras.

O destaque fica por conta da praça de alimentação, que oferece a indispensável dupla pastel e caldo de cana e receitas orientais, como o tempurá e o yakissoba.

O sucesso da iniciativa despertou o interesse de outras cidades. Mauá oficializou duas feiras-livres noturnas em março. "Elas são menores do que as feiras diurnas. Um pouco atípicas, com menos feirantes e somente com as barracas principais", explicou o coordenador de Segurança Alimentar de Mauá, Moisés Vicente Pereira.

Em Santo André, além de servir para quem não pode freqüentar feiras durante o dia, o serviço também funciona como uma opção ao comércio tradicional. "Na periferia não há supermercados muitos próximos e a feira se torna uma alternativa", disse o supervisor de Abastecimento da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André) Hélio Thomaz Rocha.

Na cidade, o trabalho de viabilização é compartilhado com a população. No Jardim Santo André, primeiro bairro a receber feiras-livres noturnas, em 2003, o projeto começou com os moradores. A Prefeitura só entrou depois, para regularizar o trabalho. "Ninguém gosta de ter uma feira em frente sua casa. Por isso, preferimos que as demandas venham das associações dos moradores, que auxiliam nosso trabalho, discutindo antes com a comunidade", contou Rocha.

São Caetano também criou sua feira após pedido da população e dos feirantes. "Apesar de termos varejões e supermercados, existe um público fiel às feiras, principalmente pela qualidade e preço dos produtos e pela amizade que cultivam com os comerciantes", disse o diretor de Planejamento Anacleto Campanella Júnior.

Para o sociólogo e economista Cassiano Ricardo Martines Bovo, da Universidade Metodista de São Paulo, o desenvolvimento das feiras-livres noturnas reflete a mudança no perfil da sociedade. "Hoje, as famílias têm pessoas com atividades diferenciadas e em horários restritos. Também aumentou o número de famílias chefiadas por mulheres, que ficam ocupadas durante o dia."

Em São Bernardo, Diadema e Rio Grande da Serra não há oficialmente nenhuma feira-livre noturna, nem estudo para viabilizar o serviço. (Supervisão de Daniel Trielli)

Vendedores consideram espaço mais democrático
Presidente do Sindicato do Comércio Varejista dos Feirantes de Santo André, São Bernardo, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires, Odair Roberto Loureiro, 55 anos, vê com bons olhos o desenvolvimento do comércio à noite.

"A feira é um espaço democrático. Existe produto para todo tipo de consumidor. Em São Caetano e Ribeirão Pires, o público que freqüenta é mais jovem, inclusive casais de namorados. Já em Santo André, as feiras noturnas estão distantes dos locais onde se realizam feiras diurnas, por isso são freqüentadas por público de todas as idades", explicou Loureiro, que herdou o ofício do pai e o desempenha há mais de quatro décadas.

O feirante Edson Barbosa Marques, 24, também começou cedo, quando tinha apenas 6 anos. Hoje monta sua barraca de frutas em feiras diurnas de Santo André e noturnas de Ribeirão. "Quando trabalho de manhã acordo às 3h e vou parar só às 14h. À noite, acordo às 13h e às 21h já estou encerrando", contou, sem esconder a predileção por trabalhar no segundo horário.

Moradora de Ribeirão Pires e dona de uma fábrica de embalagens, Ivanir Vacco Akao, 61, não pensa duas vezes quando pode comprar na feira o mesmo produto vendido no supermercado. "Aqui tem mais variedade e tudo é mais fresco e bonito. O supermercado se ocupa de produtos de época", disse. Na feira, ela pôde reclamar com o feirante do preço da jaboticaba, não sem antes ter experimentado a fruta.

Por ser "mais família e menos bagunçada" do que as feiras realizadas de manhã, o comércio alternativo atraiu a bancária Cristiane Oliveira, 27, moradora do Centro de São Caetano. "Às vezes saio do trabalho e vou direto. Venho para comer, mas acabo sempre levando alguma coisa."

Por André Vieira - Especial para o Diário / Foto: maua.sp.gov.br
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