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DATA DA PUBLICAÇÃO 29/11/2016 | Setecidades
Explosão em indústria de Diadema deixa 13 feridos
Explosão em indústria de Diadema deixa 13 feridos Foto: André Henriques/DGABC
Foto: André Henriques/DGABC
Incêndio e explosão de grandes proporções nas dependências da fábrica Imã Aerossóis, no bairro Casa Grande, em Diadema, na manhã de ontem, deixou 13 feridos. A empresa atuava irregularmente há pelo menos seis meses, já que não possui alvará de funcionamento por parte da Prefeitura, autorização do Corpo de Bombeiros nem licença ambiental.

As chamas começaram por volta das 10h30 e se espalharam rapidamente pelas dependências da indústria, que possui área de 8.000 metros quadrados e cerca de 40 funcionários. Ao todo, foram mobilizadas 26 viaturas e 78 homens do Corpo de Bombeiros para controlar o fogo, objetivo conquistado por volta das 13h30.

Durante os trabalhos, equipes do Corpo de Bombeiros encontraram irregularidades nos equipamentos de combate a incêndio da empresa. Segundo o comandante do 8º GB, major Eduardo Drigo da Silva, “o sistema de hidrantes não entrou em funcionamento no momento devido”. O local não possui AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros). O documento “estava em fase de regularização”, conforme a corporação.

Em virtude da presença de outras indústrias na área próxima à fábrica, equipes do Corpo de Bombeiros redobraram os cuidados. “A carga de produtos inflamáveis é muito grande e se propaga rápido. Essa é a grande dificuldade (deste tipo de ocorrência)”, avalia o 1º Tenente Felipe Pinholi.

Das 13 vítimas do acidente, cinco foram encaminhadas para o Hospital Estadual Serraria, três para o Hospital São Lucas, da rede particular, uma para o Hospital Municipal de Diadema, e quatro atendidas no próprio local. Até o fechamento desta edição, quatro delas haviam recebido alta e outras duas permaneciam na UTI (Unidade de Terapia-Intensiva) em estado estável. A Secretaria de Estado da Saúde não informou o quadro clínico das pessoas internadas no Hospital Serraria.

A expectativa é a de que hoje agentes da Polícia Técnico-Científica iniciem os trabalhos de perícia na área para identificar as causas do acidente. São duas hipóteses trabalhadas. A primeira, segundo a Prefeitura, é a de que funcionários da empresa operavam empilhadeira próximo da área de reciclagem, onde teve início o incêndio e, consequentemente, a explosão. A outra é que houve explosão em equipamento que atua no envaze dos produtos fabricados.

Segundo a Prefeitura de Diadema, a empresa solicitou alvará de funcionamento no dia 1º de julho. No entanto, a administração “condicionou o início das atividades após apresentação de documentos emitidos pelo Corpo de Bombeiros, Vigilância Sanitária e Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo)”, o que não foi feito até ontem.

De acordo com a Cetesb, a empresa solicitou licença ambiental prévia de instalação em abril de 2016. Mas, como não foram apresentados todos os documentos, não obteve a autorização.

Até o fechamento desta edição nenhum proprietário da indústria havia sido localizado.

MEDO E APREENSÃO

Alex Sandro Nunes da Silva, 35 anos, foi um dos funcionários da indústria química que presenciaram de perto o incêndio. Ele estava trabalhando no almoxarifado da empresa quando ouviu a primeira explosão. “Tentei apagar com um extintor, mas não consegui, porque o fogo já estava bem alto. Larguei tudo e sai correndo.”

O desespero vivido por funcionários da Imã Aerossóis também foi sentido por pessoas que trabalhavam em empresas vizinhas. Coordenador de produção de metalúrgica situada na mesma via, Luiz Fernando dos Santos, 33, lembra dos momento de tensão. “Vi a fumaça e na hora acionamos a brigada de incêndio para evacuar a empresa. Eu, junto de outro grupo de funcionários, fui para um dos portões que ficam ao lado da fábrica para apagar as chamas que estavam próximas. Pensei que ia explodir tudo”, relata.

O porteiro Edinaldo Feitosa, 51, que estava na cabine de outra indústria local, também se assustou. “Vi todo mundo descendo a rua correndo. Como aqui também é da área química, o pessoal já evacuou a empresa com medo de algo pior.”

Embora o Corpo de Bombeiros tivesse descartado o risco de novas explosões na área, empresa vizinhas optaram por dispensar os funcionários ontem.

HISTÓRICO

O incidente é o segundo registrado em período de sete anos em Diadema. Em 2009, incêndio atingiu a empresa Di-All Química, no Jardim Ruyce, e deixou 12 feridos por intoxicação. As chamas provocaram a destruição de 18 casas. Na ocasião, a Prefeitura aplicou multa de R$ 500 mil à empresa por danos ambientais.

Especialista alerta para risco de contaminação do solo no entorno

A presença de compostos orgânicos voláteis – grupo de substâncias químicas que têm como base de sua estrutura o carbono e possuem alta pressão de vapor – em boa parte dos produtos da Imã Aerossóis pode causar sérios danos ambientais às áreas verdes presentes no entorno da indústria, alerta o professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rogério Aparecido Machado, especialista em gestão ambiental e Saúde pública.

“Pela proporção do incêndio é muito provável que o solo no entorno da fábrica esteja contaminado. Trata-se de substâncias que oferecem alto risco, não só para humanos, mas que também agridem o meio ambiente em virtude de seus compostos, que em alguns casos são derivados do petróleo”, destaca.

Um dos indicadores de risco oferecido pelos itens fabricados na indústria é a produção da espuma de Carnaval que, segundo o especialista, “é proibida em diversos pontos do País”. Desde 2007, inclusive, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estabelece regras de segurança para a produção e utilização do aerossol de espuma. “É uma substância altamente perigosa para o corpo humano. O uso do produto pode causar irritação na pele, mucosas, além de provocar dificuldades à respiração. Quem reside próximo à fábrica deve ficar em estado de atenção, pois pode obter alergia, em especial nas crianças”, relata Machado.

Para o especialista, representantes do município devem solicitar de maneira urgente vistoria da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) no terreno. “Eles precisam avaliar os danos ambientais na área”, defende.

Por Carolina Garcia e Daniel Macário - Diário do Grande ABC
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