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DATA DA PUBLICAÇÃO 15/05/2017 | Cidade
Ex-policial é condenado
Ex-policial é condenado Rafael Mendes Caetano, 23, morto em outubro de 2014 ao ser jogado do mezanino de uma casa noturna em Mauá.
Rafael Mendes Caetano, 23, morto em outubro de 2014 ao ser jogado do mezanino de uma casa noturna em Mauá.
O ex-policial militar Rudinei Dias Morini Júnior, 31 anos, foi condenado a pena de 16 anos em regime fechado pelo homicídio de Rafael Mendes Caetano, 23, morto em outubro de 2014 ao ser jogado do mezanino de uma casa noturna em Mauá. O tribunal do júri realizado durante quase 12 horas ontem, no Fórum da cidade, julgou o réu – que não poderá recorrer em liberdade – culpado.

Juntamente com ele seria julgado Fábio Felix de Abreu, que também foi expulso da corporação. Por questões processuais, já que uma testemunha não compareceu e foi solicitado prazo pela defesa, o júri deve ser realizado dia 30.

Na decisão, o juiz Marcos Alexandre Santos Ambrogi considerou que, além da perda de uma vida, o caso gerou danos à imagem da corporação. “Não pode um policial agir da mesma maneira do que aqueles que combate no dia a dia. Em situação de pequeno conflito, os policiais poderiam ter deixado o fato de lado e aproveitado a comemoração. Mas, não, em ato de força, em mostrar que quem mandava ali eram eles, o acusado deixou de lado cuidados da profissão e o controle mental”, leu o juiz.

A família da vítima recebeu a notícia com alegria. “É meu presente do Dia das Mães. Hoje (ontem) saio daqui mais leve. É uma grande vitória para todos nós”, afirmou Maria José Mendes Caetano, 57, mãe da vítima, entre lágrimas. Ela preferiu não assistir ao julgamento e aguardou do lado de fora. Irmão do rapaz assassinado, Thiago Mendes Caetano, 30, depôs como testemunha e demonstrou alívio com a sentença. “É um primeiro sentimento de que a Justiça foi feita, principalmente para aqueles que se acham acima da lei. Desejo que todas pessoas que passarem por um momento assim tenham forças, porque é muito triste perder alguém.”

O julgamento foi marcado por clima tenso entre acusação, feita pelo MP (Ministério Público), e defesa do réu, sendo que os jurados precisaram ser retirados do tribunal uma vez por causa de discussão. As imagens do estabelecimento, que mostram o momento em que Rafael é arremessado, foram exibidas diversas vezes por ambas as partes.

Além de Thiago, duas testemunhas, que estavam com a vítima no local, confirmaram a versão de que a frase “quer uma bebida, parça?” foi respondida com agressividade pelo grupo, que segurou o jovem e o espancou. Houve duas tentativas de jogá-lo do local, sendo que na segunda ele caiu.

A alegação da defesa do ex-policial é que ele, que aparece no vídeo puxando a vítima pelo pescoço, teria agido para impedir que o rapaz caísse. Porém, a acusação feita pelo promotor de Justiça Claudio Henrique Bastos Giannini chamou a atenção para o fato de o réu ter feito “alavanca” em direção ao vão onde Rafael foi jogado, de uma altura de pouco mais de três metros. Inclusive, quando questionado sobre o movimento, Rudinei, por orientação dos advogados, optou por não responder as perguntas. Ele permaneceu a maior parte do tempo de cabeça baixa. Os familiares dos dois réus preferiram não se pronunciar. Inquérito que indiciou cinco pessoas foi desmembrado em três processos em segredo de Justiça. O MP entrou com recurso para reverter absolvição de dois deles.

Por Yara Ferraz - Diário do Grande ABC
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