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DATA DA PUBLICAÇÃO 30/07/2018 | Setecidades
Estoque de bancos de leite na região estão abaixo do ideal
Estoque de bancos de leite na região estão abaixo do ideal Unidades dos hospitais Mário Covas e da Mulher enfrentam as piores situações. Foto: Celso Luiz/DGABC
Unidades dos hospitais Mário Covas e da Mulher enfrentam as piores situações. Foto: Celso Luiz/DGABC
Dois dos três hospitais públicos do Grande ABC que possuem banco de leite humano estão com estoques abaixo do indicado para suprir a demanda de consumo de recém-nascidos e prematuros em suas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva). Com armazenamento insuficiente, os estoques têm conseguido atender somente 60% da demanda dos equipamentos.

O Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, vive a situação mais preocupante. O estoque, que está com 34,5 litros disponíveis, precisa alcançar a marca de 80 a 100 litros, que é o considerado ideal para o período. Só para se ter uma ideia, a capacidade de armazenamento da unidade é de 140 litros, ou seja, o volume atual representa apenas 17,5% do armazenamento completo. A mesma situação é enfrentada pelo banco instalado nas dependências do Hospital da Mulher, em Santo André. Com capacidade de armazenamento para 100 litros, o banco opera atualmente com 45 litros.

“Durante o período de inverno e férias escolares, a doação geralmente costuma diminuir. Por isso, pedimos a colaboração de mães que estejam produzindo volume excedente de leite e que não utilizam nenhum medicamento que impeça a doação”, alega Ana Chaves, diretora administrativa do Hospital da Mulher.

O único equipamento que vive situação confortável é o HMU (Hospital Municipal Universitário), em São Bernardo. Embora tenha capacidade para armazenar 450 litros, o estoque atualmente conta com 140 litros, o que, segundo a responsável técnica do banco, Nerli Pascoal Andressa, é volume suficiente para atender à demanda da unidade. “Geralmente é o volume que temos mensalmente”, afirma.

Na tentativa de aumentar os índices de seus estoques, bancos de leites espalhados pela região iniciam nesta semana uma força-tarefa para captar doadoras. A estratégia dos equipamentos é aproveitar a celebração da Semana do Aleitamento Materno – que vai até domingo.

“É um período em que reforçamos a importância da doação. Um ato nobre, no qual mães que podem ajudam outros bebês, além do próprio filho”, afirma Cibele Lebrão, diretora clínica do HMU e coordenadora médica da Neonatologia da unidade.

De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, cerca de 40% das mães conseguem manter a amamentação exclusiva até os seis primeiros meses de vida do bebê. Embora esta taxa seja o dobro da apresentada em países como Estados Unidos, Reino Unido e China, especialistas apontam que o índice brasileiro ainda pode ser melhorado. O leite materno é o alimento mais completo e equilibrado para os bebês.

“Ele atende todas as necessidades de nutrientes e sais minerais fundamentais até os 6 meses de vida. E a doação nada mais é do que um ato solidário”, explica Eneida Souza, enfermeira pediatra, consultora em aleitamento materno pela Universidade da Califórnia em Los Angeles e parceira da Philips Avent.

Para doar é preciso estar saudável, não tomar medicamento incompatível com a amamentação, não fumar mais de dez cigarros por dia, não ingerir bebida alcoólica ou usar drogas ilícitas, além de realizar exames como hemograma completo e anti-HIV.

Os bancos de leite fornecem instrução sobre a ordenha, material e informações para o armazenamento do leite, além de buscar o alimento na casa das doadoras. Mais informações podem ser obtidas diretamente nos bancos pelos telefones 2829-5021 (Mário Covas), 4478-5000 (Hospital da Mulher) e 4365-1480/ 996194-2262 (HMU).

Mães destacam importância do aleitamento

Mãe de primeira viagem, Raquel Alves de Azevedo, 23 anos, agradece a cada gota de leite doada que alimenta sua filha Dianna. A bebê está internada no HMU (Hospital Municipal Universitário), em São Bernardo, desde que nasceu, em junho, de 31 semanas.

“Ela tinha 920 gramas quando nasceu. Cabia na palma da minha mão. Hoje, depois do processo de aleitamento materno, incluindo doação de leite de outras mães, está com 1 quilo e 286 gramas”, relata.

Segundo ela, o alimento que sua filha recebeu do banco de leite foi essencial durante esse período. “Lembro que quando cheguei aqui nem sabia da existência do banco de leite. Hoje faço questão de divulgar”, afirma. “Quando vi uma mãe doar leite para meu filho fiz questão de vir agradecer, pois ela salvou minha filha.”

GRATIDÃO

Mãe de três filhos, a afroempreendedora Elisângela Alberta de Souza, 40, lembra com detalhes de todos os períodos de aleitamento materno que passou. “Nem sempre foi fácil, mas os benefícios sempre valeram mais a pena do que qualquer percalço. Meus filhos são crianças saudáveis, mamaram até os 3 anos e meio e na época nunca precisei levar a pronto-socorro por questões de emergência”, diz a mãe, que chegou a amamentar dois filhos simultaneamente. “Nós, mulheres, somos muitas vezes desencorajadas, desestimuladas ou constrangidas a não amamentar nossos filhos. Mas a indústria nunca vai ter o alimento mais rico e mais completo do que o leite materno”, enfatiza.

Governo federal lança campanha para incentivar amamentação

Com o slogan ‘Amamentação é a Base da Vida’, a nova campanha de aleitamento materno, lançada na sexta-feira, em alusão à Semana Mundial da Amamentação, reforça a importância do leite materno para o desenvolvimento das crianças até 2 anos e exclusivo até os 6 meses de vida, orientação preconizada pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Além de reduzir em 13% a mortalidade por causas evitáveis em crianças menores de 5 anos, a amamentação materna também reduz casos de diarreia, infecções respiratórias, hipertensão, colesterol alto, diabete e obesidade.

“São inúmeros os benefícios. O leite materno colabora para a formação do sistema imunológico da criança, previne alergias, obesidade e intolerância ao glúten. Além disso, bebês que se alimentam exclusivamente do leite materno têm menor risco de desenvolver asma e artrite reumatoide”, explica Eneida Souza, enfermeira pediatra, consultora em aleitamento materno pela Universidade da Califórnia em Los Angeles e parceira da Philips Avent.

Segundo ela, o momento da amamentação aumenta ainda o vínculo entre mãe e filho. “Esse impacto nas emoções de ambos é causado, principalmente, pelo estímulo dos sentidos físicos dos bebês. O cheiro e o som do batimento cardíaco e o calor do corpo da mãe funcionam como impulsos para o bebê e o deixam tranquilo e seguro.”

Para a responsável técnica do banco de leite do HMU, Nerli Pascoal Andressa, o processo ainda ajuda as mães. “A amamentação pode proteger a mãe contra o câncer de mama e de ovário”, comenta.

Por Daniel Macário - Diário do Grande ABC
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