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DATA DA PUBLICAÇÃO 19/04/2016 | Economia
Em crise, Karmann busca compradores
Em crise, Karmann busca compradores Foto: Denis Maciel/DGABC
Foto: Denis Maciel/DGABC
Fundada em 1960, a Karmann Ghia, tradicional fabricante de autopeças sediada em São Bernardo, corre o risco de fechar as portas caso não seja vendida ainda neste ano. A empresa está com sérias dificuldades financeiras em razão da queda na demanda por veículos zero-quilômetro no Brasil e está atrasando salários, verbas rescisórias e pagamentos a fornecedores.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, diz ter informação de que a direção da Karmann Ghia está negociando a transação com pelo menos três interessados. “Não foram informados os prazos, mas, se ninguém comprar, pode ser que a fábrica feche ainda neste ano. A situação está feia por lá”, sentencia. Os nomes das companhias envolvidas também não foram divulgados.

Em fevereiro, após greve dos cerca de 330 funcionários, a empresa estabeleceu cronograma para o pagamento dos salários e das verbas rescisórias atrasadas, além de benefícios como 13º, dissídio e convênio médico. Entretanto, segundo Marques, os prazos não estão sendo cumpridos. Apenas no ano passado, aproximadamente 200 pessoas foram demitidas e, até o momento, nada foi depositado, em alguns casos, com pagamento parcelado em até 22 vezes.

Está sendo realizada a execução de três maquinários como garantia, estimados em R$ 5,4 milhões, para regularizar a situação. A ideia é ter os equipamentos como precaução em caso de falência da empresa.

A situação na fábrica é de tamanha precariedade que a produção já chegou a ser interrompida por alguns dias por falta de energia elétrica em razão do não pagamento à concessionária responsável pelo serviço. Em maio do ano passado, a Continental Securitizadora entrou com pedido de falência contra a Karmann Ghia na Justiça de São Bernardo em razão de atrasos no pagamento de recebíveis.

A diretora da Karmann Ghia Mônica Marani foi procurada, mas informou que estava em uma reunião e retornaria a ligação quando essa terminasse, o que não aconteceu. Mais tarde, em novas tentativas, ela não atendeu.

A informação sobre a venda da empresa já corre os corredores da ‘rádio peão’, e os trabalhadores se dizem apreensivos por não saberem do destino da companhia.

CRISE - Com atuação nas áreas de estamparia e ferramentaria, e a produção de portas de veículos, a Karmann Ghia tem a Fiat como um de seus principais clientes, responsável por cerca de 70% da demanda. De acordo com Marques, as peças eram enviadas para a fábrica da montadora em Betim (Minas Gerais), que opera com alto nível de ociosidade em razão da queda nas vendas de automóveis zero-quilômetro.

Em entrevista concedida ao Diário em fevereiro, Mônica afirmou que o seu maior cliente (a Fiat) estava com parada estratégica na produção durante alguns dias e, com isso, os pedidos estavam suspensos. Segundo ela, desde novembro do ano passado a autopeça vinha operando com apenas 40% do faturamento que precisava para manter os custos fixos, incluindo a folha de pagamento mensal de R$ 1,7 milhão, e as rescisões. À época, ela tinha a expectativa de fechar bons negócios a partir de março o que, pelo visto, não ocorreu.

“Quando foi adquirida, em julho de 2014, a fábrica já tinha grande deficit de caixa. Não era lucrativa. Para reverter a situação tinha de equalizar o passivo, manter clientes e faturamento. Mas o mercado não ajudou”, declarou, referindo-se ao baque do fim da produção pela Volkswagen das linhas da Kombi e do Gol G4. “A carga tributária também não ajuda, porque as montadoras podem comprar fora algumas peças, e pagar menos por elas.”

O passivo da empresa atinge R$ 7,7 milhões e ela disse, na ocasião da entrevista, que não tinha a intenção de buscar novo investidor. Nos últimos oito anos, a Karmann já mudou de comando quatro vezes. Em 2008, foi adquirada pelo Grupo Brasil; em 2012, pelo Grupo ILP; em seguida por empresário do setor e, em julho de 2014, pelo Grupo Nardini.

Mônica relatou que estavam visitando “incansavelmente” potenciais clientes, mas, até o momento, ainda não tinham nada de concreto. E que uma das saídas para ampliar a produção e os ganhos quando conseguissem mais clientes seria aproveitar a mão de obra qualificada, o know-how de 56 anos de história, o espaço físico e o maquinário para fornecer a outro setor, de energia eólica. Porém, para que pudesse usinar peças grandes, era preciso que entrassem recursos para investir em mais maquinário. “Só tenho duas máquinas de usinagem, portanto, minha capacidade produtiva é limitada. Se tivesse mais máquinas produziria mais, e poderia atender esse segmento em ascensão. Mas não vamos desistir.”

Karmann Ghia coupé, o primo do Fusca

Numa época em que só se produzia Fusca e Kombi, a Volkswagen resolveu atender a demanda da clientela e bolar algo mais inovador. Depois de alguns protótipos rejeitados pela diretoria da marca, eis que foi encontrada a solução perfeita. Surgia aí o Karmann Ghia coupé, cujo nome deriva da fusão entre a empresa alemã (Karmann) construtora do modelo, e a italiana (Ghia), detentora do projeto.

Nascido na Europa em 1955, ainda sob o nome Typ 14, o automóvel – inspirado no VW Sedan (o nosso conhecido Fusca) – começou a sair das linhas de produção da fábrica da Karmann-Ghia, em São Bernardo, no fim de 1960. O chassis e a mecânica eram fornecidos pela Volks e a carroceria (assim como a montagem e acabamento) saía do complexo sediado no Km 21,5 da Rodovia Anchieta.

Vale recordar que as primeiras unidades do modelo – que foi uma das estrelas do terceiro Salão do Automóvel, em 1962 – tinha motor refrigerado a ar de 1.200 cilindradas e 36 cavalos, derivado do Fusca. Porém, ao contrário do primo, ficava sob o capô dianteiro.

Em 1967, a versão conversível do Karmann Ghia passou a ser vendida por aqui e, limitada a 177 unidades, caiu nas graças do público. O mesmo não aconteceu com a configuração TC, que foi inspirada nos Porsches.

DETALHES - Com medidas compactas (o que chegou a ser um problema para os clientes mais altos) o Karmann Ghia tinha apenas 1,33 metro de altura, interior sofisticado e pequeno porta-malas na parte de trás. Na estética, chamavam a atenção os para-choques com garras, os faróis redondos ladeados por entradas de ar e as lanternas traseiras em formato vertical.

Por aqui, o esportivo deu adeus em 1972. Na Europa, a produção foi encerrada em 1974, onde foi substituído pelo Scirocco, feito em parceria com a Karmann.

De acordo com a página da hoje autopeça, da fábrica da Karmann Ghia também saíram a Limousine Aero Willys, os icônicos SP1 e SP2 (similares ao Puma), além do Ford Escort XR3 (feito sob encomenda) e Land Rover Defender, este, de 1998 a 2006. (Vagner Aquino)

Por Fábio Munhoz e Soraia Abreu Pedrozo - Diário Online
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