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DATA DA PUBLICAÇÃO 21/07/2011 | Geral
Donos de animais miram exemplo de leão Ariel e pedem ajuda na web
Leão tetraplégico já mexe o pescoço, diz dona do animalLeão tetraplégico mobiliza corrente de solidariedade pela internetÉ muito difícil ver um animal sofrendo e não se sensibilizar. Por isso, donos de gatos, cachorros e até leões viram na internet uma maneira de conseguir ajuda para os seus bichos. O tratamento de uma gata tetraplégica, por exemplo, pode sair muito caro para uma estudante sem fonte de renda. Mas as redes sociais, os blogs e os sites especializados têm tornado a velha prática de “passar o chapéu” cada vez mais útil para os responsáveis por esses animais financiarem esse cuidado.

Centenas de páginas na internet sobre ajuda a animais são encontradas sem esforço. Uma comunidade preocupada com esses animais está sempre em comunicação. Então, o fisioterapeuta de um cachorro tetraplégico é recomendado para uma gata na mesma situação. A médica que faz acupuntura em um animal é indicada para outro, e assim muitos animais conseguem tratamento.

O leão tetraplégico Ariel mobilizou uma corrente de solidariedade na internet. Mais de 55 mil pessoas já curtiram sua página no Facebook apenas até esta quarta-feira (20). Ainda não tão famoso, mas com quase 4 mil fãs, o pastor alemão Buba, de 2 anos, também precisa de ajuda. Ele chegou tetraplégico a uma clínica veterinária em São Paulo. O dono, receoso pelo trabalho a ser dispendido para cuidar do cachorro, optou pela eutanásia, Mas os veterinários da clínica resolveram adotar o animal.

Há cerca de três meses em tratamento, Buba ganhou peso – já passou da casa dos 30 kg –, recuperou massa muscular e até o raciocínio, que havia sido prejudicado por causa da doença, segundo a veterinária Mariana Cappellanes, uma das cinco “mães” de Buba. “As patas traseiras do Buba praticamente não tinham movimento nem sensibilidade. Hoje ele já responde à dor e tem reflexos”, diz.

Mas o cuidado de um cão assim exige muitos gastos. No site Vakinha, onde se pode coletar doações para um motivo específico, seja para a ajuda de um animal, seja para um projeto de faculdade, os responsáveis por Buba pedem R$ 10 mil. As doações ainda estão em cerca de R$ 700, mas o pastor alemão conta com o apoio de veterinários e simpatizantes que não o deixam sem tratamento. A ressonância magnética é um dos procedimentos mais caros nos casos de tetraplegia em animais de estimação, chegando a custar R$ 1 mil, e Buba já conseguiu financiar a sua.

Levantando doações
A gata Luciana também precisou de uma ressonância magnética e foi em busca da ajuda de terceiros na internet. Marina Camarinha, estudante de ciências sociais em Marília, a 444 km da capital paulista, não tem fonte de renda e se tornou a responsável por Luciana, hoje com quatro meses, após encontrá-la numa caixa na rua com outros dois gatos filhotes. Na sua república, moram mais cinco estudantes. A superpopulação na residência, porém, é de animais domésticos: seis gatos e dois cachorros.

“Mesmo com a casa cheia, não tinha como deixar aqueles filhotes na rua. O plano era cuidar deles até encontrarmos quem os quisesse adotar”, diz a estudante. E foi isso o que aconteceu com os outros dois filhotes, mas não com Luciana. Durante visita à casa de uma amiga, um cachorro que estava solto mordeu Luciana e a arrastou pelo quintal, fraturando três vértebras da gata. Como ela ainda era muito nova, os ferimentos atrapalharam o seu crescimento.

O nome dado ao animal é uma referência à personagem de Aline Moraes na telenovela “Viver a Vida”, de Manoel Carlos, que foi ao ar na TV Globo entre 2009 e 2010. Na trama, Luciana era uma modelo que ficou tetraplégica em um acidente, assim como a gata.

Para cuidar de Luciana, sua dona já promoveu rifas, vendeu bombons na faculdade e distribuiu souvenires como ímãs de geladeira para agradecer aos colaboradores. “Gasto em média R$ 600 por mês em sessões semanais de acupuntura e fisioterapia, fraldas, pomadas e numa ração diferenciada, já que o desenvolvimento de Luciana foi afetado pelo trauma.” No Facebook, mais de 800 pessoas curtiram a sua comunidade. E para manter os “padrinhos” bem informados, a dona da gata mantém um blog com vídeos do tratamento e informações sobre animais que precisam de cuidados semelhantes.

A história do gato Nino lembra a de Luciana. A dona de casa Susana Pavini soube de um gato que tinha sido espancado por uma criança perto de sua casa, na Zona Norte de São Paulo. “Quando eu o encontrei, ele estava ‘torto’, deitado sobre pedaços de madeira”. Pavini levou o gato ao veterinário, que recomendou um neurologista para Nino, pois a agressão afetou os seus comandos e o deixou tetraplégico.

Há três semanas no Facebook, mais de 2,9 mil pessoas curtiram a sua página e Pavini conseguiu uma patrocinadora para a ressonância magnética a ser feita no gato. Veterinários que souberam da sua história se dispuseram a ajudar. “Nino faz fisioterapia com a mesma pessoa que cuidava do cão Buba”, diz Pavini, que também contou com a ajuda de uma amiga acupunturista. A dona de casa gasta cerca de R$ 1 mil por mês em cuidados com o gato e, por isso, também recorreu ao Vakinha para levantar doações. No site, ela pediu R$ 600, mas tinha arrecadado R$ 800 até a última quarta (20).

Coitadinhos de Santos
A Confraria Miados e Latidos, que cuida de gatos e cachorros em São Paulo, precisou recorrer à ajuda na internet após ficar responsável por cerca de 70 animais que foram encontrados em Santos, no litoral paulista, na casa de uma mulher que foi interditada. A maioria dos “coitadinhos de Santos”, como ficaram conhecidos os animais, já foi adotada, mas os gastos da ONG quadruplicaram desde então, chegando a mais de R$ 4 mil em um mês.

Além de produzir itens customizados, como camisetas, para vender, a Confraria promove rifas na internet com parceiros – em só uma delas a arrecadação chegará a R$ 1,4 mil.

Ex-sem-teto
A causa dos animais que precisam de ajuda tem formado grandes redes que se espalham pelo Brasil em busca de parceiros. A internet reduziu a distância entre Ivinhema, cidade localizada a 297 km de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, e Cotia, na Grande São Paulo.

O zoológico da cidade sul-mato-grossense foi desativado em 2005. Lá, vários animais foram abandonados, já que não havia novos lares. A Prefeitura ainda custeia os gastos de alimentação do leão Simba, entre outros animais que não contam mais com cuidados periódicos e precisar de uma casa.

Mas foi por meio da internet que um grupo de pessoas mobilizadas em função da causa – e da casa – do leão entraram em contato com o Rancho dos Gnomos, que funciona como uma espécie de santuário para animais selvagens, sediado em Cotia. O Rancho confirmou que vai receber Simba, que deixará de ser um "sem-teto". Mais de 1,2 mil pessoas já curtiram a causa do leão Simba no Facebook.

Esses animais contam com o apoio de uma grande rede que está em constante comunicação. Tanto na internet como nas cidades, pessoas engajadas na defesa dos animais se ajudam na busca de alternativas e soluções para cada caso, vide Buba e Nino, que não se conhecem, mas já dividiram até a fisioterapeuta.

Por Carlos Giffoni - G1, em São Paulo
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