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DATA DA PUBLICAÇÃO 21/11/2016 | Setecidades
Descarte irregular de resíduos aumenta
Descarte irregular de resíduos aumenta Foto: Marina Brandão/DGABC
Foto: Marina Brandão/DGABC
Se deparar com lixo e entulho espalhados pelas ruas e calçadas é algo comum para moradores do Grande ABC. Existem atualmente pelo menos 509 pontos de descarte irregular de resíduos mapeados pelas prefeituras de cinco das sete cidades da região, número maior do que o do levantamento feito pelo Diário no ano passado, quando o problema se acumulava por 454 locais.

O tema motivador da criação do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC há 25 anos segue sem solução. Isso acontece não só pela ineficiência da coleta de lixo em alguns pontos da região como também em razão da “falta de conhecimento por parte da população, sobretudo a respeito dos riscos à saúde que o lixo pode gerar”, considera o professor de Biomedicina da Universidade Metodista de São Paulo Victor Hugo de Oliveira Bigoli. “As prefeituras até tentam combater o problema. O que falta é a conscientização das pessoas em não descartar de forma irregular”, avalia o especialista.

Além de contribuir para a degradação da área urbana, a situação, reforçada pelas chuvas dos últimos dias, representa risco de enchente e também ameaça à Saúde pública. A água acumulada junto aos resíduos descartados incorretamente cria cenário perfeito para que um dos mais temidos vilões da atualidade, o Aedes aegypti, faça criadouros. O mosquito é transmissor da dengue, do zika vírus e da febre chikungunya. No entanto, essas não são todas as doenças que podem ser adquiridas com a problemática, alerta Bigoli. “Ratos e outros animais peçonhentos podem ser atraídos, gerando doenças como a leptospirose.”

O município com maior número de pontos de descarte irregular de resíduos é São Bernardo: são 181, quantidade maior do que os 170 locais observados em dezembro de 2015. Segundo a administração, tanto a limpeza dos espaços quanto ações de combate à dengue são realizadas em toda cidade. A solicitação de remoção dos entulhos e lixo pode ser feita pelo aplicativo da Zeladoria Urbana Participativa, por meio do endereço eletrônico vcsbc.saobernardo.sp.gov.br.

Exemplo de que a quantidade de áreas de descarte irregular de resíduos certamente é ainda maior é a informação da Prefeitura de Diadema de que existe quantia expressiva de espaços com o problema, de tal forma que “se torna difícil contabilizar seu número exato”. De janeiro a outubro, o setor de limpeza da administração coletou 17,5 mil toneladas de lixo e entulho oriundos de pontos irregulares, o que demandou custo de R$ 2 milhões. Em São Caetano, são 147 pontos de descarte irregular e, de acordo com a Prefeitura, os caminhões da Operação Cata-Treco da Secretaria de Serviços Urbanos passam todos os dias por esses locais monitorando e fazendo a coleta. O pedido de limpeza deve ser feito pelos telefones 4221-1177 e 4221-2050.

Mauá possui 80 áreas com o problema. “A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos realiza limpeza periódica nos locais. Em alguns, o trabalho é feito semanalmente, em outros, a cada 15 dias. A Prefeitura faz a divisão da cidade em seis regiões para facilitar a ação das equipes”, afirma a administração, acrescentando que, por mês, são gastos aproximadamente R$ 150 mil com manutenção e limpeza dos pontos.

Mensalmente, o canal de comunicação 156 de Mauá recebe 260 solicitações de manutenção de pontos de descarte de lixo e entulho. Janeiro e fevereiro são meses de pico, com 400 pedidos, em média. “O motivo é o aumento do número de reformas nas casas e de aquisições de bens duráveis no período. O atendimento à demanda demora de três a sete dias”, explica.

Em Santo André, o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) ressalta que o número de pontos de descarte irregular de resíduos diminuiu entre 2015 e 2016, sendo que, em janeiro, a autarquia monitorava 100 locais e, atualmente, acompanha 71. A administração salienta que, além de reformadas, as 19 estações de coleta tiveram ampliação do horário de atendimento, para permitir que os moradores possam utilizá-las em horários alternativos ou nos finais de semana.

Santo André gasta, por mês, R$ 450 mil com a manutenção e limpeza dos locais tomados por lixo e entulho. Conforme o Semasa, quando há denúncias dos moradores referentes ao problema com constatação de risco iminente à população, a remoção do material é imediata. Caso contrário, o serviço é agendado para até sete dias úteis. As reclamações podem ser feitas pelo telefone 115 ou em um posto de atendimento da autarquia municipal.

Ribeirão Pires estima ter em torno de 30 pontos de despejos irregulares. Segundo a administração, os locais são sinalizados com placas de proibição. Além disso, a Secretaria de Meio Ambiente, junto da Guarda Civil Municipal, monitora os espaços locais. A limpeza das áreas gera gasto mensal de R$120 mil.

A disposição inadequada de resíduos é crime ambiental, passível de multa e até de detenção.

Por Vanessa de Oliveira - Diário do Grande ABC
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