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DATA DA PUBLICAÇÃO 12/09/2014 | Setecidades
Comerciantes da Jurubatuba temem fechar as portas
Comerciantes da Jurubatuba temem fechar as portas Foto: Nario Barbosa/DGABC
Foto: Nario Barbosa/DGABC
“Eu encerraria as atividades.” É dessa forma que o comerciante Francisco Souza Lima, 59 anos, reage quando fala da possibilidade de a Prefeitura de São Bernardo fazer obras de drenagem na Rua Jurubatuba, onde tem lanchonete há 13 anos. A preocupação de Lima e outras dezenas de lojistas do local deve-se ao fato de a administração municipal não esclarecer como será feita intervenção na via, que terá uma galeria para armazenar água das chuvas e evitar enchentes.

Ao Diário, a administração Luiz Marinho (PT) admitiu que vai abrir uma vala em parte da via, que será interditada. Essa resposta nunca foi dada aos lojistas, que estão em diálogo com o Executivo.

Em resposta às indagações do Diário, a Prefeitura admite que o segundo trecho da intervenção do Programa Drenar na Jurubatuba – da Rua Príncipe Humberto até a Ítalo Setti – “por enquanto, será pelo método destrutivo com galeria a céu aberto” e que “haverá a interdição da via para abertura de valas”.

Essa afirmação formal e documental (por e-mail) nunca foi feita aos comerciantes. Na última reunião com eles, realizada no início de agosto, o Paço disse, segundo a comissão de lojistas, que estudos técnicos para executar a obra de forma subterrânea foram realizados e que a possibilidade de ser pelo método não-destrutivo era real.

Nas propagandas que divulgam o Programa Drenar, o governo municipal já dava indícios da interdição. “Ruas serão desviadas ou mesmo fechadas. Nesses casos, teremos rotas alternativas devidamente sinalizadas.”

Os comerciantes temiam que isso ocorresse, pois acarretará em fechar as portas de atividades que hoje sustentam as famílias de milhares de empreendedores e funcionários e contribuem com a economia do município.

Na via, o projeto prevê duas fases. A primeira vai do Paço até a Rua Príncipe Humberto. O governo municipal diz que será feito túnel para que as águas das chuvas sejam armazenadas ali, evitando alagamentos. Nesse trecho não haverá necessidade de quebrar a rua, segundo a administração. A intervenção será no modelo não-destrutivo, em que uma máquina gigante vai perfurar o terreno por baixo da rua. Método semelhante ao utilizado para construção do Metrô, com o chamado ‘tatuzão’.

O problema está na segunda fase da obra, que vai da Rua Príncipe Humberto até a Rua Ítalo Setti, chamada de galeria de montante, com 930 metros de extensão. A previsão é que a intervenção seja feita em 31 meses (janeiro de 2014 a julho de 2016). As obras já começaram, com a perfuração dos poços 2 e 1, na Praça Sete de Setembro e Alameda Glória, respectivamente.

Para evitar que a Rua Jurubatuba fosse escavada e interditada, os comerciantes formaram um grupo e abriram diálogo com o Paço. Foram realizadas algumas reuniões com o secretário de Serviços Urbanos, Tarcísio Secoli (PT), responsável pelo Programa Drenar, e outros titulares de Pastas ligadas ao projeto, mas não houve avanço. Também procuraram ajuda dos vereadores, que em nada contribuíram.

Dono de uma revenda de veículos, Walter Resende é um dos líderes da comissão. Apesar da angústia, ele mantém cautela. “Ainda estamos conversando. Vai ter mais uma reunião no dia 23. Esperamos que seja a última, para resolver a situação.” (colaborou Daniel Tossato)

Lojistas não sabem da decisão do Paço

Os comerciantes são quase unânimes em afirmar que, se a obra for mesmo feita ‘por cima’, ou seja, com intervenção direta na via e sua consequente interdição para o tráfego de veículos e passagem de pedestres, fecharão as portas e terão de trabalhar para o sustento da família de outra forma. Praticamente recomeçarão a vida após décadas no local.

Eles reclamam de falta de informações da gestão municipal. As declarações a seguir foram dadas antes de saberem da definição da Prefeitura, que respondeu ao Diário no fim da tarde de ontem.

“Já se passaram quatro ou cinco reuniões e nada de muito certo nos foi passado. Ficam enrolando e não dão informação”, diz Francisco Souza Lima, dono de lanchonete. “Complicado se as obras forem feitas ‘por cima’. Não há como manter o comércio e eu encerraria as atividades.”

“Ninguém passa uma informação concreta sobre qual método será utilizado”, afirma Wilson Francisco Souza, 38 anos, que há três décadas vende acessórios para automóveis.

“A Prefeitura disse, na última reunião, que a obra será feita ‘por baixo’. Deram 80% de chance de isso acontecer”, frisa Edgar Roberto Gonçalves, 61 anos, dono de estacionamento. Ele ressalta, porém, que o Executivo “disse que Caixa Econômica Federal é que vai disponibilizar a verba paras as obras serem feitas por baixo, caso contrário ela será a céu aberto.”

“A Prefeitura nunca veio aqui nos falar nada, por isso organizamos uma comissão para ficarmos atento ao que está se passando”, afirma Yassui Suzuki, que possui comércio de tintas há mais de 30 anos na Jurubatuba. “Ninguém é contra a obra, mas ela deveria ser feita de outra forma. Quanto menos informação, melhor para eles (Prefeitura)”, completa Alex Sandro de Albuquerque, 42 anos, dono de pet shop.

Prefeito disse que só Deus acaba com enchente na cidade

Apesar de toda a pompa publicitária e investimento de R$ 600 milhões no Programa Drenar, o prefeito Luiz Marinho (PT) afirmou que o fim das enchentes em São Bernardo é “algo que só quem pode garantir é Deus”. A declaração ocorreu em vistoria realizada em canteiros de obras de drenagem no dia 22 de agosto.

O discurso do petista contrastou com a promessa apresentada nas propagandas que exaltam o projeto. Num dos vídeos, a Prefeitura promete deixar a cidade “sem os antigos problemas das enchentes”. Além disso, na data da assinatura do contrato com o Centro Seco, em março de 2013, Marinho ressaltou o desejo de ter uma “cidade dos sonhos para os nossos netos”.

O projeto é bancado pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal. É a principal vitrine do governo Luiz Marinho e do secretário de Serviços Urbanos, Tarcísio Secoli, um dos petistas cogitados para disputar a Prefeitura em 2016.

A obra envolve, além dos túneis na Rua Jurubatuba, piscinão no Paço, galeria de interligação da Jurubatuba à Avenida Faria Lima, galeria de jusante da Avenida Aldino Pinotti e ainda canalização de córregos na bacia hidrográfica do Ribeirão dos Meninos e microdrenagem nas Vilas Gonçalves, Duzi, Euclides e Jardim do Mar.

O projeto é conduzido pelo Centro Seco, formado pelas empreiteiras OAS e Serveng. A assinatura da ordem de serviço ocorreu em 17 de dezembro de 2013, antes, portanto, das conversas com os comerciantes. A previsão de término é dezembro de 2016.

O governo municipal tem dado tratamento diferenciado às obras antienchente. Inclusive, contratou o ator global Henri Castelli para estrelar a campanha publicitária que enaltece o Programa Drenar.

CANAL ABERTO

Os comerciantes reclamam de falta de diálogo, mas a Prefeitura afirma que organiza reuniões para apresentar o programa. Por meio de palestras, recebem informações sobre a obra, andamento, esclarecimentos e ainda tiram dúvidas, segundo a administração.

Ainda segundo o Executivo, os lojistas foram reunidos em fevereiro e março no plenário da Câmara, onde foi explicado em detalhes o projeto, bem como as interdições e transtornos temporários que vão ocorrer, além de apresentar todos os benefícios da obra.

A Prefeitura possui três canais de comunicação abertos para os munícipes: Disk Drenar 4341-8613, e-mail drenar@saobernardo.gov.br e Facebook/programa drenar.

Por Beto Silva - Diário do Grande ABC
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