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DATA DA PUBLICAÇÃO 18/11/2016 | Setecidades
Com registro de mais um arrastão, Delamare vira terra sem lei
Com registro de mais um arrastão, Delamare vira terra sem lei Foto: Denis Maciel/DGABC
Foto: Denis Maciel/DGABC
“Achei que ia morrer, porque eu não sabia se eram fogos, tiros, então, pensei: ‘será que vou tomar uma bala perdida?’ Você não sabe o que vai acontecer.” O relato de pânico é da secretária M.G. 45 anos, moradora de Santo André, uma das vítimas do arrastão ocorrido na noite de quarta-feira na Avenida Almirante Delamare, via de Heliópolis, Zona Sul de São Paulo e utilizada por moradores da região que se deslocam até a Capital. Cerca de 20 pessoas – muitos aparentando serem menores de idade – participaram do ato, que levou menos de dois minutos. Ninguém foi preso.

A ação foi registrada por uma câmera de celular e viralizou na redes sociais. Na página do Diário no Facebook o vídeo contabilizava 33 mil visualizações, até as 21h30.

Segundo o tenente coronel do 46º Batalhão da Polícia Militar Ricardo Spina, por volta das 19h30, moradores da área atearam fogo em madeiras e colchões, além de disparar rojões, para protestar contra a morte de um adolescente em uma tentativa de assalto, durante o feriado. Os veículos obrigados a esperar, foi a deixa para criminosos roubarem os motoristas.

“O pessoal que fez o arrastão se aproveitou da oportunidade para atuar, porque ali está cheio de corredores, becos, vielas, eles saíram do meio e foram invadindo a pista e assaltando os condutores dos veículos.”

Não é possível estimar o número de vítimas, pois nenhum boletim de ocorrência havia sido registrado até a tarde de ontem. No caso de M.G, os documentos e cartões bancários dela foram encontrados próximo a uma lixeira, o que possibilitou contato da polícia.
Ela mostra a pele arrepiada ao se lembrar do momento em que foi abordada por dois rapazes. “Um apontou o revólver e um outro abriu a porta do outro lado, que estava destravada. Passou mais um (criminoso) e eles fizeram sinal para pegar outro carro”, lembra. A vítima teve roubados a bolsa, relógio e anel.

O caminho era feito diariamente por ela, que trabalha no Itaim Bibi, como alternativa para fugir do trânsito na Rodovia Anchieta, onde também já foi assaltada. “Agora nem sei que caminho vou fazer. Hoje (ontem) para sair de casa não foi fácil. Você não sabe se vai voltar.”

O jornalista Rafael Mendonça, 31, também morador de Santo André, passou pelo local 40 minutos antes do fato. “Quando vi o vídeo fiquei bastante assustado. Senti que por questão de minutos não fui uma das vítimas. Não passarei mais pelo local, exceto em casos de extrema urgência.”

“Esse acesso é importante para o Grande ABC. A gente vai pela Anchieta é assaltado, vem pelo Heliópolis é assaltado, Avenida dos Estados também. O pessoal da região fica sem saída, está cercado”, fala o delegado titular do 95º DP (Heliópolis), onde o caso está sendo investigado.

A Polícia Militar chegou ao local um minuto após o ocorrido, por conta de uma base há menos de 200 metros do local. “As imagens (do vídeo) foram realmente fortes, para ver como é a situação aqui”, diz o tenente-coronel Spina.

Quem vive na comunidade, conta que arrastões são constantes e os criminosos não poupam nem os próprios moradores da área. “Meu filho ainda está pagando o celular dele que roubaram nessa rua”, diz uma comerciante, que prefere não se identificar e ficou “apavorada” com as cenas que viu de sua janela.

“Arrastão aqui é normal. A população está cansada”, lamenta um caminhoneiro, que também não quis dar o nome.

O delegado salienta que a Polícia Civil dará resposta para a população, sobre esse caso “dentro da lei”. “A sociedade não quer ver mais isso.”

Polícia diz que irá intensificar rondas

Após o registro de mais um arrastão na Avenida Almirante Delamare, localizada na divisa da Capital com São Caetano, na quarta-feira, o tenente-coronel do 46º Batalhão da Polícia Militar, Ricardo Spina, afirmou ontem que irá aumentar o policiamento da área.

(Iremos) Intensificar por tempo indeterminado, até a situação se acalmar. Eu acho que mesmo acalmando a gente não pode abaixar a guarda, porque eles agem na oportunidade”, destacou o comandante.

Ontem, um dia após o arrastão, a Polícia Militar havia fortalecido as rondas na área. Em visita da equipe do Diário ao local, foram constatadas viaturas da corporação em diversos trechos da avenida, incluindo vielas que dão acesso à comunidade do Heliópolis.

Segundo Spina, a localização da via oferece uma série de dificuldades para o policiamento da área. “Não adianta colocar um policial em cada esquina, em cada beco. Aqui o problema maior é a falta de urbanização, não é uma falha exclusiva da polícia, é uma questão que tem que ter envolvimento de diversos órgãos do poder público, não só estadual, mas também municipal e até federal.”

SÃO CAETANO

O prefeito de São Caetano, Paulo Pinheiro (PMDB), que neste ano inaugurou em maio uma base da GCM na divisa de São Caetano com a Capital, no trecho da Avenida Almirante Delamare, reforçou a necessidade de apoio do Estado no combate à criminalidade da região. "Ali não tem jeito. Ou faz alguma ação mais contundente ou vai continuar aquilo ali. Precisa ser (uma fiscalização) permanente. A saída é uma ação do Estado, por meio da Segurança Pública.”

Na avaliação do prefeito, a avenida, que é um dos principais acessos dos motoristas que saem da Capital sentido Grande ABC, virou uma terra sem lei. "Você vê esse absurdo de ontem (quarta-feira) e percebe a facilidade das ações. Eles (criminosos) saem correndo sem medo de ninguém e com a certeza da impunidade."(colaborou Daniel Macário)

Por Vanessa de Oliveira - Diário do Grande ABC
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