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DATA DA PUBLICAÇÃO 19/08/2014 | Geral
Chuvas serão inferiores a 20% do registrado nos últimos anos
Chuvas serão inferiores a 20% do registrado nos últimos anos Sistema Rio Grande, na represa Billings, está com 83% da capacidade; há três meses, o volume beirava os 93%, de acordo com medição feita pela Sabesp. Foto: Andris Bovo
Sistema Rio Grande, na represa Billings, está com 83% da capacidade; há três meses, o volume beirava os 93%, de acordo com medição feita pela Sabesp. Foto: Andris Bovo
Volume não encherá reservatórios e especialistas falam em seca generalizada

Se o governador Geraldo Alckmin (PSDB) ainda persiste na ideia de que as próximas chuvas vão fazer as bacias hidrográficas da Grande São Paulo voltarem ao normal, a meteorologia já derrubou essa tese. Conforme previsões meteorológicas, as chuvas para este e o próximo ano não chegam a um quinto do que choveu nos dois últimos anos. Isso não é o suficiente para reverter o quadro do Sistema Cantareira e muito menos acabar com a seca dos demais reservatórios de abastecimento.

Alexandre Nascimento, meteorologista da Climatempo, explicou que antes do final do inverno o ABCD e a Capital terão apenas mais uma onda de frio. A primeira iniciou na última quarta-feira (13/08), mas algumas cidades já acordaram nesta segunda-feira (18/08) com sol forte e tempo seco. “A estimativa entre outubro de 2014 e março de 2015 é que a chuva seja inferior a 20% do volume dos últimos dois anos no Cantareira. A quantidade de chuva esperada fica entre 1.000 a 1.200 milímetros, o que deixaria o reservatório com 12% de sua capacidade no fim de março do ano que vem, quando começa a estiagem de inverno”, informou o meteorologista.

Os picos de frio não são capazes de melhorar em nada os principais reservatórios, Cantareira e Alto Tietê. Enquanto isso, o Sistema Rio Grande, na represa Billings, continua com o volume de água em queda devido às últimas mudanças feitas pelo governo estadual. A medição da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) desta segunda-feira apontou que o reservatório está operando com 83% da capacidade. Em junho, o governador fez com que mais 150 mil residências de Santo André passassem a ser abastecidas pela água do Rio Grande, aumentando a demanda sem mexer na produção hídrica. “Lembrando que para a Capital, ABCD e Litoral essa chuva não será forte e não vai acumular grandes volumes que possam reverter o quadro da seca”, acrescentou o especialista sobre as próximas chuvas.

Previsão negativa - As previsões para o próximo ano também não são favoráveis para a crise. “Mas, de uma forma geral, os modelos matemáticos de previsão indicam mais calor que o normal para o restante da estação e a configuração do El Niño para a primavera”, falou Nascimento. Com o El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, há menos chuvas no Sudeste.

Seguindo com a normativa política de não falar em racionamento antes das eleições, a gestão de Alckmin vai deixar municípios prejudicados, além de afetar a indústria, conforme especialistas.

Com essas previsões, além das residências, o primeiro setor econômico a sentir as consequências da seca é o de serviços. “Restaurantes, lanchonetes e padarias, por exemplo, serão as primeiras a passarem pelo caos. Pequenas empresas que não armazenarem água também vão sentir os problemas da falta de abastecimento”, avaliou Gilson Lameira de Lima, professor doutor de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do ABC.

“Estado vem empurrando com a barriga”
A melhor maneira de evitar que as torneiras sequem é reduzir ao máximo o consumo, em toda a metrópole, de acordo com o professor doutor de Engenharia Ambiental da UFABC Gilson Lameira de Lima. “Mas isso já deveria ter sido feito. O governo do Estado vem empurrando com a barriga até a campanha eleitoral , enquanto a redução da oferta é algo necessário”, acrescentou. O que pode acontecer já no próximo ano, conforme o especialista, é que cidades da Região passem a ser abastecidas uma vez por semana. “Na região Norte da Grande São Paulo isso já está acontecendo, bem como em Guarulhos”, exemplificou Lima.

Para o professor do Departamento de Recursos Hídricos da Unicamp (Universidade de Campinas), Antonio Carlos Zuffo, todos os moradores do ABCD e Grande São Paulo vão sofrer com a falta de água. “Com certeza, ninguém irá escapar. A crise será bastante democrática”, confirmou. “O que se está fazendo é transferir o problema para o próximo ano. Obras de engenharia são para médio prazo, nada imediato, então o que se pode fazer é diminuir o consumo de água.”

Nesse cenário, o professor Zuffo é mais pessimista em relação a indústria, comércio e serviços. “Sentiriam um impacto muito grande, com a diminuição, ou mesmo paralisação de produção, queda nas vendas no comércio e redução das atividades econômicas em geral”, avaliou.

Por Renan Fonseca - ABCD Maior
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