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DATA DA PUBLICAÇÃO 28/03/2010 | Turismo
Cachoeiras e cavernas garantem adrenalina na Chapada dos Guimarães
Faz um calor do cão. Em alguns pontos, a vegetação fecha a trilha e dificulta o acesso. As pernas já não aguentam mais contornar rochas que lembram ora camelos, ora monstros pré-históricos. Três horas de caminhada e dois litros de água depois, vem a recompensa: os olhos captam a dimensão exata de toda a chapada.

Do alto das formações rochosas, a cerca de 600 m de altitude, o visual é, com o perdão do clichê, de tirar o fôlego. Com sorte, é possível observar aves, como araras, que fazem a rota rumo ao Pantanal e à floresta amazônica, sobrevoando imensos paredões.

Lá embaixo, os automóveis cruzam a estrada; o cotidiano segue seu rumo, longe daquele clima jurássico. Tudo parece tão pequeno, insignificante até, diante da grandeza da natureza.

A Chapada dos Guimarães é formada por um maciço montanhoso que se destaca como divisor de águas entre a bacia amazônica e a do rio da Prata.

A paisagem lembra eras remotas. O local era coberto pelo gelo. Também já foi fundo de oceano. Sua floresta tropical esteve repleta de dinossauros. Dizem que o nome do passeio descrito acima vem daí: trilha dos dinossauros. Os cânions da chapada estão assentados sobre uma das mais antigas placas tectônicas do planeta.

Milhares de anos se passaram para aquelas formações serem esculpidas pela ação da água, do vento e do tempo até chegar ao formato atual, frágil e mutável.

Apesar de oferecer uma panorâmica do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, a trilha ainda é pouco explorada pelos turistas.

Isso ocorre porque a maioria dos visitantes do parque quer logo se banhar debaixo de uma queda-d'água. De preferência, a mais próxima possível. E cachoeira é o que não falta na chapada, graças à hidrografia rica e às mudanças bruscas de altitude.

Véu no cerrado

Um dos principais percursos é o circuito das cachoeiras. Ele é feito por dentro do parque nacional, com acompanhamento de um guia credenciado. Ao todo, são cerca de 6 km, percorridos em cinco horas.

Não se assuste com o tempo. Nesse caso, as retribuições vêm pingando pelo caminho. O circuito é um conjunto de sete quedas formadas pelo rio Independência, acessíveis por trilha.

Quarenta minutos de pernada, e o primeiro espetáculo dá o ar da graça: a cachoeira Sete de Setembro. Na sequência, mais quedas: Pulo, Degrau, Prainha e... a mais fantástica de todas, a cachoeira Andorinhas, com 18 m de queda. Contrariando as expectativas, o poço formado pela queda-d'água é raso, com cerca de 1 m de profundidade. Escadas de madeira facilitam o acesso à água.

Entre um banho e outro, pausa para contemplar a Casa de Pedra, caverna em formato semelhante ao de uma residência, por debaixo da qual passa um rio.

Agora, o que encanta forasteiros e nativos é a vedete da chapada: a cachoeira Véu de Noiva, com 86 m de queda. Antigamente, era permitido caminhar no alto da cachoeira, bem pertinho do cânion, por onde um fiozinho de rio despenca de um paredão de arenito e forma um enorme poço.

Em abril de 2008, a festa acabou. Parte da rocha se soltou do paredão do cânion e desabou ao lado do poço da cachoeira. A pressão foi tão forte que banhistas foram lançados a metros de distância. Um deles morreu no hospital em consequência de traumatismo craniano.

Interditado, o parque só foi reaberto em julho de 2009, após uma série de mudanças, principalmente nas trilhas. Hoje, é possível observar a cachoeira de um mirante, a cerca de 100 m do estacionamento do parque.

Bem longe dali, pausa para captar a "energia" no mirante do Centro Geodésico, equidistante 1.500 km do Atlântico e do Pacífico. Em dias claros, é possível avistar a planície pantaneira até a capital, Cuiabá, além de paredões, grotas e pequenas lagoas.

Outros dois destaques da região estão fora do parque. Depois de cruzar campos sem fim de plantações de soja de três fazendas, com veados, seriemas e tamanduás pelo caminho, chega-se ao ponto de partida para explorar a caverna Aroe Jari e a gruta da Lagoa Azul, dois dos mais notáveis atrativos da região.

É necessário percorrer uma trilha de 2,5 km no meio do cerrado para alcançar a Aroe Jari, a maior gruta de arenito do Brasil, com 1.550 m de extensão. Lanterna de LED na mão, a caminhada segue agora por dentro da caverna. Água brota pelo trajeto.

Considerada local sagrado pelos povos antigos, a gruta era ponto de encontro. Entre os índios borobos e caiapós, que já habitaram a região, Aroe Jari significa "morada das almas".

Lá no fundinho, dá para avistar o outro lado da gruta. Quando se apaga a luz da lanterna, uma sensação de claustrofobia tenta dominar este repórter, mas, no momento em que a lanterna é religada e surge um imenso salão de 30 m de largura, é domada pela alta dosagem de adrenalina.

De volta ao campo aberto, a trilha segue por mais 30 minutos até desembocar na impressionante lagoa. Maritacas costumam fazer ninho na parte alta da rocha, que circunda a lagoa.

A água cristalina é tentadora, mas saiba que banho ali não é permitido por causa da fragilidade do ambiente. Nem precisa. Com tanta água em Guimarães, quem há de reclamar?

Roberto de Oliveira viajou a convite da OceanAir e da Freeway

Por Roberto de Oliveira - Revista da Folha / Folha Online
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