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DATA DA PUBLICAÇÃO 23/9/2009 | Turismo
Brasil por água abaixo
Com as grandes navegações empreendidas por portugueses e espanhóis e que culminaram com o descobrimento das Américas, vários mitos - como o de que a Terra seria quadrada - foram por água abaixo. Em compensação, cederam lugar a inúmeras histórias verídicas de navios, alguns com grandes tesouros, que afundaram na costa brasileira antes de ancorar em terra firme. De lá para cá, muita água rolou, e naufrágios outrora trágicos passaram a figurar os sonhos de dez entre dez mergulhadores aficionados por histórias de piratas, tesouros e baús recheados de pedras preciosas perdidos no fundo do mar.

Se cada embarcação naufragada no litoral verde-amarelo rendesse ao País a mesma quantia que o cineasta James Cameron arrecadou com o filme Titanic (EUA, 1997), o Brasil seria a potência mais rica do planeta. Só o Parcel Manuel Luís, no Maranhão, abriga 200 embarcações - entre galeões, caravelas e fragatas - naufragadas em meio aos 18 quilômetros de formações rochosas subaquáticas.

Outro ponto nordestino que tem muitas histórias para contar é a praia dos Náufragos, em Aracaju (SE), que, como o próprio nome indica, abriga destroços de diversos navios, cujos interiores podem ser visitados. A maior parte deles fica a menos de uma milha da costa e a cerca de 30 metros de profundidade, próximo às lajes de corais.

No litoral paraibano, por sua vez, a capital João Pessoa abriga uma série de vapores do século 19. Um dos mais belos é o Bahia, afundado em 1887 ao se chocar com o navio Pirapama, que regressou às pressas para o Recife deixando os náufragos a ver navios, agarrados aos dois metros de mastro que permaneceram fora da superfície.

Ainda na Paraíba, o navio Vanduaria, encalhado num banco de areia em frente à praia de Fagundes, no município de Lucena, exibe rodas antigas de trem em meio a ferragens durante a maré baixa, quando é possível caminhar sobre parte dos destroços.

E em Maracajaú, na costa Norte potiguar, lanchas e escunas conduzem os turistas a plataformas para a prática do mergulho livre com o auxílio de boias e snorkels. Quem paga mais para alcançar o fundo, com cilindro, é recompensado pelas riquezas da fauna marinha, farta em frades, cirurgiões, lesmas-do-mar, crisudos, arraias, moreias, poliquetas, mututucas, polvos, lulas e peixes-borboleta.

Sul - A visibilidade de até 15 metros e a imensa variedade de peixes fazem da Ilha do Arvoredo, em Bombinhas (SC), o recanto preferido de mergulhadores no Sul do Brasil. Barcos levam cerca de duas horas até um dos nove pontos de desembarque no Sul de Arvoredo (não é permitido mergulhar ao Norte, que fica dentro de uma reserva natural). Destaque para o naufrágio do navio Lili, na ilha de Galés. Os destroços servem de refúgio a arraias, frades e tartarugas marinhas maiores do que muita gente.

Por Heloísa Cestari - Diário do Grande ABC
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