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DATA DA PUBLICAÇÃO 18/01/2016 | Economia
Balança comercial da região fecha o ano com saldo positivo
Balança comercial da região fecha o ano com saldo positivo Foto: Nario Barbosa/DGABC
Foto: Nario Barbosa/DGABC
Após ficar no vermelho em 2014, a balança comercial do Grande ABC voltou a ficar positiva em 2015. Ao longo do ano passado, empresas instaladas na região faturaram US$ 4,917 bilhões com vendas ao Exterior, enquanto gastaram US$ 4,093 bilhões com a compra de produtos vindos de fora do Brasil, o que gerou superavit de US$ 824,1 milhões. Em 2014, o saldo havia ficado negativo em US$ 409,8 milhões – o que significa que as sete cidades importaram maior quantidade do que exportaram. O levantamento foi feito pelo Diário com base em dados divulgados neste mês pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).

Apesar de a balança comercial ter voltado a fechar no azul, porém, ainda não há o que comemorar. Isso porque o saldo só foi positivo devido ao fato de as importações terem caído mais do que as exportações: -28,5% e -7,5%, respectivamente. “Isso é fruto da recessão. Não é que a região virou grande exportadora. Simplesmente paramos de comprar na mesma intensidade porque a economia está desaquecida”, comenta o economista Ricardo Balistiero, coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia. “Por outro lado, se olharmos para o lado do câmbio, com o dólar flutuando na casa de R$ 4, é uma boa notícia, pois há maior entrada de dinheiro no País”, pondera. No País como um todo, foi contabilizado superavit de US$ 19,685 bilhões em 2015.

O professor Sandro Maskio, coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista, complementa que, mesmo que a balança tenha saído do vermelho, a corrente de comércio no Grande ABC, que é a soma entre importações e exportações, recuou em 2015 ao atingir R$ 9,010 bilhões, que representa redução de 18,4% ante 2014. Esta foi a segunda retração anual consecutiva – caiu 17,8% em 2014 contra 2013.

“O saldo positivo (da balança) é favorável quando há melhora na competitividade (e aumento nas exportações), mesmo que auxiliada pelo câmbio”, acrescenta. O real desvalorizado facilita o comércio exterior, já que os compradores internacionais, na prática, pagam menos por um mesmo produto, ainda que esse tenha tido o preço mantido no mercado brasileiro. Para os especialistas, a manutenção da taxa de câmbio atual pode contribuir para diminuir os efeitos negativos da crise, aumentando a demanda e, assim, mantendo empregos.

Entre as sete cidades, apenas São Bernardo e Ribeirão Pires tiveram superavit. A indústria automotiva, ainda que venha registrando quedas no nível de produção, foi a responsável pelo resultado favorável das empresas são-bernardenses. A cidade, que possui cinco montadoras de veículos (Ford, Mercedes-Benz, Scania, Toyota e Volkswagen) exportou US$ 3,367 bilhões no ano passado. Desse volume, pelo menos US$ 2,594 bilhões são do segmento automobilístico, o que corresponde a 77% do total. Já Ribeirão Pires contou com o bom desempenho da indústria bélica, devido à forte atuação da CBC no mercado externo. Em todos os municípios houve queda tanto nas compras quanto nas vendas ao Exterior.

Em São Caetano, cidade que sedia a General Motors, dos US$ 340,1 milhões exportados, ao menos US$ 198,6 são referentes a automóveis – participação de quase 60%. Em Santo André e Mauá, mais de um terço do volume de vendas ao Exterior vem do Polo Petroquímico de Capuava, complexo industrial localizado na divisa entre as duas cidades que tem fábricas da Braskem. Em Diadema, parte significativa das transações (superior a 20%) tem origem nas autopeças, mercado que ultrapassa os 43% em Rio Grande da Serra, cidade que também manda para fora do País peças utilizadas em produção industrial, como parafusos, rebites e porcas.

Da totalidade de produtos exportados na região, 98,5% são industrializados. Apenas 1,5% são itens básicos, ou seja, que não passaram por nenhum tipo de manufatura.

Para o empresário José Rufino de Oliveira Filho, diretor do departamento de Comércio Exterior da regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) em São Bernardo, o governo federal deveria reduzir impostos e taxas cobradas sobre a exportação, o que estimularia ainda mais as vendas a outros países. Além disso, pondera que o dólar alto, do mesmo jeito que ajuda de um lado, pode prejudicar de outro. “Quem depende de matéria-prima importada está com dificuldades”, pontua.

Venda de armas superou comércio de pneus

Em 2015, o valor arrecadado no Grande ABC com a exportação de armamentos foi superior ao montante oriundo da venda de pneus para o Exterior. A indústria bélica é representada na região pela CBC, que possui fábrica em Ribeirão Pires. Já os pneus são produzidos pela Bridgestone e pela Pirelli, ambas com plantas em Santo André.

Cerca de US$ 140,5 milhões foram obtidos com a comercialização de armas, bombas e munições no ano passado, o equivalente a 92,3% de tudo que foi exportado por Ribeirão Pires. Enquanto isso, a venda de pneus para fora do Brasil resultou na arrecadação de US$ 114,3 milhões. O valor é 18,6% menor.

Na categoria que engloba itens como espingardas, pistolas e lança-foguetes, as exportações subiram 130,3%, de US$ 1,8 milhão para US$ 4,3 milhões. No total dos armamentos, o valor obtido com vendas teve queda de 5,7% de 2014 para 2015. Porém, a quantidade de materiais enviados ao Exterior subiu de 7.141,8 para 7.784,3 toneladas.

Entre as explicações para o aumento estão as tensões vividas no Oriente Médio. Dos dez maiores países compradores de Ribeirão Pires, três são dessa localidade: Emirados Árabes Unidos, Turquia e Omã. A França, que recentemente foi alvo de atentados terroristas, também elevou suas compras.

A queda nas vendas de pneus está atrelada ao desaquecimento mundial. “Apesar das melhoras, o mercado internacional ainda não está tão pujante, principalmente no que diz respeito à comercialização de veículos. Isso influencia diretamente a demanda por pneus”, explica Sandro Maskio, coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista.

Argentina amplia participação como compradora das sete cidades

Um dos principais parceiros comerciais do Brasil no Exterior, a Argentina aumentou a participação no mercado de compradores internacionais do Grande ABC. De 2014 para 2015, as exportações feitas por empresas da região para a nação vizinha cresceram 2,48%, passando de US$ 2,071 bilhões para US$ 2,122 bilhões.

Para o economista Ricardo Balistiero, coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, a parceria com os hermanos deve melhorar ainda mais ao longo de 2016. Isso porque, desde dezembro, o país conta com novo presidente, o empresário Mauricio Macri, que interrompeu série de 12 anos do chamado kirchnerismo, primeiro com Néstor Kirchner (2003 a 2007) e, posteriormente, com Cristina (2007 a 2015), sua viúva. Macri é bem visto por investidores e promete “profissionalizar” sua gestão, além de dar mais autonomia ao mercado financeiro.

Outro país que também aumentou o volume de compras de itens vendidos pelas empresas do Grande ABC foi o México, que registrou elevação de 3,24% (de US$ 381,1 milhões para US$ 393,5 milhões). Tanto Argentina quanto México são grandes compradores dos automóveis produzidos no Brasil. Já os Estados Unidos tiveram a participação reduzida em 19,6%, caindo de US$ 508,1 milhões para US$ 408,6 milhões.

IMPORTAÇÕES - A Alemanha continua sendo a nação que mais vende ao Grande ABC. Entretanto, o valor pago pelas empresas da região aos produtores alemães caiu 38,9%, de US$ 1,052 bilhão para US$ 643,2 milhões. Em segundo lugar no ranking das importações estão os Estados Unidos, que arrecadaram em 2015 US$ 609,7 milhões em transações com os compradores da região, montante 25,8% menor do que em 2014, quando o valor chegou a US$ 822,4 milhões. A China aparece na terceira colocação, com US$ 516 bilhões. Na comparação com 2014, houve retração de 16,9%.

Por Fábio Munhoz - Diário do Grande ABC
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