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DATA DA PUBLICAÇÃO 11/11/2012 | Economia
Aumenta o número de profissionais free-lancers no Brasil
Aumenta o número de profissionais free-lancers no Brasil Programador André Barrros em sua casa, que também é seu escritório
Programador André Barrros em sua casa, que também é seu escritório
As empresas estão mais remotas. Novas tecnologias redesenharam as relações de trabalho. Com as mudanças, mais empresas recorrem aos serviços do profissional free-lancer. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que 4,1 milhões de pessoas trabalham em casa.

O número de profissionais que trabalham no próprio domicílio representava 4% da população economicamente ativa em 2011, de acordo com o IBGE. Desde 2004, o número de pessoas trabalhando em casa subiu 2%.

O trabalho a distância exige cuidados. É preciso organização para manter a produtividade, captar clientes e cobrar informes de rendimento dos serviços prestados para, no início do ano seguinte, evitar problemas com o fisco. É necessário também transformar seu nome em uma marca valorizada no mercado.

Manter o equilíbrio entre vida profissional e pessoal é outro desafio. O programador André Barros, 26, diz que a tarefa é mais fácil quando se trabalha em casa. "A tendência é que a alimentação seja melhor e que o contato com a família seja maior. O fato de ter horário flexível contribui para a qualidade de vida."

A arquiteta Clara Fernandes, 31, afirma que é mais feliz trabalhando fora de uma empresa. Mas ela ressalta que a decisão exigiu um tempo de preparação. Fernandes criou um espaço em sua casa apenas para servir de escritório e fixou um cronograma de trabalho. "Procuro trabalhar sem interrupções e estabelecer uma rotina que privilegie o meu espaço de tempo com a família", conta.

Para garantir a produtividade, o consultor financeiro Fabio Chaves de Sousa, 43, também adotou estratégias de disciplina. Ele atua em projetos de finanças pessoais e consultoria empresarial em conjunto com outros colegas. "As pessoas que trabalham comigo ficam em suas casas e nos falamos por celular, e-mail ou Skype. O importante é estabelecer metas diárias de realização de tarefas."

TECNOLOGIA

Alvaro Mello, presidente da Sobratt (Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividade), afirma que a disseminação do trabalho em casa é uma consequência da tecnologia. "Destacam-se ferramentas mais potentes de e-mail, de telefonia pela internet, smartphones e programas de banco de dados", diz.

A tecnologia também ajuda a organizar as tarefas. Fernandes usa os softwares Evernote (banco de dados e pesquisa on-line), Dropbox (armazenamento de arquivos) e iCal (aplicativo para organizar calendários). Barros detalha suas tarefas no Excel usando a técnica "matriz de prioridades", que é um método muito usado nas ciências exatas para definir a prioridade de cada tarefa do dia.

Outro dilema de quem atua por conta própria é se manter inspirado, mesmo em um ambiente a princípio pouco desafiador, como um quarto.

Para Barros, não se pode ficar preso em casa. É preciso encontrar formas de estimular a mente. "Para melhorar a criatividade, frequentemente jogo xadrez", afirma.

Outro problema é que o free-lancer corre é o risco de a vida profissional tomar grande parte do espaço da vida pessoal, principalmente porque, para ele, fica claro que mais trabalho resulta em mais dinheiro.

Essa dosagem entre trabalho e vida pessoal é uma escolha de cada um. Barros conta que prefere projetos com resultados rápidos. Assim, mantém a motivação e consegue tempo para andar de bicicleta diariamente e para ler pelo menos dois livros por mês.

REDE DE CONTATOS

Para manter a interação com profissionais da mesma área, a designer Ana Cristina Silveira, 33, investe em cursos. "Sinto falta da troca com outras pessoas que acontece naturalmente em uma empresa. Para compensar isso, estou sempre fazendo cursos, na minha área ou em outras, para conhecer mais pessoas e me manter atualizada."

Essa interação é justificada como importante porque o free-lancer, como qualquer profissional, precisa de referências do seu ramo de atuação, tanto para atrair mais negócios quanto para melhorar seu processo criativo.

A falta de interação pode ser mesmo prejudicial para quem trabalha em casa, como mostrou uma pesquisa da Universidade Stanford (EUA).

Os economistas Nicholas Bloom e Jenny Ying fizeram em 2010 e 2011 um experimento em uma empresa chinesa de telemarketing que mostrou um aumento de produtividade de 13% para quem optou por trabalhar em casa. Porém, metade quis voltar para o escritório após o estudo. "O motivo mais citado foi sentir-se entediado", afirma a pesquisadora Ying.

CONHECIMENTO

Como se vê, nem todos se adaptam com o trabalho em casa. O profissional precisa primeiro entender suas preferências. Olga Modesto, professora do Centro de Inovação e Criatividade da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), destaca que não há uma solução mágica para todos trabalharem felizes em casa.

"Há pessoas que se adaptam apenas no regime força bruta, que exige muita disciplina para ter um horário fixo de trabalho todos os dias, gera muito desgaste e necessita de muita energia. Outros preferem o modo flexível, com trabalho espaçado, em diferentes períodos do dia, para aproveitar as ocasiões em que a pessoa se sente mais motivada", diz.

O profissional também deve avaliar se funciona melhor com alguns ou nenhum fator de dispersão.

Para Modesto, o profissional bem-sucedido precisa de quatro características básicas que ela chama da "cruz do free-lancer": inspiração, motivação, autorrealizarão e felicidade.

Para obter esses itens, ela orienta o profissional a usar modelos mentais, isto é, incentivos conscientes. "Um dos meios é criar cenários de realização das tarefas, ao fixar na mente uma tarefa completa com os itens necessários para isso e, assim, partir para a ação. Outra forma é utilizar um diálogo interno, ou seja, pensamentos positivos para acionar o sentido auditivo interno", detalha.

Outros modelos mentais possíveis são o cenestésico e o ativador de ações. O primeiro se trata de uma organização por meio dos sentidos. Muitas pessoas se sentem mais produtivas com estímulos aos sentidos, como um cheiro e um som agradável.

Já as ações ativadoras são práticas que muitos precisam adotar para trabalhar melhor: tomar um banho para renderem mais, por exemplo. Também há free-lancers que se sentem mais à vontade trabalhando com uma roupa formal em casa. "O importante é existir uma percepção de equilíbrio", diz Modesto.

FATORES FINANCEIROS

Alguns benefícios de trabalhar como um free-lancer são evidentes, como ficar mais perto da família. Mas e financeiramente, vale a pena? Não há resposta simples. Tudo vai depender do esforço do profissional e também do que ele encara como objetivos principais.

Silveira, por exemplo, diz ter dobrado seus rendimentos. Ela tem 13 anos de vida profissional em projetos editoriais e trabalhos de identidade visual de empresas, eventos e cursos. Há três anos ela começou a trabalhar como free-lancer e diz estar melhor. "No primeiro ano atuando como free-lancer, ganhei 50% a mais do que ganhava no meu último emprego fixo. Hoje, já ganho o dobro", conta.

Barros também considera que ser free-lancer compensa. Trabalhando desde 2002 em casa com "cloud computing" (computação em nuvem), ele conta que seu rendimento é 60% superior a de um programador contratado nas mesmas funções. Mas ele também pondera que esse valor a mais é válido apenas no curto prazo.

"É porque costuma existir um limite de renda. Como o free-lancer, na maioria dos casos, trabalha sozinho, não adianta pegar um número maior de projetos, para ganhar mais. Não conheço nenhum free-lancer que ficou rico. Então se o sujeito tem a ambição de renda maior, uma alternativa melhor é se transformar em um empreendedor maior", opina.

O rendimento também tem sido melhor para Fernandes. Ela afirma que chega a ganhar mais do que o dobro do que na época em que trabalhava para uma construtora. "Se eu pegar apenas um projeto por mês, já supero o salário que ganhava. Muitos arquitetos contratados não são valorizados", comenta.

Mas o free-lancer também não pode esbanjar. Os profissionais afirmam que ter uma disciplina de gastos e uma reserva financeira é importante porque em certos meses a quantidade de trabalho pode ser menor. Além disso, o profissional muitas vezes não tem plano de saúde, o que exige mais economia.

Modesto diz que o free-lancer deve ter a real noção do que deseja e que ele tem condições de melhorar seus ganhos. "O free-lancer é essencialmente um vendedor", afirma.

Nesse caminho, Silveira diz que cultiva sua rede de contatos e clientes com atenção e educação. "Se você for uma pessoa alegre e atenciosa no seu dia a dia, vai ser assim com seus clientes também. É importante ser verdadeiro com o cliente. Com tantas opções disponíveis, ele veio até você", analisa.

Sobre as questões legais, o advogado Sérgio Pinto Martins afirma que no Brasil o free-lancer não tem impedimento para trabalhar em casa. "Qualquer trabalhador pode exercer suas funções em casa em comum acordo com a empresa ou com o tomador da prestação de serviço. Sobre legislação, a lei sobre o trabalho à distância é a 12.551, mas o free-lancer não está regido pela CLT", diz.

Uma dica para os free-lancers se resguardarem é redigir um contrato de prestação de serviços com cláusulas mínimas, como partes celebrantes, natureza do serviço, valor, forma de pagamento, prazo de entrega, data e local. Em projetos de valores elevados, é indicado um contrato mais formal e esse documento pode ser redigido por um advogado.

CRIATIVIDADE

Outro desafio é se manter criativo em diferentes projetos ou com clientes de perfis variados. A opinião dos free-lancers é que duas ações são essenciais para isso: manter o foco no objetivo quando estiver trabalhando, e nos momentos de descanso e lazer procurar atividades inspiradoras e renovadoras.

Sousa tem mulher e três filhos e, além do trabalho como consultor, desenvolve atividades como escritor e cuida da operação brasileira e mexicana de uma multinacional norte-americana.

Mesmo com tudo isso, ele afirma ser muito importante encontrar espaços para atividades de prazer. "Realmente é importante dedicar um tempo para leitura, atividade física, filmes, ir a um bom restaurante. Nunca deixo esses ingredientes faltarem", diz.

Conhecer outros profissionais da mesma área de atuação é outro detalhe que não pode faltar para a criatividade. Fazer contatos e conhecer ideias do seu "concorrente" são estímulos intelectuais que sempre melhoram os trabalhos. Fernandes conta fazer isso.

"No processo criativo, é importante ter momentos de leitura, sair para olhar a cidade, e deixar as informações das criações externas fazerem parte da sua bagagem", diz.

VEJA 7 PROGRAMAS QUE FACILITAM A VIDA DE FREE-LANCER

Harvest
Organiza projetos por equipes de trabalho, clientes e faturamento
www.getharvest.com

Cashboard
Programa on-line de controle de tempo, estimativas e aplicação de faturamento
www.getcashboard.com

TimePanther
Tem opções de gerenciamento de tempo que ajudam a definir tarefas, dividi-las entre seus projetos e calcular sua receita disponível
www.timepanther.com

Evernote
Ferramenta para organizar suas ideias off-line e ter acesso a tudo on-line em um grande banco de dados
evernote.com/intl/pt-br

Smartr
Organizador de informações dos contatos, mesmo que estejam em vários locais como redes sociais, e-mails e telefone
www.xobni.com/download/gmail

Free time
Analisa sua agenda e mostra as possibilidades de tempo livre
freetimeapp.com

Remember the milk
Calendário com lista de tarefas on-line
www.rememberthemilk.com

Por Reinaldo Chaves - Colaboração para a Folha
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