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DATA DA PUBLICAÇÃO 24/01/2018 | Economia
Aumenta número de aposentados na região
Aumenta número de aposentados na região Para especialistas, medo da reforma previdenciária é o principal motivo da busca pelo benefício. Foto: Nario Barbosa/DGABC
Para especialistas, medo da reforma previdenciária é o principal motivo da busca pelo benefício. Foto: Nario Barbosa/DGABC
A intensa discussão sobre a reforma da Previdência provocou uma corrida de trabalhadores da região em busca da aposentadoria, antes que sejam definidas possíveis mudanças nas regras. Reflexo disso é que, no ano passado, 20.337 pessoas tiveram o benefício aprovado, o que representa cerca de 55 a cada dia.

Conforme dados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), em dezembro de 2016 a região tinha 315.238 aposentados, que, juntos, recebiam aproximadamente R$ 562,3 milhões. Exatamente um ano depois, o número de benefícios no Grande ABC chegou a 335.575, um aumento de 6,48% (veja mais detalhes na arte acima).

De acordo com o diretor de políticas públicas da Associação dos Trabalhadores Aposentados e Pensionistas do Grande ABC Luís Antônio Ferreira Rodrigues, o receio relacionado à mudança nas regras de concessão foi o principal fator que influenciou no aumento. “Todo mundo está com medo da reforma. Então, a gente percebe que tem um desespero. Isso porque muita gente pensa que não vai mais conseguir ou terá que trabalhar por mais tempo, quando a reforma for aprovada”, comenta.

Especialista em Direito Previdenciário e sócio do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados, Murilo Aith faz um alerta, pois avalia que a corrida para ter o benefício aprovado o mais rápido possível não é vantajosa para todos aqueles que já podem requerer a aposentadoria. E aponta o fator previdenciário como problema.

“Só é vantajoso se aposentar imediatamente se o segurado cumpriu os requisitos que afastam o fator previdenciário. Ou seja, cumpriu a regra dos 85/95, que acontece quando a mulher atinge 85 pontos somados a idade e o tempo de contribuição e o homem, da mesma forma, só que com 95. Para quem não se enquadra, a orientação é para não solicitar o benefício”, explica.

Para Murilo Aith, a corrida pela aposentadoria é classificada como precipitada. “Se a reforma de fato for aprovada, não é do dia para a noite que tudo muda. Tem um trâmite, que deve ser seguido no Congresso. A pessoa só deve se preocupar e agir de forma mais rápida caso avalie que será prejudicada. Mas, no momento, isso é precipitação.”

POUCO A CELEBRAR
No Dia do Aposentado, comemorado hoje, o beneficiário tem pouco a comemorar na região. Segundo a Associação dos Aposentados, a estimativa é de que 60% dos 315.238 beneficiários ainda precisam trabalhar no mercado formal ou informal para complementar a renda. O INSS não forneceu dados regionais oficiais sobre esse contingente.

O zelador Diaulo Teodoro de Sousa, 78 anos, morador de Ribeirão Pires, faz parte da estatística de quem precisa continuar a trabalhar, mesmo após se aposentar – no caso dele, em 1997. Afinal, o salário mínimo que recebe do INSS (R$ 954) não é suficiente para garantir todos os gastos da casa. O trabalho como zelador lhe garante salário de cerca de R$ 1.100.

Ele mora com a mulher, mas também ajuda a família, quando há necessidade. São três filhos, nove netos e três bisnetos. “Só o dinheiro da aposentadoria não é o suficiente, e olha que minha mulher é bastante econômica. Muitas vezes a gente tira da nossa boca para ajudá-los (familiares). Tenho uma neta que está desempregada há quatro meses e sempre que ela precisa de um valor, empresto.”

Mesmo com a renda extra, não consegue ter acesso a serviços como plano de saúde, por exemplo. “Isso porque moro em casa própria, mas não dá para pagar mais nada. Até para comprar roupa a gente deixa para lá. Quando precisamos de alguma coisa de saúde, utilizamos a rede pública.”

Apesar de não precisar trabalhar para complementar a renda, o motorista aposentado Manoel Brites, 93 anos, foi obrigado a fazer cortes no orçamento para conseguir viver com o valor que recebe da aposentadoria. “Antes fazia muitas viagens, mas agora não tem mais como pensar nisso. No começo foi difícil se adequar à nova realidade. Vejo a situação de quem recebe menos, que é muito pior”, diz ele, que ganha cerca de R$ 1.900 de benefício e mora com a mulher e uma cuidadora de idosos, também em Ribeirão Pires.

Por Yara Ferraz - Diário do Grande ABC
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